Fissuras em Latinopangeia

Olha sóammm (via o_desaforista):

Ao lado do ministro de Relações Exteriores, chanceler Antonio Patriota, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, lançou nesta segunda-feira, 2, o Plano de Relações Internacionais do Estado, que promete criar 1,5 milhão de empregos, diretos e indiretos, até 2014.

A iniciativa – a primeira do gênero no País, segundo Alckmin – tem como principal objetivo ampliar as fontes de empréstimos do Estado junto a organismos internacionais, como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial.

Desde que o governo federal aumentou, no ano passado, o teto da dívida de São Paulo para R$ 7 bilhões, o Palácio dos Bandeirantes busca fontes de financiamento. Em dezembro, o governo prometeu um ajuste fiscal em gastos de custeio para ampliar o investimento no Estado.

“Vamos buscar em organismos internacionais esses financiamentos para poder investir na área de infraestrutura”, disse Alckmin nesta segunda, após assinar o
decreto que criou o plano. “São Paulo tem um novo programa de ajuste fiscal, o que ampliou a capacidade de investimento.”

Segundo o governador, o Estado busca, ainda, ampliar as parcerias público-privadas (PPP) com empresas estrangeiras.

Além das metas econômicas, o Plano de Relações Internacionais estabelece o objetivo de ampliar o intercâmbio cultural, educacional e científico com outros países. O governo estadual pretende, por exemplo, estender a 100 mil alunos o ensino de inglês, espanhol, alemão, francês, italiano, japonês e mandarim nos Centros de Estudos de Línguas (CELs) mantidos pelo Estado até 2014.

Segundo Alckmin, foram estabelecidas 54 metas que envolvem todo o governo. “A adoção deste plano significa que todas as 26 Secretarias do Governo irão operar com um braço no exterior”, afirmou o governador. “No mundo globalizado de hoje, onde a informação e as oportunidades não obedecem a fronteiras, ninguém sobrevive se isolando”, destacou.

O ministro das Relações Exteriores afirmou que o Itamaraty foi “um parceiro de primeira hora” da ideia, mas ressaltou que as relações internacionais de São Paulo “não poderão prescindir da parceria com o governo federal”. “É sempre oportuno recordar que é competência da União manter relações (com outros países)”, ressaltou Patriota. “Desejo êxito a São Paulo na implementação desse plano.” (Estadão)

Bem, o estado de SP cansou de esperar parcerias do governo federal, não só na política internacional mas em qq. coisa. Esse negócio de irmão mais velho/rico ter de suprir a casa cansa.

São Paulo precisa tocar sua vidinha…

Foto (Clayton de Souza/AE): o senhor Patriota pode choramingar à vontade…

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17 opiniões sobre “Fissuras em Latinopangeia”

  1. Ah, Ah, Ah, se depender desse ministro, o único braço que o estado de São Paulo poderá contar no exterior é o de algum preso politico cubano, arrancado sem dó pelos Castro. E com direito a aprovação da Maria do Rosário. Talvez essa noticia seja um grande avanço aos bananas do governo federal. Quem sabe não aprendem um pouco com quem conhece do riscado. Chega de visitas a Argentina, Venezuela, Cuba e Irã. Ah, Fernando Henrique, Lampreia, Celso Lafer… Pois é, como éramos felizes, não?

  2. Pode ser que o Chanceler tenha dito muito mais coisa. Porém, essa de que “…é competência da União manter relações (com outros países)”, é tautológico, não é? O Governador não falou que vai definir e realizar a política externa do Brasil. Vai fechar convênios, contando com o apoio do Itamaraty. Por isso o Chanceler deve ter sido convidado a ver o plano e vir no lançamento, por óbvio.
    Será que ele entendeu, mesmo, o projeto?

  3. Well, cabe ao Patriota dar um forçado sorriso amarelo, um aperto de mão e…boca fechada pra não falar besteira. Chega as patacoadas que foram ditas por Amorim na era lullística.
    Como a República é federativa as relações têm que ser isonômicas, né não? Entonces…

  4. Né, Claudio? Esperam que SP faça negócios com quem?

    Não sei, Dawran. Mas ele sentiu o troço. Talvez tenha lhe dado certa inveja, porque na sua mesa só aterrissam bufonices: ficar ofendido do Jérome Walcke, com Angela Merkel, com isso e com aquilo, fechar portos não sei pra quem, e tal. Um cortiço!

    Schu, o govero de SP não faria nada fora do possível legalmente. Dilma e seu MRE que se danem.

    Ruins de tudo, né, Iolita? Tá feia a coisa.

  5. Grana para investimento é sempre bem-vinda.

    Em 20/11/2008

    “O Banco do Brasil confirmou nesta quinta-feira (20), por meio de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Bolsa de Valores de São Paulo, a aquisição do banco paulista Nossa Caixa por R$ 5,38 bilhões.

    O pagamento será feito em dezoito parcelas mensais a partir de março de 2009 no valor, cada uma, de R$ 299,2 milhões – corrigidas pela taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.”

    Na ocasião, Serra disse que a grana seria investida na rede de hospitais de reabilitação Lucy Montoro, na ampliação dos investimentos no ensino técnico e tecnológico, no reaparelhamento das polícias Civil, Militar e Científica, construção de fóruns judiciários e expansão do Programa Água Limpa em todo o Estado.

    Como a comunicação do governo de SP é sofrível e somente acessível para iniciados nos meandros da contabilidade pública, ou então sou que não sei pesquisar esses dados, estou sem saber se o volume de investimentos nessas áreas, de 2008 até hoje, corresponde a que percentual dos R$ 5,38 bilhões.

