Parabéns à população!

É triste o governador ter de falar que o Tietê serve a nós como um piscinão, mas aquela fantasia classe média de famílias felizes fazendo piquenique nas beiras floridas do Tietê, ó, esquece! O rio é e sempre foi depósito de entulho de qualquer coisa.

Se o miolo da cidade de São Paulo conseguiu, através de medidas de governo e certa morigeração coletiva envolvendo indústrias e consciência geral, lidar um pouquinho mais civilizadamente com o rio, o mesmo não acontece com tribos periféricas à cidade que se aglomeraram em suas margens.

Graças a gestões desleixadas e oportunistas, o rio Tietê continua firme e forte como lata de lixo de entulho, automóveis que têm de sumir, cadáveres, esgoto, agrotóxicos. Isso tudo gera uma papinha cinza que estende suas gosmas por léguas, e há anos lá vem o governo, tal qual uma mula, tirando isso como um trabalho de Sísifo. Do Estadão:

O governo do Estado de São Paulo afirma que, até o fim do ano, o Rio Tietê voltará a ter a mesma vazão de 2005, quando foi entregue a obra de rebaixamento da calha do rio. Com a retirada de 900 mil m³ de sedimentos por obras de desassoreamento, o rio retomaria a capacidade de vazão de 1.048 m³ por segundo na altura do Cebolão. As chances de ocorrer uma chuva capaz de fazer a calha transbordar serão de 1%.
Após a construção de 29 piscinões nos últimos 16 anos, sem que o problema das enchentes fosse resolvido na cidade, o governo agora afirma que a prioridade é manter as calhas do Tietê livres para o escoamento de água de toda a cidade. “Vamos fazer do Tietê um grande piscinão”, disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante evento realizado às margens do rio, com objetivo de divulgar o balanço das obras de desassoreamento, aceleradas desde o início de 2011.

Histórico. De 2002 a dezembro de 2005, o rio teve a calha aprofundada em dois metros e meio, com investimento de R$ 1,7 bilhão. A obra foi feita em 40 quilômetros de extensão, da Barragem da Penha, na zona leste da capital, ao lago da Barragem Edgard de Sousa, em Santana do Parnaíba, na Região Metropolitana. Foram retirados 6,8 milhões m³ de rochas e sedimentos do fundo do rio. Nos anos seguintes, no entanto, o governo do Estado não conseguiu impedir o acúmulo de pelo menos 3 milhões de m³ de resíduos até o fim de 2010.

Atualmente , de acordo com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), a maior parte do desassoreamento já foi refeita. “Estamos concentrando nossos esforços entre a ponte da Vila Guilherme e o Corinthians”, diz o superintendente do departamento, Alceu Segamarchi Jr.

Investimento público. O Daee investiu R$ 317 milhões para desassorear três trechos que, somados, atingem 66 quilômetros. O trabalho é feito com escavadeiras. O resíduo é levado em caminhões e barcaças para aterros sanitários na Grande São Paulo.

Além do Tietê, o Rio Pinheiros e seus afluentes também passam por obras de desassoreamento. Do Pinheiros, foram retirados 882 mil m³ de resíduos e dos afluentes, 1,4 milhão de m³. Ao todo, removeu-se 4,4 milhões da bacia desde 2011. “O que tiramos de material assoreado equivale a 86% da capacidade de todos os piscinões”, afirma Alckmin.

O coordenador da área sanitária ambiental do Instituto de Engenharia, Júlio Cerqueira Cesar Neto questiona a eficácia do plano do governo estadual e afirma que o aumento da capacidade de escoamento do Tietê chegará já defasado. Segundo o engenheiro, a vazão do rio deveria atingir aproximadamente de 2 mil m³. “Em 1998, já se verificou que a vazão estava ultrapassada em cerca de 25%”, afirma o engenheiro. Para o especialista, não há soluções fáceis para o problema. Uma delas seria um novo rebaixamento de toda a calha do rio. O Daee, no entanto, alega que esse tipo de obra seria cara demais e os estudos demonstram que seria inviável.

Limpeza de piscinões. De acordo com o governador, a segunda prioridade na luta contra as enchentes é manter os piscinões limpos. Em dezembro de 2011, o governo estadual passou a responsabilizar-se pela limpeza dos reservatórios, antes um encargo das prefeituras.

Depois disso, sete piscinões tiveram um total de 90 mil m³ de sujeira recolhida. De acordo com o superintendente do Daee, Segamarchi Jr., é importante que os piscinões estejam com sua capacidade total para que retardem a chegada das águas ao Tietê. “Para que, quando a água chegue ao rio, ele já esteja em condições melhores”, afirma.

Segundo o site do governo estadual, as obras de desassoreamento no rio Pinheiros estão sendo realizadas pela EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), ligada à Secretaria de Energia e no rio Tietê e afluentes e pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), vinculado à Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos.  Já foram investidos R$ 388,8 milhões na redução das enchentes, cerca de 15 mil pneus foram retirados e 300 máquinas e caminhões trabalham diariamente.

