A cruz não é essencial

Ahá! Algo de relevante na discussão põe cruz/tira cruz (via @cardoso):

O bispo da Igreja Anglicana dom Rowan Williams declarou sua opinião sobre a recente polêmica envolvendo duas britânicas que foram impedidas por seus empregadores de usar uma cruz sobre o uniforme de trabalho, afirmando que uso da cruz por pessoas não é essencial para o cristianismo e se trata apenas de uma “decoração religiosa”. (continua)

Serve para os nossos casos, não?

Bem, eu não sei dizer qual é a taxa de religiosidade de cada um de acordo com a presença ou não de uma cruz na sua frente, mas, pelo que dá pra inferir de tudo o escrito na Bíblia, a crença cristã se finca em todo um racional de velho X novo, A.T. X N.T.,  justiça x misericórdia, legalismo x perdão, enfim…

Antes do Novo Testamento, o antigo: a lei. Depois, o reconhecimento do próprio pecado, o arrependimento, a lei do amor substituindo a Justiça Divina, e por fim a salvação em Jesus.

E onde entra a cruz nisso tudo?

Depende…

Ela nos serve para lembrar (porque volta e meia esquecemos?) que Cristo morreu pelos nossos pecados.

Há certas denominações, até, em que não há crucifixos. A cruz é lisa, indicando que Jesus não está mais lá: ressuscitou e intercede por nós diante da justiça divina (que não é bolinho e não pouparia ninguém).

Bem, concordo com o bispo: cruzes, escapulários, imagens, coisinhas, caixinhas de promessas, água benta, tudo isso serve (desculpem a opinião) para pessoas com baixa capacidade de abstração e alta probabilidade de começar a fazer cacas por aí se não estiver rodeada de avisos dourados.

E como nos impressionamos com indicativos visuais, não? Meu pai diz que um papa é um homem com uma roupa diferente… Destaque-se dos demais pela roupa e eles começarão a lhe ouvir.

Ontem no trânsito um carro com som à toda (um sambão), eu não tive outro jeito senão emparelhar e subir, humildemente, a janelinha do meu carro sem ar-cond. Na traseira do dito-cujo, um adesivo “Jesus is my Lord”.

Passei muito tempo da vida achando que se decidir por seguir uma religião exigia certa mudança de hábitos, mas fui convencida de que, não, o cara pode passar a vida barbarizando que, no final se se prostrar aos pés de Jesus e jurar arrependimento ele é salvo. Mas tem aquele negócio de “a fé sem obras é morta”, enfim, não sei comofaz.

Só não sabia desse negócio de “a fé sem ornamentos” também ser morta, e tal.

Tá, eu sei que todos os pecados serão perdoados àqueles que declararem sua fé no Senhor e que eu irei para o inferno por não ter adesivo nenhum.

Mas a discussão torna-se irrelevante se o outro lado – aqueles que não veem na cruz rigorosamente nada – começam a se ofender com ela.

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7 opiniões sobre “A cruz não é essencial”

  1. Sem entender e nem sem saber muito o que falar a respeito, creio que está havendo exageros de lado a lado. De um lado o laicismo exacerbado. De outro, a religiosidade cada vez mais saliente.

    Como estamos em mais um período eleitoral, é bom que ambos baixem o facho. Não apareçam com cruzes, rosários, persignações, ou atrapalhando trânsito e a circulação em calçadas etc. Ao menos isso. Bastam os santinhos com fotos de espantar qualquer fantasma.

    Parece que o fim do mundo foi adiado, para uns. Para outros ainda vai acabar. E há os que já estão armazenando água, óleo, açúcar e feijão com arroz.
    Vai que haja alguma necessidade quando as línguas de fogo descerem dos céus…

    Enquanto isso, o que estão valendo, mesmo, são cargos dos bão, cachação nos estádios, feriadão da Copa, Libertadores da América e o chato campeonato Paulista.
    Nesse ponto, mesmo os laicos gritarão…cruzes!!!

  2. Né? Vivemos uma epifania dos direitos e afirmações e paixões, e deixamos pra lá a possibilidade de privacidade, bom senso e – palavrinha antiga – responsabilidade social, que o povo jura que é só contribuir para o Teleton.

  3. A Cruz é somente um símbolo para aqueles que seguem a religião cristã. Para todos os efeitos representa intrinsecamente o Bem.
    Estranhamente muitos sentem-se mal diante de uma cruz. Talvez uma réstia de alho ou estaca de madeira também lhes cause repulsa.
    Pode ser que na parede de seus quartos tenham penduradas a suástica ou a foice-e-martelo! Aí, mizifio…

  4. Tô com o Luiz Schuwinski. O pesso tá mais é com medão do que a Cruz pode lhes lembrar. Medo de tocá-la e sua mão virar pó. De certa forma, a Cruz lembra a”eles” que eles estão indo por um caminho ruim. (Desculpem, é a minha opinião, só).

  5. Entonces, meus caros, é antagonismo, e não a neutralidade do ateísmo. Ao ateu, teoricamente, não lhe move qualquer símbolo.

    Por isso, muito estranho a sanha de tirar a cruz das vistas de “certos alguéns”. Incomoda?… Por quê?

  6. Um ponto essencial está sendo deixado de lado. Até para quem é ateu, a cruz é um símbolo de SACRIFÍCIO PESSOAL EM PROL DE UMA CAUSA – e peço perdão pelo CAPS LOCK, mas esse ponto não pode passar em branco.

    Todo ongueiro, militante, passeateiro e paradeiro do mundo tem que olhar a cruz com respeito e vê-la como modelo para si mesmo. A coisa é ainda mais séria se você não vê aquele cara ali como uma divindade: nesse caso, a visão do crucifixo é a visão de um homem que, por seus ideais, dispôs-se a tomar chicote no lombo e a morrer a mais dolorida das mortes pelo que ele achava certo.

    Ofender-se com a presença de uma cruz é apenas uma confissão de covardia moral, de incapacidade de admirar quem foi, sim, senhor, mais valente do que todos os seus heróis.

  7. Alexis, difícil, difícil… Pessoalmente acho que, se a cruz é um símbolo universal de valores, e valores positivos (e acho que é), e se faz parte das tradições de nosso país, deve permanecer onde bem se acordar, a bem da liberdade e da diversidade que consegue conviver em si mesma.

    Só fico pensando se, assim se estabelecendo, outras religiões, com valores igualmente positivos e de tradição no país, não poderão ter o direito de exibir seus valores. Aí é que a porca torce o rabo. Porque o mesmo que prega o direito da cruz provavelmente empacaria, por exemplo, em um local riscado com um “preconcebidamente ruim” ponto de umbanda, certo?

    Não creio que representações religiosas tenham algum poder mágico, como foi manifestado aqui. Se mágica há, está no ser humano em conseguir conviver com o Outro. Coisas que temos no Saara (RJ) e na Vinte e Cinco de Março, por exemplo. Na Bahia… Não acharia prudente botar tudo isso a perder.

    As considerações que você faz sobre os valores ateus que podem ser vistos na cruz são bem contundentes. O problema é combinar com os “novos ateus”, uma geração com alto poder de contestação, mas com conteúdo zero e necessidade enorme de afirmação. Talvez não tenham fé nem em si mesmos.

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