    O que sei é que a rede reabilitação cresceu, e idem para o ensino técnico e segurança pública. Construção de fóruns e expansão do “agua limpa” eu não sei.

    Encontrei esses dados para o exercício de 2010
    Fonte: SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO. RELATÓRIO ANUAL DE GESTÃO. 2010

    O Estado de São Paulo possui a maior capacidade instalada vinculada ao SUS no país, com cerca de 4517 Unidades Básicas de Saúde, 582 hospitais e 1.469 ambulatórios de especialidade distribuídos pelo estado.

    CUMPRIMENTO DA EC 29 [15% e 12% das receitas correntes dos Municípios e Estados]

    Para o ano de 2010, o balanço ainda não foi fechado, o que deve ocorrer até o final do mês de maio. As análises sobre o cumprimento da Emenda 29 pela SES serão realizadas após esse período. O último dado disponível refere-se, portanto, a 2009 – parecer da Secretaria da Fazenda/Tribunal de Contas do Estado: 12,39%.

    Rede de Reabilitação. Inaugurações e atividades em 2010
    Total em 2010: R$ 54 295 113, 00

    É muito? É pouco? Deveria ser mais? Não sei.

    E a pergunta fatal: qual foi o investimento dos demais estados da federação no quesito reabilitação de deficientes físicos?

    Segue a parte do Relatório referida a investimentos e custeio do programa “rede de reabilitação”

    Em funcionamento o Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, Unidade Morumbi, inaugurada em setembro de 2009. O hospital possui 13 mil metros quadrados de área construída. Será parâmetro de qualidade e alta tecnologia. Oferecerá reabilitação integral de última geração, com equipamentos e técnicas ainda inéditas no Brasil, a pacientes do SUS com lesões medulares, amputações, seqüelas de traumatismo crânio-encefálico, paralisia cerebral, hemiplegia e severas restrições de mobilidades. Tem capacidade para realizar 12 mil atendimentos/ mês. Oferece serviços: diagnóstico, Programas de Reabilitação, Oficinas Terapêuticas, Esporte Adaptado, Cursos para Capacitação Profissional, Oficina de Adaptação em Cadeira de Rodas, Oficina de Órteses e Próteses e Cursos para profissionais de Saúde. Custeio 2010(Recurso do Tesouro): R$ 19.999.998,00 •

    Unidade Campinas
    Custeio/Investimento 2010(Recurso do Tesouro): R$ 5.065.863.70
    integração dos serviços habilitados na rede de reabilitação para assistência e dispensação de OPM (Centros de Reabilitação Unidade Umarizal, Unidade Clínicas, Unidade Lapa e IMREA- Vila Mariana no município de São Paulo). Custeio 2010(Recurso do Tesouro): 9.870.000,00

    Unidades provisórias no interior do estado (Santos, São José dos Campos, Jaú, Presidente Prudente) com a finalidade específica de avaliação e dispensação de OPM, as quais serão substituídas por novas unidades da Rede Lucy Montoro. Custeio/Investimento 2010 (Recurso do Tesouro): R$ 6.123.502,00

    • Investimento obras – futura Rede Lucy de Fernandópolis: R$ 460.000,00 (Recurso do Tesouro)

    • Implementação de sistema de informações do cadastro único dos pacientes para Órteses, Próteses e Meios Auxiliares de Locomoção (OPM), objetivando o atendimento a esses usuários. Foram atendidos até novembro de 2010, 4.645 usuários.

    • Aquisição com recursos do tesouro do Estado para atendimento dos pacientes cadastrados no sistema de informação de OPM- ortopédicas não cirúrgicas. A dispensação abarcou em torno de 20% dos pacientes cadastrados com prescrição de equipamentos de menor complexidade, (sem necessidade de medidas específicas), como: bengalas, muletas, andadores e cadeiras de banho, desde que estes equipamentos não estivessem atrelados a outros mais complexos. Foi dispensado um total de 860 (oitocentos e sessenta) equipamentos, no valor de R$ 138.072,60. Os repasses financeiros efetuados nos anos de 2009 e 2010 por Termo Aditivo para que os serviços pudessem fornecer as OPM – ortopédicas não cirúrgicas (através de mutirão) foi de 9.875.750,00 (nove milhões e oitocentos e setenta e cinco mil e setecentos e cinquenta reais) conforme informação da CRS/ Centro de Finanças Suprimentos e Gestão de Contratos.

    • Implantadas ações para responder ao Ministério Público, em conjunto com a Secretaria de Direitos da Pessoa com Deficiência, Prefeitura Municipal de São Paulo e Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD, para atendimento a pacientes em fila de espera para a realização de cirurgias, principalmente Artrodese de coluna. Um dos motivos que levam a demanda reprimida é o valor da Tabela SUS, insuficiente para custear o procedimento. Foram identificados 07 prestadores para realizar esse tipo de procedimento, considerando a alta complexidade do mesmo. O início das cirurgias deu-se no final do exercício de 2010 com 04 procedimentos.