É nisso que gastamos nossa grana…

Bem, olhando daqui, da minha ignorância, eu investiria numa iluminação com câmeras, tipo sambódromo, ligadas com a polícia, em boa extensão do rio. Desde Salesópolis até Barra Bonita mesmo.

Ah, é impossível…

Impossível é gastar tanto dinheiro pra consertar um comportamento que não tem fim.

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12 opiniões sobre “Parabéns à população!”

  1. 15 mil pneus retirados do Rio Pinheiros!

    É o governo que jogou eles lá?

    O povo brasileiro é irresponsável, individualista e porco, e isso inclui uma parcela considerável dos paulistas e paulistanos e a partir desse fato, não há obra que impeça enchentes e desgraças, por mais que IDIOTAS venham dizer em época de eleição (e só em época de eleição) que a culpa é desse ou daquele partido.

    É a tal coisa: se 20% do valor gasto para construir estádios para a Copa do Mundo fosse gasto com um programa de conscientização ambiental nas escolas públicas do país afora, pode ser que em alguns anos a situação melhore com a diminuição do volume colossal de resíduos jogados no rio ou em qualquer lugar. Mas como o negócio é pão e circo, a situação só tende a piorar…

  2. Sem querer ser chato ou injusto com especialistas. Mas, a função deles é só dizer o que não funciona, o que não adianta , o que chega tarde? Por exemplo, se o Governo não tivesse feito nada, como seria o parecer do especialista? Oras, falar que não vai dar certo, quem suja o rio, ocupa sua várzea, transforma-o em esgoto, já o sabem muito bem. Será que o especialista não deveria falar algo como: olha, o que está errado é a ocupação irregular das várzeas, das nascentes, que destroem as matas ciliares, quem não liga seu esgoto nas linhas da Sabesp etc. etc. etc.? Retirando as pessoas das ocupações irregulares, multando quem não faz ligações de esgotos nas linhas já prontas, multando as empresas que despejam poluentes etc. etc. etc…Ai daria tudo certo. Ah…e cidades limítrofes à Capital, entregaram a manutenção e limpeza dos piscinões ao Governo do Estado. Isso também, poderia ser objeto da fala do especialista.

  3. O Sísifo no final da frase me fez lembrar do Lulla e o seu sífu. O que, convenhamos, não foge tanto assim do contexto.

    Leticia, vi ontem no Jornal da Cultura uma matéria sobre um estudo do GGB (Grupo Gay da Bahia) em que aponta a capital baiana como a primeira colocada em assassinatos a homossexuais. Procurei algo hoje, até para verificar se havia alguma entrevista com o governador Jaques Wagner e tal. E olhe só que interessante eu encontrei no portal Terra. Se você não viu segue o link:

    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5569036-EI6578,00.html

    Veja que o tal Luiz Mott, fundador da entidade, logo trata de tirar o do governador da reta. Pensa em denunciar o estado na OEA, mas o governador é amigo dos gays, claro. Ah, o estudo coloca São Paulo no terceiro estado do ranking. É evidente que não faz alusão ao estado ter mais que o dobro da população baiana. E mesmo assim devemos supor que o governador de São Paulo é o inimigo número 1 dos gays.

  4. Fábio, estou muito desanimada porque as pessoas que entopem os rios são as que vão mais sofrer as consequências , pois para eles pensar cansa. Infelizmente você está certissímo em sua análise.O povo
    brasileiro é CAMPEÃO em sujar e depois RECLAMAR. Manter limpo nem pensar, os trouxas vão limpar, porque eu não quero sujeira na minha porta. (só na dos outros lógico ,afinal eu sou uma pessoa limpinha não !?!?!?)

  5. Em Santos, minha cidade, o povo jogava o lixo nas encostas dos morros.
    Eu trabalhava na limpeza pública na época. Colocávamos caçambas para lixo (não havia acesso para os caminhões de lixo) e a população tocava fogo.
    Fabricávamos caçambas em série e o povo destruía.
    As encostas ficaram atulhadas de lixo e um dia as chuvas chegaram e desmoronou tudo. O lixo arrastou tudo encosta abaixo.
    Daí o culpado era do governo.
    Porra, quem foi que jogou o lixo lá? Quem ateava fogo nas caçambas?
    Não queriam andar alguns metros e jogar o lixo no lugar certo. Então Phodam-se.
    Pobre é porco mesmo.
    Quanto aos rios em Sampa é falta de vontade política.
    A solução é fácil.
    É só jogar corante nos efluentes das indústrias, seguir, e multar pesadamente aquelas que jogam dejetos “in natura” sem tratamento.
    Fizemos isso em Santos nos prédios que jogavam esgoto diretamente nos canais.
    Funcionou.
    Mas tem que ter culhões e enfrentar os políticos e poderosos.
    Felizmente estávamos na ditadura e eu cagava e andava para os políticos.
    Fazia e pronto! E não adiantava reclamar.
    Jogou esgoto direto nos canais era intimado e tinha curto prazo para corrigir.

