Arnaldo Jabulani está indignado

Texto de Arnaldo Jabor dando piti com o trânsito paulistano hoje, no Estadão (no Brasil quem recheia jornal é gente conhecida: jabores, danusas e fernandinhas).

Trechos:

Mas, e a população que sofre agarrada em ganchos de ônibus ou esmagada dentro dos trens?

“A população que sofre agarrada em ganchos [sic] de ônibus ou esmagada dentro dos trens” está aqui:

Esta é uma estação de Metrô em Cabilunga dos Neves, no Rio de Janeiro, hoje pela manhã. É longe, bem longe do circuitinho costumeiro de Jabor. Mas São Paulo, you know, é uma calamidade.

Sabe por quê? Ao contrário do Rio, onde os pobres cabem todos na marra dentro deste vagão, em SP eles circulam: vão pela cidade inteira, de ônibus, Metrô, trem, automóveis de passeio, utilitários, VUCs e pereré.

Claro que eu reclamo como um burguês; tenho carro, me incomoda levar duas horas para ir ao trabalho.

Isso significa: tenho vários SUVs na garagem. Um lote aqui e outro no Rio.  Acho tudo calamitoso não porque me passe pela cabeça me virar com um carro só, mas porque quero-porque-quero que o Poder Público abra vias para mim, agora – vias vazias.

São até boas sugestões, mas elas morrem depois da entrevista, elas somem no dia a dia da preguiça burocrática.

Agradecemos sua avaliação especializada, mas as sugestões aqui não morrem depois da entrevista. Você está confundindo as administrações. As sugestões ou se mostram ineficazes, ou se mostram inviáveis naquele momento ou são aprovadas e levadas a cabo.

Por que não? Ferry boats descendo os Rios Tietê e Pinheiros…

Bem, é preciso dizer que há projetos nesse sentido há anos, mas o pessoal aqui tem a mania de estudar as coisas com cuidado, ou seja, não tem a intrepidez de um Sérgio Cabral pra inaugurar UPPs de alvenaria 3 x 4 nos morros e assim mudar radicalmente a vida da população.

O problema da navegação no Pinheiros e Tietê, além do cheiro, é a pouca competitividade com a velocidade no asfalto. Num trânsito livre, o ônibus da marginal vai bem mais rápido. E num trânsito complicado, você vai em velocidade lenta de um ponto a outro do rio, e só.

Acho muito improvável que Jabulani não tenha pensado nisso ao escrever essas rocinantes palavras. Mas uma coisa é certa: em sua São Paulo ideal, ferryboat para o rebotalho. Pra ele passar livre leve e solto, à toda, pela marginal.

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17 comentários em “Arnaldo Jabulani está indignado”

  1. Deviam dizer pro Jabor vir morar no… século XXI!!!

    O século XXI é assim, Jabor. Quem tem carro leva duas horas para chegar no trabalho, porque um monte de gente tem carro e não há rua nem avenida que suporte o acréscimo diário de novos veículos.

    É assim em SP, Rio, Tóquio, NY, etc…lembra de Londres e seu pedágio urbano?

    Eu já tenho opinião formada sobre isso. Se a solução é transporte coletivo de qualidade, simples, fecham-se as ruas para carros e coloca-se ônibus, trens e metrôs em quantidade…quem quer andar motorizado que pague a conta e aceite os incômodos…

  2. Não só tem carro, como motorista particular. Acho que o filho menor dele è meu vizinho e nos cruzamos na padaria Juliette de vez em quando. Até aí, nada demais, o problema é a babaquice, abs

  3. Fábio, Jabulani tem mentalidade de cortesão. Bate com talher na mesa por qualquer demandinha da hora.

    Disse-o, mdv. Não sei por que reclama de duas horas no trânsito. Foi pra onde? Cangaíba?

  4. Só pra dizer que eu sou a pessoa de blusa verde da foto a mulher de boca aberta é minha esposa…..
    Isso aconteceu na estação de Vicente de Carvalho do MetroRio….