    • Implementação de Oficinas Ortopédicas de Serviços da Rede de Referência do Deficiente Físico em 2010:

    AACD-Vila Clementino: R$ 600.000,00 (Recurso do Tesouro)
    Lar Escola São Francisco: R$ 1.800.000,00 (Recurso do Tesouro)
    Custeio da Unidade Móvel “Rede Lucy Montoro” 2010(Recurso do Tesouro): R$ 500.000,00

  6. Paulo, eu também não entendo chongas de contabilidade. O que entendo é o que vejo. Fora as clássicas ambulâncias de tudo quanto é rincão rodeando os hospitais da capital, te dou a singeleza do meu dia de ontem: fui tirar um sinalzinho da mão, coisinha minúscula que nasceu faz uns dois anos, provavelmente resultado de praias esturricantes na juventude. Fui em um ambulatório de especialidades lá na Lapa. Esse tipo de coisa não fazem em UBS, que só controla o dia a dia da saúde dos pacientes. Me encaminharam, demorou um tantinho a agenda, mas eu mesma e “meu” médico não pedimos urgência.

    Pois bem: tudo prontinho, bonitinho, rolo de papel pra forrar a maca, assepsia, instrumentos, gaze, povidine, material pra dar ponto, pra fazer curativo… Te garanto que, para saúde pública, saiu mais do que a contento. Se estivesse em convênio, demoraria o mesmo, com a diferença que estaria disputando lugar com a pelancolândia e suas cirurgias, ácidos e lixadeiras estéticas.

    Ah, é o posto é muito limpinho, com senha eletrônica, bom atendimento, bebedouro, banheiro com todos os azulejos e relógio na parede. O que mais querer?

  7. O rombo no Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, é o resultado de um acúmulo de irregularidades contábeis desde meados de 2006. O banco inflava seus balanços por meio do registro de carteiras de créditos que haviam sido vendidas a outras instituições como parte de seu patrimônio. A maquiagem permitiu que o valor da empresa fosse incrementado antes da abertura de seu capital, em novembro de 2007. Mas não pode blindá-lo contra a crise de crédito em 2008. No ano seguinte, o Panamericano teve 49% de seu capital votante comprado pela Caixa Econômica Federal. O que ainda não se sabe é como irregularidades tão grandes passaram pelo crivo de tantas instituições e por que só foram descobertas este ano pelo Banco Central.

  8. David Friedlander e Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo
    SÃO PAULO – A descoberta de uma fraude contábil bilionária levou o Grupo Silvio Santos a fazer um aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano, que tem como sócia minoritária a Caixa Econômica Federal. O dinheiro foi obtido por meio de um empréstimo ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), criado em 1995 com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro no País.

    VEJA TAMBÉM

    Grupo Silvio Santos aportará R$ 2,5 bilhões no Banco Panamericano
    SONIA RACY: Com a palavra, a Caixa
    Solução foi negociada com Caixa e BC
    Setor financeiro era maior aposta do Grupo Silvio Santos
    Segundo o Estado apurou, o rombo é resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição e, suspeita-se, melhorar os bônus dos executivos. Até agora, não foram encontrados indícios de desvio, mas o Banco Central (BC) vai encaminhar representações à Polícia Federal e ao Ministério Público para investigar as suspeitas.

    Segundo apurou a reportagem, o rombo foi descoberto há cerca de um mês pelo Banco Central. Tinha passado despercebido pelos controles internos do Panamericano, seus auditores independentes e pelo pente-fino feito pela Caixa quando comprou uma participação de 49% do capital votante do banco, no fim de 2009. O patrimônio do empresário Silvio Santos foi colocado como garantia para o empréstimo concedido pelo FGC.

    O Panamericano abre as portas nesta quarta-feira com nova diretoria, nomeada em conjunto pelo Grupo Silvio Santos e pela Caixa. Os antigos executivos foram demitidos ontem. O diretor superintendente passa a ser Celso Antunes da Costa, ex-diretor de Integração do Banco Nossa Caixa.

    O Conselho de Administração será escolhido na próxima semana, também por meio de acordo entre os acionistas.

    Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o próprio Panamericano afirma que “inconsistências contábeis não permitem que as demonstrações financeiras reflitam a real situação patrimonial da entidade”.

    Durante esta terça-feira, circularam rumores no mercado, dando conta de que o Banco Central interviria em alguma instituição financeira após o encerramento dos negócios, como antecipou a colunista do Estado Sonia Racy.

    Nas mesas de operação, o principal “candidato” era o Panamericano. Por isso, os papéis preferenciais (PN) do banco desabaram. Caíram 6,75% e, no ano, já acumulam perdas de 35%. No chamado pós-mercado, as ações recuaram ainda mais: 8,54%.

    Segundo o fato relevante, o dinheiro “destina-se a restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização”.

    Inédito. O crédito para o Panamericano equivale a cerca de 10% do patrimônio do FGC, que somava R$ 25,8 bilhões no fim de setembro. É uma saída inédita no País. Um especialista explicou que o banco provavelmente não encontrou no mercado um interessado (nem mesmo a Caixa) justamente por causa do rombo recém-descoberto.

    Os R$ 2,5 bilhões que estão sendo aportados superam o atual patrimônio líquido da instituição, de R$ 1,6 bilhão. O Panamericano é o 21.º do ranking nacional, com ativos de R$ 11,9 bilhões ao fim de junho. Em dezembro de 2009, a Caixa comprou 35% do capital total do banco. Pagou R$ 740 milhões.

    Um analista explicou que, caso o aporte não fosse feito, o Panamericano ficaria fora das regras do BC e teria de sofrer uma intervenção. Apesar do aporte, o BC, segundo apurou o jornal, não descarta intervir no banco.

