Nem um pio sobre o SUS em São Paulo

Por esses dias saiu um índice chamado IDSUS, que passará a ser feito de três em três anos pra medir acessibilidade e qualidade da estrutura do SUS em todo o Brasil. Boa iniciativa do governo federal – sejamos justos.

É um calhamaço de números. Mas o que chamou a atenção mesmo foi que, contrariando a tradição oportunista nesse tipo de pesquisa, não encontrei na imprensa um “isso” sequer sobre o SUS em São Paulo.

Pelo que andei vendo, vários estados fizeram uma espécie de mea culpa, travestindo de “desafio” o que lhe falta por incompetência mesmo.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, desfez do estudo – ahnnnn! – porque sua cidade ficou na pior colocação entre as metrópoles.

Mas, no geral, é aquilo que sabemos (do Estadão):

Do total de 5.633 municípios, apenas 6 (ou 0,1%) registraram índice igual ou superior a 8, e 341 (ou 6,1%) tiveram índice entre 7 e 7,9. Somente esses 347 municípios, todos localizados nas Regiões Sul e Sudeste e nos quais vive 1,9% da população do País, podem ser considerados bem atendidos pelo sistema de saúde pública. Na outra ponta da classificação, com nota entre 0 e 4,9, estão 1.150 municípios (20,7% do total), que abrigam 27,1% da população do País. No meio (nota entre 5 e 6,9) estão os demais municípios.

O ranking permite, é claro, saber que a cidade de Arco-Íris, em SP, é a melhor colocada, e Pilão Arcado, na Bahia, é a pior. Mas o estudo tem o bom senso de dividir os municípios em grupos: não posso comparar São Paulo, por exemplo, com uma cidadezinha fofa do interior de algum estado da Região Sudeste ou Sul.

Arriscaria até a dizer que o mérito de Arco-Íris é dela, e os problemas de Pilão Arcado pertencem ao estado, ao way of life, ao jeitão secular de governar a região.

Lá no estudo estão todos os números. São Paulo até que se sai muitíssimo bem, já que suas administrações têm o desafio (agora uso a palavra) de recomeçar a pensar a cobertura e a qualidade diariamente, porque a cidade não para de crescer nunca. O crescimento pode até ter desacelerado, mas ainda existe, existirá e é um problemão.

Mas é bom lembrar que esses números correspondem apenas à cobertura do SUS. Não inclui a qualidade das iniciativas hospitalares do próprio estado, muito menos o acesso (muitas vezes popular) a exames e consultas particulares na cidade.

Também é justo apontar que boa parte da agenda dos ótimos médicos que atuam na capital, em seus consutórios particulares, é voltada para o SUS.

O índice poderia ser melhor ainda se governantes de outras cidades se abstivessem de se enfiar nos nossos melhores leitos a cada dor de barriga.

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5 comentários em “Nem um pio sobre o SUS em São Paulo”

  1. Ô Bola Sete: dê um pulo lá no Sírio e peça satisfações a seu ídolo cefalópode.
    Aquele que bradava aos quatro ventos que o Sistema de Saúde brasileiro era quase perfeito!
    Já que você e sua vizinha estão pagando a conta do molusco como contribuintes, exijam o mesmo tratamento para ela. Nada mais justo. Ok?

  2. pinduca, e a solidariedade tão decantada? Por que ficar esperando algo de um governo de um lugar ruim, que alguém faça alguma coisa, não é?
    Como é mesmo que diziam: mete a mão na massa e resolva!!!
    E rápido que a fratura ocorreu anteontem…

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