Sobre a eleição no DCE da USP

Esta semana está havendo eleições para o DCE da USP. Das cinco chapas (todas de extrema-esquerda), apenas uma defende que decisões sejam tomadas por todos: a Reação (da qual faz parte o @flaviomorgen).

A eleição acontece depois de invasões, tumultos, pressões pela saída do reitor  e até golpe para permanecer no poder. Todos acompanhamos em maior ou menor proximidade os inúmeros  episódios lamentáveis que tentam transformar a USP não em universidade, mas em bunker político de partidos não exatamente afeitos à democracia, como PSTU, PSOL e PCO.

A votação começou ontem e vai até quinta-feira. No Reinaldo Azevedo, o testemunho de um votante, mostrando a truculência e a pressão psicológica dos grupos autoritários:

Neste primeiro  dia de votação, o procedimento adotado ao menos na FFLCH, foi uma vergonha. Os alunos estão sendo constrangidos a votar na frente dos representantes das legendas radicais (não vi ninguém da “Reação” por lá). O mesário entrega a cédula e levanta a urna; enquanto isso, os representantes ao redor ficam com os olhos fixos na mão do aluno. Como a  opção “Reação” é a última da cédula, mesmo que se proteja o papel com a  mão, eles percebem quem votou na legenda pelo simples fato de que a pessoa fez o seu risco ali na parte de baixo da cédula. O resultado é que várias pessoas, sentindo-se pressionadas, votam nas chapas radicais por puro medo. É evidente que deveria ter sido instalado um biombo para assegurar privacidade dos votantes. Trata-se de uma agressão inaceitável.

É claro que torço para que demais estudantes da USP se mobilizem e votem pelo fim dessa bandalheira. Aquela outra parte de alunos (a grande maioria silenciosa) que ocupa seu tempo em alçar a USP a uma das cem melhores universidades do mundo, um milagre em se tratando de Brasil.

Mas que dá medo, dá. Imaginar que uma parcela de pessoas tidas como universitárias agindo como traficantes em favelas.

Não quero – não quero porque me faz mal – falar de outros movimentos, extra-campus, que tentam provocar confrontos, vandalizam, pressionam e querem calar opiniões.

Só peço para que esse inferno astral de 31 de março passe, que esta semana passe. E que seja apenas isso – um inferno astral.

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12 comentários em “Sobre a eleição no DCE da USP”

  1. O nome disso é autoritarismo em estado puro. Se criticam as autoridades universitárias de autoritárias, o que não provaram, estão praticando algo pior e isto está comprovado.
    Por que não praticam o que, em tese, defendem? Notadamente a liberdade de expressão, de ir o vir, de estudar, sem pressões ou constrangimentos, a livre circulação das ideias?
    Pouco sei das chapas, mas como ex-universitário, dá para imaginar como seriam. Só que, depois de mais de 30 anos, algo deveria ter mudado. Ou seja, há ideias do século passado e práticas da Idade Média.

  2. Se me permitem…

    Morre Millôr Fernandes, um dos maiores ícones da ‘intelligentzia’ nacional.
    A perda é irreparável. Às vezes fico sem entender o tipo de parâmetro que a mãe natureza escolhe para fazer sua “seleção natural”!

    Que a certeza de missão cumprida lhe embale a alma, Millôr. Descanse em paz.

  3. Schu, o parâmetro de Deus é a velhice. Estou num treino – até agora relativamente bem-sucedido – de aceitar a condição humana, a morte, a decrepitude.

    Assim sendo, ainda devemos dar graças, pelo menos, pela contemporaneidade e pela longevidade relativa que teve o Millôr.

  4. Pois é, Lets. Acho que pessoas como Millôr são atemporais. Flutuam entre as Eras.
    Agora, se a morte lhe era inexorável, a decrepitude lhe virou as costas. A lucidez acompanhou-o até o último suspiro!

  5. Mas também tem aquela coisa:

    Para quê serve o DCE?

    Eu respondo:

    Para absolutamente NADA!

    Penso que para invadir campus e vandalizar patrimônio público, esses esquerdopatas dos diabos nem precisam de DCE, o fazem por serem criminosos mesmo,a única solução que lhes afeta, é borduna, processo e cadeia!

    De modo que façam essas eleições fraudadas… eu acho incrível que ainda tem estudante que vota nessas porcarias, no meu tempo de facu (há bastante tempo) eu me mantinha longe dessas pragas, já na época eram um bando de esquerdofrênicos bêbados e imprestáveis.

  6. Eles tomam conta independentemente do voto desde tempos imemoriais…nunca soube de eleição que esses porcarias não fraudaram… o DCE daí e os do resto do país são o lixo que são justamente por isso, são feudos de esquerdopatas!

  7. Eles entendem de democracia, liberdade de expressão e igualdade (racial, sexual, religiosa) dependendendo de que lado do balcão eles estão. Atualmente, como são “guverno”, há falta de tudo … Adaptando uma piadinha que saiu em um jornal pirata soviético:
    “O que aconteceria se o regime comunista resolvesse tomar conta do deserto do Saara?
    – Nos primeiros cinco anos, nada. Depois, haveria falta de areia.”

    Alguma semelhança com fatos atuais …??

  8. Ah, Fábio, mas uma hora tem de virar o jogo. Está ficando monótona essa história (que vem de muito antes do MEU tempo, por exemplo), de liderzinho de DCE pregando revolução em sala de aula e depois ser correspondente do Globo em Brasília…

    Maria Edi, meu pai acha que todo esses deveriam passar uma década de delícias em Cuba…

    Mas que ia faltar areia, ia. Uma das característias mais fantásticas do socialismo é lidar grosseiramente com economia (além da fixação por adquirir armamentos, é claro).

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