    Isso acontece varias vezes não foi a primeira e infelizmente não será a ultima.

  5. Não é, Daniel? A gente se sujeita a morar em cidades grandes, cheias de gente. “Ah, é por causa do trabalho”. Então pronto. Eu me sujeito, você se sujeita.

    Agora vem o cara que nunca botou os pés num Metrô reclamando do trânsito. É a lógica que pressupõe que deve haver um freio na entrada de carros na cidade, para que naturalmente o DELE trafegue em paz.

    E, se você não conhece este blog, questionamos por que se cisma com SP, se a situação é igual ou pior em tantas capitais brasileiras.

  6. Uma vez o outra o colunista, cineasta,crítico, etc.. , pisa na jaca. Comentário sobre o trânsito foi uma senhora pisada. Mas eu adoro ler a maioria dos seus textos.

  7. Não deu para saber ainda porque os partidários do governo federal colocam o jornalista da alça de mira. Ele faz um bem danado às demandas deles, crescendo a guasca em São Paulo, sempre que pode ou lhe convém. Só que tudo fica parecendo seus filmes. O “Eu te Amo” é uma droga. “Toda nudez será castigada”, até passa enquanto dura a pipoca. O mais recente, “A Suprema Felicidade”, ficou pouco tempo nas salas. Deve ser porque prefiram ouvi-lo e lê-lo, do que assistir seus filmes.
    Mas, tal como outro, que escreve às quartas e domingos na FSP, às vezes modera e parece que faz algumas crônicas meio que sem compromissos, embora o outro citado desanca a não mais poder, tendo até palavra virando nome de panfleto que chamam de livro, viralizado na rede e comprado aos lotes nas bancas e livrarias.
    Porém, o que tem o citado herói do post a ver com São Paulo? Talvez tenha a ver com outro de seus filmes, o “Eu sei que vou te amar”.

  8. Aliás, aqui que ele chama de ganchos, não são ganchos. Ganchos são para cortes de gado. Ninguém é maluco de colocar ganchos em trens e ônibus.
    E gente esmagada dentro de trens em São Paulo, já teria gerado processo e apurações. Onde foi, quando, quem, foi cuidado, chamaram a segurança? Pode ser que, por licença poética, lembrou-se da letra de “Admirável Gado Novo”.

    Mas, seria melhor escolher outra cidade a meditar poesias.

  9. Olha, Dawran e mdv, eu li essa do Nizan Guanaes. Some-se a isto o que ouvi ontem, a pessoa falando comigo – não vou especificar, mas criatura desfazendo de uma profissão que aqui é chiquérrima, e ela ainda toma como coisa grosseira, porque esta é a relidade dela.

    Tá, tá meio confuso, mas o que quero dizer é que cada vez mais me convenço de que as almas não largam nunca o ambiente cultural em que vivem.

    Tanto é que estamos assim: Jabor quer ferryboats no Tietê, Guanaes quer uma nova Faria Lima. Simples assim.

  10. E como hoje choveu a cântaros, amanhã, novos poetas surgirão caceteando a poesia da Cidade.
    Pois, para não perder a poesia, Bamako, Capital do Mali, deve ser aprazível. A Raposa Terra do Sol, idem. Lá deve ter disco voador, transportador de matéria igual a da Interprise.

    Isso sem querer dizer que quem quiser pode ir para outro canto. Longe disso. Só dá para passar perto de um buraco de minhoca, que passa de uma dimensão para outra, num piscar de olhos.

    Mas, se deixarem a Cidade um pouco em paz, não o fariam por méritos, mas só por bom senso.

  11. Liga não Leticia. Ainda há o “habitat definitivo dos Kreen-Akarore”, para onde esse pessoal possa ir fazer sua comunhão coma natureza e deixar a cidade em paz.
    Só dá para sentir pena dos Kreen-Akarore.

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