Vocação paulistana

“O sonho deles é ficar em São Paulo. Só aceitam empregos em outras cidades quando  não tem outro jeito.”

Quem diz isso não sou eu, mas o padre Paolo Panise, da Casa do Migrante, em São Paulo, mantida pela Igreja Nossa Senhora da  Paz, no Glicério (não confundir com a Hospedaria do Imigrante, no Brás. Ela já teve seu tempo e hoje é Museu da Imigração. E não confundir também com o abrigo promendigo do Padre Lancelotti).

O mesmo diz o padre Rutemarque Crispim, da Igreja de Nossa Senhora das Dores, em Brasileia, no Acre. Lá fazem a acolhida inicial da maneira que podem, mas a cidade, como é regra no Brasil, não tem estrutura para mantê-los. Por isso querem vir para São Paulo ou outras cidades mais desenvolvidas.

Você há de se perguntar: por que São Paulo (cidade/estado) não tem uma estrutura governamental para acolher e encaminhar essas pessoas?

Tenho comigo dois motivos. O primeiro se explica facilmente: o Brasil Estado não tem estrutura montada pra receber ninguém. Nunca teve. Fora a citada Hospedaria do Imigrante, que atendia a interesses bem específicos na virada do XIX para o XX… Eu não sei de outro caso, você sabe?

Segundo que São Paulo, sinto muito, não vai montar estrutura nenhuma pra receber gente de fora. Se sem estrutura alguma já recebemos o mundo inteiro ao longo das décadas, que dirá se houver algum incentivo? Vem quem queremos e quem não queremos.

Por-outro-ladíssimo, penso que deveríamos, sim, ter uma estrutura especial para ajudar a Igreja Nossa Senhora da  Paz no acolhimento aos haitianos. Por quê? Porque eles são especialmente valiosos para nós. Explico com outro trecho da matéria de O Globo:

Joseph Edoard, 25 anos, chegou ao Brasil em fevereiro de 2011 por Tabatinga,  no Amazonas. No Haiti, cursava o segundo ano de Contabilidade. Veio o terremoto,  a faculdade desmoronou. Joseph partiu.

Ficou 10 meses em Manaus. Fez curso, trabalhou como auxiliar de logística  numa indústria de plásticos e ganhava R$ 733 por mês. Juntou dinheiro e veio  para São Paulo, em busca de uma vida melhor.

Chegou no dia 29 de janeiro e agora trabalha como auxiliar de pedreiro para  erguer o prédio de uma faculdade na Zona Sul. Recebe R$ 910 por mês e ainda mora  na Casa do Migrante.

– Aqui tem muita possibilidade de cursos – diz Joseph, que acaba de se  inscrever num curso de pintor do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil  e sonha com uma vaga de engenharia na Universidade de São Paulo, ajudado por  ONGs de apoio humanitário.

Só no Sindicato pelo menos 30 já fizeram curso de especialização como  pedreiro, pintor ou azulejista.

– O brasileiro tira em média nota 6. O haitiano tira 9. Os haitianos são bem  preparados, têm mais escolaridade – conta Atevaldo Leitão, responsável pelos  cursos do sindicato.

– É impressionante o interesse deles. As empresas estão gostando, dizem que  são muito pontuais, assíduos e se empenham. Os haitianos precisam de emprego e  São Paulo precisa de mão de obra – afirma.

Que venham, então.

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13 opiniões sobre “Vocação paulistana”

  1. Opaaa!!!!!!!!!!!!
    “Querendo roubar o emprego que nunca teremos, porque somos toupeiras imperiais”.

    Estou torcendo pelos haitianos pra, daqui um tempo, neguinho reclamar do patrão ejijente…

  2. Como dizem os ‘portugas’: de facto!

    Olha, não vindo da Jamaica ou da Somália, serão todos bem-vindos. Ex-colônias portuguesas com restrições.

  3. E ai está a prova de quem precisava ser salvo seria a educação brasileira.
    Para contrapor-se à chegada do EUA que aportaram um porta-aviões, fizeram o aeroporto funcionar, descarregaram toneladas de alimentos e remédios, levaram milhares de crianças para adoção nos EUA, trouxeram centenas de hospitais de campanha equipados e médicos etc. os nossos ficaram por perto entregando garrafinhas de água. Não é pouco, dado a penúria, mas um nada perto da empáfia.
    Mesmo assim o presidente brasileiro de então, disse que o Brasil salvaria o Haiti.
    Está ai quem precisaria ser salvo de tanta demagogia: o haitiano tira melhores notas e vai melhor nos cursos.
    E o Brasil disse que tinha ministério da Educação.

  4. O Brasil queria “salvar” o Haiti mas é verdade, quem fez alguma coisa por aquela gente foram os yankees-capitalistas-endemoniados norte americanos, enquanto os brasileiros, liderados por seu governo de medíocres populistas esquerdopatas serviram de polícia de luxo e fornecedores de garrafas de água mineral.

    Quisesse mesmo o Brasil ajudar aquela gente, teria mandado técnicos a EMBRAPA para iniciar uma cultura por exemplo, de cana-de-açúcar naquelas terras devastadas, mas para quê? Negócio é culturar e admirar a miséria, é ela que mantém esquerdopatas no poder!

  5. Dawran, da Jamaica os caras já viriam “viajando” na canabis. Não conseguiriam nem descer do navio. Quanto mais trabalhar.
    No que diz respeito à Somália, a pirataria grassa e domina o país.
    Ex- colônias portuguesas ainda não se recuperaram de suas guerras internas.
    Refugiados temos aos magotes, de vários grotões brasileiros. Os ‘nossos’ são prioritários.

  6. OK. Não sei se sabe se os jamaicanos perderiam muito para os daqui mesmo, em termo de fumaça.
    A Somália, já não dá para dizer ser um país, nos moldes tradicionais. Parece não haver um governo central reconhecido pelos locais da forma como entendemos aqui.
    Por isso sempre foi colocado aqui: se organizar, dá para receber e aproveitar as capacidades.
    Se ficar só na base do sentimentalismo, que vão resolver a “fome da África” e “salvar o Haiti”, como disse o ex-presidente.
    O problema é faltarão África e Haiti para tanta demagogia.

  7. Pois é, Leticia.
    Agora, o governo está empenhado em resolver a crise na Europa em geral e na Zona do euro em particular. A tese é “tsunami financeiro”. os europeus devem estar morrendo rir.
    Aliás, quantos europeus estão entrando aqui só com a mochila e um diploma em Oxbridge?…hehehehe…
    Sabe-se lá se louros de olhos azuis serão colocados em caldeirões com cebola, alho, cheiro verde, cenouras e batatas…

  8. Falaram ai acima em bater em haitiano?
    Olha, perigas de ser coisa pior, viu?

    Aconteceu com os nigerianos, que eram proibidos de utilizar sanitários de bares no centro da Cidade.

    Se organizar, dá certo. Se deixarem ao darás e dane-se, será um bagunça.

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