    Texto atualizado às 22h50

  9. Não dá para parar:
    História mal contada
    Quanto mais se mexe no caso do Banco PanAmericano, mais sinistro ele fica

    Consuelo Dieguez
    Durante quarenta anos, Luiz Sebastião Sandoval trabalhou para o Grupo Silvio Santos, 28 dos quais na presidência da holding que controlava as empresas do apresentador e dono do SBT. Entre os negócios que comandava, estava o Banco PanAmericano, responsável pelo melancólico fim de sua carreira de executivo. Com um modesto patrimônio de 1,6 bilhão de reais, o banco de Silvio Santos protagonizou, no ano passado, o maior escândalo financeiro da década.

    Em setembro de 2010, o Banco Central descobriu uma fraude de 2,5 bilhões de reais engendrada por seus executivos – a conta subiu para 4,3 bilhões após novos cálculos feitos pelo Fundo Garantidor de Créditos dos bancos. Criado para socorrer instituições em dificuldades, o fundo colocou dinheiro no PanAmericano para evitar sua quebra. O caso foi parar na Polícia Federal, que indiciou Sandoval e todos os executivos do banco. O inquérito beira as 2 mil páginas e será encaminhado à Justiça, que decidirá se condena ou não os envolvidos.

    Sandoval é um homem franzino de calva acentuada e 67 anos. Numa tarde nublada, sentou-se num sofá na sala de sua cobertura, em São Paulo, com vista para o vale do Anhangabaú. Munido de caneta e papel, desenhou o organograma do grupo para tentar demonstrar que sua responsabilidade na fraude, ao contrário da avaliação feita pelo Banco Central e pela Polícia Federal, é nenhuma.

    “Eu ficava no controle da holding. Recebia os relatórios das auditorias feitas no PanAmericano que indicavam que o banco estava em perfeita saúde financeira. Como eu poderia imaginar que os executivos tinham montado uma fraude sem tamanho?”, defendeu-se. Deu um gole no café, outro na água e continuou. “É inadmissível que a Deloitte, que era paga para averiguar as contas da instituição, não tenha visto esse rombo gigantesco.”

    Para complicar ainda mais a história, o governo está metido até a alma na confusão. Em janeiro de 2009, os executivos do PanAmericano, além de Luiz Sandoval e do próprio Silvio Santos, convenceram o governo de que seria um ótimo negócio para a Caixa Econômica Federal ficar dona de 49% do capital montante pela bagatela de 739,2 milhões de reais. Na negociação, ficou estabelecido que, mesmo despejando essa dinheirama na instituição, a Caixa não participaria da sua operação, o que é totalmente fora dos padrões. Teria direito apenas a participar do conselho de administração, cuja função é dizer sim ou não para as decisões dos executivos. Ainda assim, a operação contou com o aval entusiasmado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que considerou a compra uma ótima oportunidade para o governo ampliar sua participação no mercado financeiro. Foi o ministro, garantiu Sandoval, quem bateu o martelo para que a Caixa fechasse o negócio.

    oncretizada a venda, Sandoval levou Silvio Santos no dia 13 de setembro de 2010 até o prédio da diretoria da Caixa, em São Paulo, para que ele conhecesse a presidente e o vice da instituição, seus futuros parceiros. Junto com eles deveria estar Rafael Palladino, presidente do PanAmericano. Como o executivo não apareceu, Sandoval lhe telefonou. Ouviu uma voz tensa do outro lado da linha. “Não posso ir. Estamos com um problema. Venha para cá assim que puder.” Silvio Santos amenizou a ausência de Palladino, fazendo-lhe elogios rasgados. “Eu não conseguia entender essa admiração do Silvio por ele. O Palladino sempre foi um patife”, disse Sandoval. Quer dizer: Silvio Santos botou um patife à frente do seu banco.

    Sandoval rumou ao PanAmericano após a reunião e encontrou Palladino com os cabelos despenteados. “Ele tem mania de desarrumar os cabelos quando fica nervoso”, contou. Ao vê-lo, Palladino disse que estavam com um problema com o Banco Central. “Descobriram um erro contábil de 2,5 bilhões de reais”, revelou. Sandoval arregalou os olhos ao relembrar a história. “Erro? Isso não é erro. Isso quer dizer que temos um rombo maior que o patrimônio do banco.” Mandou então que viessem os outros executivos.

    O primeiro a chegar foi o diretor-financeiro, Wilson de Aro. Sandoval pediu explicações e ouviu do executivo que a responsabilidade era dele, De Aro. Ele montara a fraude ao não registrar no balanço do banco as vendas das carteiras de crédito para outras instituições financeiras. Assim, o PanAmericano demonstrava ter muito mais créditos a receber do que na realidade teria. Com isso, registrava lucros fictícios, mas que resultavam em pagamento de bônus generosos para seus executivos, dos quais também se beneficiavam Sandoval e Silvio Santos.

    Sandoval disse que reagiu afirmando não acreditar na versão de Wilson de Aro. “Nada no banco era feito sem o conhecimento do Rafael”, assegurou. Ainda que De Aro tenha assumido a culpa, é contra Palladino que Sandoval despejou sua ira. “Ele é tão cafajeste que colocou para trabalhar com ele a maluca da filha do Silvio Santos – aquela que foi sequestrada e saiu elogiando o sequestrador.” E retificou: “Trabalhar, não, porque ela só ia às reuniões. Ele a colocou lá para fazer média com o Silvio.”