  6. Dawran, culpar o povo não traz notoriedade nem consequências profissionais práticas para o sujeito.

    Claudio, SP não só tem o dobro da população baiana como tem muito mais gays percentualmente. Todo e qualquer integrante de setores da população que não se encaixem nos valores médios de uma cidade pequena tendem a se refugiar em grandes cidades, onde são mais tolerados e onde podem buscar uma vida mais invisível.

    O curioso é que a Bahia tem uma forte influência do candomblé, ligado à homossexualidade (são estudos atropológicos que dizem, não eu. O candomblé segue uma linha familiar matriarcal, talvez tenha que ver com isso, ou o inverso. Não estudei a fundo).

    Mas a perfumaria do Mott com o Jacques Wagner, à parte o assunto, é vergonhosa.

    Né, Iolita. Acho que comentei isso aqui outro dia: brasileiro gosta da casa um brinco, mas da porta pra fora…

    Tea Party, acho que esse negócio de corantes já fui usado aqui em algum momento… Mas concordo com você, eu investiria em fiscalização e multas pesadas. Acho que na cidade, indústrias não jogam mais dejetos. O problema são os loteamentos clandestinos (e não clandestinos) e favelas. Eu tirava na marra e fazia uma margem bem larga: aqui não entra.

  7. Exatamente Leticia.
    Mas, não precisaria, o especialista, desancar ninguém.
    Só dar números e reforçar comportamentos mais civilizados.
    Parece que só opinam com base na porretada no Poder Público em geral no Estado.
    Se o morador vai construir, encontra uma galeria ou um veio d’água, joga terra por cima e deixa quieto, algum dia a coisa vai desabar. Ocorreu recentemente numa rua inteira de São Paulo. Garagem afundou engolindo carro. Passava uma galeria ali e ninguém deu a mínima bola. O pedreiro falou que viu a água e jogou uns quatro caminhões de terra por cima e pronto.
    A Sabesp e o Governo e a Prefeitura, fizeram todo o conserto e ainda levaram bordoada na TV, no rádio e as pessoas desancando, mostrando IPTU etc.
    Oras, quando compraram ou ocuparam os locais não foram verificar a validade, que tipo de construção poderia ser feita, a infraestrutura etc.? O especialista não poderia comentar o ato do pedreiro por exemplo? Indicando que não poderia ter feito o que fez? Que deveria ter chamado a Prefeitura?
    Essas coisas o especialista deveria destacar. Aliás, deveria ser chamado por grupos de moradores a cada vez que estes forem ocupar uma várzea, ou terrenos em cima de galerias pluviais.

  8. Se New York é a Big Apple, São Paulo é a Big Orange. A ninguenzada de todos os quadrantes de Macunaíma’s Land acorre em massa à metrópole para tentar espremer as últimas gotas da ‘fruta’!
    O problema é que ao se deslocarem de seus grotões de origem, trazem consigo todas as mazelas educacionais, físicas e emocionais. Tornam-se aventureiros predadores.
    Como não se identificam com a cidade, não assumem sua cidadania. Tudo o que se relaciona a ela não lhes diz respeito. Mesmo os que aí nascem não conseguem quebrar o círculo vicioso. Seu universo compreensível restringe-se a um círculo com dois metros de raio.
    Pelo gigantismo da urbe, soluções a curto prazo não há. O que resta são apenas medidas paliativas.

  9. Dawran, não existe sociedade controlada apenas pelo Poder Público. As pessoas têm de ter sua parcela de responsabilidade. A maioria age escondida dos governos, Daí dá no que dá.

    Né, Schu? Concordo com com cada palavra, mas incluiria alguns nativos mais esclarecidos: eles também sofrem da jererequice geral, seja por ganância ou ignorância mesmo.

  10. Correto, Leticia.
    Mas, reforço. Que os especialistas mudem um pouco o diapasão e digam, de vez em sempre, quando forem chamados pelas TVs a opinar: olha, se comprarem um terreno para construir, chamem-nos para palpitarmos sobre a melhor forma de construírem, as licenças necessárias e as vistorias cabíveis, a preservação da guaxuma, de olhos d’água, nascentes e várzeas. Aceitamos cestas básicas, vale-transporte, ticket-refeição e sanduba e cerva no bar do Tonho, aquele ali da esquina, OK? Mas, nunca construam em cima de olhos d’água, várzeas e galerias de águas pluviais. Além de poder até ser crime, vocês poderão morrer com desabamentos causados por infiltrações.
    Pronto. Tá falado.
    Problemas metropolitanos, não prescindem, de soluções metropolitanas. De elevado nível.

  11. Eu não mais falo em rios, falo em lagos, porque rios correm. As estações elevatórias fecham suas comportas para acumular os resíduos, depois são abertas para o escoamento do represado.

    Gostei da “ninguenzada” no comentário do Luiz.

  12. Xico, o copyright do termo “ninguenzada” deve ser creditado ao grande jornalista Joelmir Betting. Eu costumo adotar porque é bastante significativo.

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