    Depois, o apresentador decidiu empregar em suas empresas as quatro filhas que teve no segundo casamento. “O Silvio me pediu para colocar as filhas no grupo e prepará-las para substituí-lo. Mas como? Ele mesmo admite que elas são muito despreparadas e inexperientes.” Segundo Sandoval, a falta de tino das herdeiras para os negócios, aliada ao escândalo do PanAmericano, levou Silvio Santos a tomar a decisão de se desfazer de várias de suas empresas – inclusive o Baú da Felicidade, a mais identificada com ele.

    história do PanAmericano ficou ainda mais esquisita depois que a Polícia Federal, ao analisar os computadores dos executivos do banco, descobriu que eles tinham uma relação íntima com integrantes do PT. Trocaram e-mails com Luiz Gushiken, ex-ministro da Comunicação Social no governo Lula, nos quais discutiram estratégias para a instituição. Gushiken exigiu, por exemplo, que não se fechasse qualquer negócio para a compra de horários no SBTsem sua participação. Descobriram também que o banco foi grande doador de dinheiro para campanhas políticas do PT. Só para a campanha de Lula em 2006, foram 500 mil reais. E, durante a campanha eleitoral, o SBT de Silvio Santos fez uma cobertura pró-Dilma no seu noticiário.

    A entrada do banco BTGPactual no negócio tornou o caso mais nebuloso. Após assumir a dívida de 2,5 bilhões de reais, Silvio Santos foi surpreendido com a nova conta apresentada pelo Fundo Garantidor, afirmando que o rombo real era quase duas vezes maior. O apresentador disse que não tinha condições de arcar com aquele rombo. O governo mandou-o entregar o banco em troca das dívidas – e içou o BTGPactual como sócio. O que surpreende foram as facilidades concedidas ao comprador. O BTGPactual, de André Esteves – também com histórico de doações para campanhas do PT –, ficou com 51% das ações do banco por módicos 450 milhões de reais, a serem pagos até 2028.

    Os ex-executivos do PanAmericano tampouco se saíram mal. Com a distribuição dos lucros e dividendos fictícios, Wilson de Aro, Palladino e o diretor jurídico compraram imóveis luxuosos. O de Palladino é uma cobertura de 6 milhões de reais. Para não ficar tão ostensivo, vendeu a Ferrari vermelha na qual circulava até bem pouco tempo atrás. Quando soube do rombo, Silvio Santos fez uma única pergunta a Sandoval: “Eu fui roubado?” A resposta foi sim. Depois, na Polícia Federal, Silvio culpou seu ex-pupilo, Palladino, de tudo: “Ele era o cabeça do negócio.”

    Sandoval também garante ter sido enganado pelos ex-executivos do banco. E diz que a Caixa não ficou atrás. Advogado por formação, ele só não entendeu por que, ao tomar conhecimento do rombo, a Caixa não desfez o negócio. “A instituição podia alegar que fora enganada. Qualquer juiz lhe daria ganho de causa.” O que ninguém acredita é que Silvio Santos não sabia de nada.
    Assim como Lulla que não sabia de nada.

  10. A dramática luta de Silvio Santos
    Numa atitude inédita, o dono do SBT hipoteca todo seu patrimônio para evitar a quebra do banco PanAmericano. Agora, aos 80 anos, ele lutará para salvar as joias do seu império
    Por Leonardo Attuch e Carlos Sambrana
    Carlos Sambrana e Cláudio Gradilone, editores da DINHEIRO, analisam o caso Panamericano. Confira abaixo:

    Em 1945, quando Getúlio Vargas se preparava para deixar a Presidência, um menino nascido e criado na zona boêmia do Rio de Janeiro iniciou sua carreira como empresário. Senor Abravanel percebeu que poderia ganhar alguns trocados como vendedor, ao se deparar com uma pequena aglomeração no centro do Rio.

    Um senhor já de idade vendia capas de plástico para títulos de eleitor – naquele momento, o Brasil estava prestes a viver a primeira eleição presidencial após 15 anos de getulismo. Senor, filho de imigrantes judeus, decidiu seguir o exemplo do vendedor e, em pouco tempo, transformou-se no camelô mais conhecido do Rio de Janeiro.

    Quando foi pego pela primeira vez por um policial, conseguiu vencê-lo pela simpatia. O guarda, em vez de encaminhá-lo a uma delegacia de menores, deu-lhe o cartão de um amigo na Rádio Guanabara, que promoveria na semana seguinte um concurso para jovens locutores – Senor entrou na disputa e chegou em primeiro lugar.

    De lá para cá, tudo mudou na vida desse garoto. A começar, pelo nome. Senor passou a ser Silvio Santos e se tornou um dos comunicadores mais conhecidos e admirados do Brasil. Comandou programas de grande audiência, adquiriu uma emissora de televisão e se tornou um dos maiores vendedores de eletrodomésticos do País com seu Baú da Felicidade.

    Silvio Santos, dono do SBT: “O negócio só saiu porque ofereci todos os meus bens em garantia”

    Silvio montou um império com 34 empresas e faturamento de R$ 4,66 bilhões, preservando sempre a imagem de self-made man, o empreendedor que começou de baixo e venceu na vida graças ao próprio esforço. Na semana passada, todo o patrimônio construído em 65 anos de trabalho poderia escorrer pelas suas mãos.

    Havia sido dado em garantia num empréstimo de R$ 2,5 bilhões, tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma entidade privada, capitalizada pelo sistema financeiro, para evitar a quebra do banco PanAmericano. “Foi uma atitude totalmente rara e inusitada para o padrão brasileiro”, disse à DINHEIRO o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

    Silvio tomou a decisão de abrir mão de todo o seu patrimônio em pouquíssimo tempo, dando um exemplo para todo o Brasil. No dia 14 de setembro, ele foi informado pela diretoria de fiscalização do BC de que havia graves inconsistências nos balanços do PanAmericano – carteiras de crédito vendidas a outras instituições continuavam registradas nos livros do banco, fazendo parte do ativo.

    Dois dias depois, Silvio desembarcou em Brasília, para uma reunião emergencial com Meirelles. Soube que havia apenas duas alternativas: a capitalização do banco pelos acionistas controladores ou a intervenção do Banco Central, seguida de liquidação, o que teria consequências dramáticas não só para o empresário, que ficaria com os bens bloqueados, como para o próprio sistema financeiro.

    No dia 22 de setembro, Silvio voltou a Brasília, desta vez para uma reunião com o presidente Lula. Disse que buscaria uma saída rápida para o problema. Três semanas depois, em 13 de outubro, os técnicos do BC haviam chegado, finalmente, ao número do rombo do PanAmericano: inacreditáveis R$ 2,5 bilhões.

    Pela lei, Silvio teria 60 dias para apresentar um plano de recuperação ao BC. Mas, em apenas três semanas, ele chegou a um entendimento com Gabriel Jorge Ferreira, presidente do FGC e ex-chefe da Febraban. “A holding só recebeu os R$ 2,5 bilhões porque eu dei todos os meus bens como garantia”, disse Silvio, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

    “Atuo há 50 anos no sistema financeiro e nunca vi nada parecido”, reforçou Ferreira, do FGC. No processo de negociação, os dois se tornaram amigos e o presidente do FGC deu a Silvio uma cópia do filme “A felicidade não se compra”, um clássico de Frank Capra, rodado em 1946. A analogia com o clássico de Capra é dramaticamente apropriada.

    No filme, ambientado na Grande Depressão dos anos 30, nos EUA, o protagonista vivido por James Stewart herda uma instituição financeira. Na iminência da quebra de seu banco, ele decide distribuir seu próprio dinheiro entre os correntistas, demonstrando um incrível desprendimento em relação aos seus bens materiais – de certa forma, a mesma postura assumida por Silvio no momento em que comprometeu seu patrimônio pessoal para não deixar o banco quebrar e prejudicar os correntistas.

    Não se tem notícia de empresários que entregaram seus ativos pessoais para salvar bancos ou empresas. Mas Silvio já havia dado outras demonstrações de ser um homem de negócios diferenciado.

    Há anos, ele é o maior pagador de Imposto de Renda do País, embora não apareça nas listas dos dez mais ricos. O desapego pelo patrimônio pode ser fruto da própria história de vida de Silvio. Ao longo das últimas décadas, ele se tornou um exemplo de empreendedor, o homem que começa do zero e não se cansa de criar novos negócios, num permanente recomeçar. Se sempre foi assim, por que seria diferente agora?

    A solução, porém, não interessava apenas a Silvio. Em caso de quebra, o FGC teria de arcar com cerca de R$ 1,8 bilhão. Isso porque teria de bancar uma garantia de até R$ 60 mil para os depositantes e também já tinha o compromisso de assumir outros créditos do PanAmericano.

    No atual cenário, mesmo que se discuta se o patrimônio de Silvio dado como garantia vale ou não R$ 2,5 bilhões – o valor contábil é de R$ 2,7 bilhões –, a perda para o FGC deverá ser bem menor. Especialmente porque o empresário se comprometeu a lançar um ambicioso plano de vendas de ativos. “Se alguém vier aqui e pagar R$ 2,5 bilhões, leva o SBT”, declarou o apresentador. “Não precisa pagar nem para mim. Pode ser diretamente para o FGC”.

    Na quinta-feira 11, o bilionário Eike Batista, oitavo homem mais rico do mundo e dono de uma fortuna de US$ 27 bilhões, afirmou que é um candidato à compra do canal de televisão. “A gente olha tudo no Brasil”, disse Eike. Depois, ele negou o interesse, mas Eike é imprevisível.

    De todo modo, Santos terá como organizar, com um certo planejamento, sua recuperação empresarial. O empréstimo feito pelo FGC oferece boas condições. Além dos dez anos para pagamento, serão três de carência. A correção do empréstimo será feita pelo IGPM, o que representa um subsídio ao devedor – empresas de primeira linha no Brasil hoje captam pelo CDI, que é mais caro.

    Numa conta simples, levando em consideração as taxas do CDI e do IGPM nos últimos dez anos, é possível estimar um subsídio da ordem de R$ 5 bilhões no empréstimo tomado pelo dono do grupo SBT. Com os três anos de carência, ele terá tempo para vender com calma algumas de suas empresas. “Ele tem bons ativos e certamente encontrará interessados”, disse à DINHEIRO o presidente de um grande banco de investimentos.

    O próprio PanAmericano, capitalizado com os R$ 2,5 bilhões do FGC, tem tudo para ser o primeiro ativo negociado. No primeiro dia após o anúncio da crise, as ações do banco caíram quase 30%. Mas no dia seguinte, os papéis se valorizaram, na expectativa de que Silvio encontre um comprador – talvez a própria Caixa Econômica Federal, que já havia feito um aporte de R$ 739 milhões no banco, em troca de 49% das ações.

    Pelas cotações atuais, o PanAmericano teria um valor de mercado de R$ 1,2 bilhão. A corrida de depositantes, que, no primeiro dia após a crise, provocou saques de R$ 200 milhões, foi estancada. E todos os clientes que pediram o resgate de suas aplicações conseguiram reaver os recursos.

    “Depois do acordo com o FGC, o banco tem R$ 3,8 bilhões em caixa e está numa situação sólida. Isso garante qualquer resgate que venha a ocorrer”, disse à DINHEIRO Celso Antunes da Costa, novo diretor-superintendente do banco, indicado pela Caixa e pelo FGC.

    O certo é que Silvio poderá se desfazer de qualquer negócio, mas tentará fazer de tudo para preservar a joia de sua coroa: o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), cuja concessão foi ganha por ele no governo do general Ernesto Geisel. Com programas de auditório populares, Silvio construiu a segunda maior emissora do Brasil, mas o SBT, hoje, atravessa um momento difícil.

    Nos últimos anos, a audiência recuou e o canal perdeu o eterno segundo lugar para a Record, do bispo Edir Macedo. De acordo com dados do Ibope, a participação da Record é de 16,9%, enquanto a do SBT é de 13,2%. Apesar disso, o SBT é também estratégico porque é o motor que move todos os seus outros negócios.

    Vendedor nato: Silvio Santos, que começou como camelô, no Rio de Janeiro, desenvolveu a arte de comunicador e nunca perdeu o
    dom de vender. A televisão, muitas vezes, foi o instrumento utilizado por ele para vender outros produtos, como os carnês do Baú da Felicidade

    O Grupo Silvio Santos é formado por empresas que atuam em setores completamente distintos, de emissora de televisão a empresa de cosméticos, de lojas de varejo voltada para a classe C a hotel de luxo no Guarujá. A rigor, todos esses negócios orbitam ao redor do SBT, o único negócio que Silvio acompanha de perto.

    O patrão, como é conhecido nos corredores da emissora, usa o canal de televisão para alavancar suas outras empresas. A rede de lojas Baú Crediário, por exemplo, conta com um massivo plano de mídia e vinha ganhando destaque dentro do grupo. No ano passado, Silvio comprou a rede Dudony, do Paraná, com 110 lojas, fazendo com que a Baú Crediário fechasse o ano com 127 unidades.

    Outro negócio que tem gerado muita expectativa é o de cosméticos. Em 2006, foi criada a marca Jequiti para bater de frente com empresas de venda direta como Natura e Avon. Desde então, é a companhia que mais cresce dentro do conglomerado. Até setembro, já havia registrado uma alta de 130% sobre o mesmo período do ano passado e deve manter essa mesma média até o fim de 2010, fechando com faturamento de R$ 380 milhões. “Em 2013, vamos faturar R$ 1 bilhão”, disse à DINHEIRO, o diretor-superintendente e principal executivo da empresa, Lásaro do Carmo Junior.

    “Nada muda, a vida da Jequiti continua normal, assim como os planos de investimentos continuam de vento em popa”, diz, referindo-se à dívida do grupo. Não é bem assim. É vital para a companhia a permanência do SBT nas mãos de Silvio.

    Afinal, foi com a ajuda do SBT, que possui um programa com o nome da Roda a Roda Jequiti, no qual consultoras e clientes disputam prêmios, que a empresa multiplicou seu exército de vendedoras. Se, em 2006, contava com 4,1 mil consultoras, em 2009 possuía 117,9 mil e hoje está na casa das 160 mil vendedoras.

    As negociações em Brasília: no dia 22 de setembro, Silvio Santos comunicou ao presidente Lula os problemas no PanAmericano e disse que
    encontraria uma solução. Antes disso, a Caixa Econômica Federal, presidida por Maria Fernanda Coelho, havia feito um aporte de R$ 739 milhões

    A participação de Silvio no dia a dia da Jequiti reflete o estilo de gestão do apresentador/empresário. “O Silvio dá ideias de produtos e marketing, mas as decisões estratégicas da Jequiti estão sob minha responsabilidade. Tenho total autonomia”, afirma Carmo Júnior. A rigor, em um grupo grande como o de Silvio Santos, é bom que os funcionários tenham essa autonomia.

    Há um mantra no mundo corporativo que defende a profissionalização das empresas e a delegação de poderes. Mas, é bom salientar, o distanciamento excessivo do controlador também é prejudicial. E o próprio Silvio confirma que não olhava para as suas empresas como cuidava do SBT.

    “Ele pode ter criado um império, mas ele não é um homem de negócios”, diz um executivo que o conhece muito bem. “Na verdade, ele é um empreendedor. Sabe criar negócios, mas não sabe administrá-los.” Nessa seara, ele conta com a ajuda de profissionais.

    “Quando tenho dinheiro, abro uma empresa no Brasil. Mas não sou obrigado a ficar sabendo onde é a empresa”, diz Silvio. “Pago os profissionais e eles têm que me dar resultados. E, às vezes, falham. Desta vez, falhou.” Mora aí outro problema do grupo: a falta de foco. Por investir em setores totalmente diferentes, acaba não se concentrando em nenhum negócio como deveria.

    Silvio também é conhecido por seus rompantes de humor. Não é segredo nenhum as ocasiões em que ele mudou a programação do SBT sem consultar ninguém, de uma hora para a outra. Outro traço marcante de sua personalidade é o estilo peculiar de escolher as pessoas que trabalham para ele.

    Os colaboradores: Luiz Sandoval, acima, também começou como vendedor e foi o braço-direito de Silvio Santos nos últimos 40 anos.
    Rafael Palladino (à esq.) comandava o banco PanAmericano, mas não era um homem de mercado. E o banco gerou resultados artartificiais nos últimos anos

    “Silvio se cercou de pessoas que são leais a ele e têm histórias de vida parecidas com a dele”, diz o consultor. O presidente do grupo, Luiz Sebastião Sandoval, por exemplo, começou a carreira como engraxate, trabalha há 40 anos com o apresentador e preside o grupo há mais de 20 anos.

    Os parentes de Silvio também estão espalhados em posições estratégicas de suas empresas. Do conselho de administração, fazem parte sua filha Daniela Beyruti, o sobrinho Guilherme Stoliar, o irmão Henrique Abravanel, e o marido da prima de sua mulher, Iris Abravanel, Rafael Palladino. Este último era presidente do banco PanAmericano.

    O mercado financeiro não enxergava em Palladino um executivo preparado para comandar um banco. Formado em educação física pela USP, ele entrou na instituição em 1991 e, por empatia, rapidamente ganhou a confiança de Silvio. Até surgir o rombo de R$ 2,5 bilhões, o apresentador olhava para o PanAmericano como a sua galinha dos ovos de ouro.

    Em 2007, o Citibank tentou comprar o PanAmericano por R$ 1,5 bilhão. Silvio não aceitou vender e argumentou que a instituição era a mais lucrativa dentre todas as empresas de seu grupo. No ano passado, porém, o apresentador topou negociar com a Caixa Econômica Federal.

    No processo de compra, o banco estatal não identificou nenhuma irregularidade e muito menos Silvio desconfiou que algo estava errado. Ele acreditava piamente nos vistosos balanços inflados por Palladino e pelo diretor financeiro, Wilson Roberto Aro, que antes de ser demitidos blindaram seus patrimônios para não perder seu dinheiro.

    Os correntistas, por sua vez, apostavam no banco que tinha como sócios uma das pessoas mais famosas do País e a própria Caixa. Mais: enquanto o CDB do PanAmericano rendia 108% dos juros de mercado, algo como 11,6% ao ano, em um banco como o Bradesco e o Itaú, ele obteria 92% do CDI, cerca de 9,9% ao ano.

    Em um primeiro momento, a notícia da situação do banco causou pânico em alguns de seus clientes. Um correntista ouvido por DINHEIRO sacou R$ 1,5 milhão aplicados no CDB quando as notícias começaram a ser veiculadas. Aos poucos, com as garantias dadas por Silvio, o cenário foi melhorando. Na segunda-feira 8, as ações do PanAmericano listadas na Bovespa caíram 4%, na terça-feira 7%, na quarta 30% e, na quinta-feira 11, voltaram a subir, fechando o pregão com uma alta de 4%.

    A crise financeira de seu grupo não é a única questão que Silvio de terá de resolver nos próximos anos. Há uma enorme expectativa para saber quem vai sucedê-lo no comando dos negócios. Silvio possui seis filhas de dois casamentos diferentes e ainda não deu pistas nem mostrou interesse em dar início ao processo. “Ele acha que o SBT e tudo o que construiu não vivem sem ele”, diz uma pessoa próxima. No caso de Silvio, criador e criatura, definitivamente, se confundem.

  11. Há quase dez anos, fiz uma pequena reforma no meu apartamento e fui obrigada a usar o crédito do Panamericano, pois a loja não trabalhava com outros cartões. Tudo bem, fiz e paguei.
    No começo deste ano, janeiro, comecei a receber umas ligações de cobrança de quase mil reais. Foi emitido um cartão MC/Pan em meu nome e cpf, que não foi por mim solicitado e muito menos entregue em minha residência. Fui à uma das lojas deles, onde feita pesquisa pelo funcionário, nada constava de novo, apenas aquele financiamento de dez anos atrás e totalmente quitado e o meu endereço tinha sido alterado ; mudei para Campos e nem sabia. Tive um desgaste durante estes três meses passados, com meu nome em serviços de proteção ao crédito.Segundo a empresa de cobrança, eles estão verificando este caso de fraude. Quem sabe mais o que pode estar acontecendo por lá.

  12. O caso do Panamericano exemplifica o uso de problemas nas instituições para enriquecer especuladores. Era um banco minúsculo que sofreu um golpe não por parte de seus controladores, mas por executivos que existem iguais em praticamente todos os lugares neste país onde ser desonesto é certeza de ascenção social. Uma vez com problemas, a desculpa do “mercado” foi usada forçar sua venda a outra instituição financeira, mesmo com o controlador agindo de modo inédito no Brasil, empenhando TODO seu patrimônio para não prejudicar os acionistas.

    Naquela época se especulava que o grupo SS não teria geração de caixa suficiente para pagar os empréstimos feitos para salvar o banco, e que a quebra do banco levaria pânico ao sistema financeiro. Usaram de terrorismo puro e simples, porque se o próprio banco gerava caixa suficiente para manter suas operações irregulares à revelia do controlador, como é que não geraria depois?

    O caso foi encerrado com a venda do banco para outra instituição, com o grupo SS assumindo uma parte das dívidas.

    De qualquer modo, ficou visível nesse caso que ainda há homens honestos neste país.. um deles atende pelo apelido de Silvio Santos.

  13. Esses casos de bancos, está parecendo o “Inside Job”, passando na TV paga como “Trabalho Interno”, ” O Dia Antes do Fim” e o “Muito Grande para quebrar”. Todos sobre a crise iniciada em 2007 e ainda hoje forte no mundo.

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