Os cafonas e a tortura dos números

Bem, isso já dava pra perceber, mas não custa pegar a análise do Reinaldo Azevedo sobre os números de ontem do Datafolha, que está fazendo os petistas desafiarem as leis da física e subir pelas paredes. Trechos:

Lá no título, deixo claro que vou escrever sobre o que defini como “a pergunta que o Datafolha não fez”. Bem, se a fez, ao menos não publicou. O instituto indaga: “Você sabia que Serra deixou a prefeitura em 2006, menos de dois anos após ser eleito, para de candidatar ao governo de SP?”

Este “menos de dois anos depois” não acrescenta informação nova nenhuma; serve apenas para convocar o entrevistado para se escandalizar. Resposta: 76% disseram que sabiam; 19%, que não sabiam; e 5% não souberam responder. Bem, não deixa de haver um dado positivo para Serra aí: a esmagadora maioria do eleitorado tem consciência do fato. Muito bem, em seguida, pergunta o Datafolha: “Você acha que ele agiu mal, bem ou não sabe?” Para 66%, agiu mal; para 26%, bem; 7% não souberam responder. O Datafolha achou que era pouco e se mostrou ainda mais curioso: “Caso Serra seja eleito prefeito, você acha que ele vai se afastar em 2014 para concorrer à Presidência? Resultado: sim; 66%; não: 24%; não sabe: 10%.

Mauro Paulino, o diretor-geral do Datafolha, que me perdoe, mas ele está produzindo números para os adversários de Serra. Que tal, Paulino, esta pergunta: “Você sabia que Serra deixou a Prefeitura em 2004, menos de dois anos após ser eleito, para impedir a vitória de um candidato do PT ao governo de São Paulo? Você acha que agiu bem, mal ou não sabe responder?” Alguém dirá: “Mas essa é uma pergunta muito serrista!”  Sei… E a feita pelo Datafolha? Não é muito anti-serrista?

[…] Ora, essa história de Serra ter deixado a  Prefeitura é, obviamente, uma pauta dos seus adversários. Fica até parecendo que deixou o cargo para ir até a esquina. Não! Candidatou-se
ao governo de São Paulo e venceu no primeiro turno — inclusive na cidade. É claro que os jornalistas de Mercadante e alguns de seus parentes queriam que Serra tivesse ficado na Prefeitura em 2006… Sim, é evidente que esse é um flanco que vai ser atacado pelos adversários. Mas cadê o flanco dos demais?

Nessas, recorro a outro post de RA, dias atrás, sobre a ampla prática de deixar cargos para se candidatar a alguma coisa. No Brasil inteiro isso é praticado á larga. Quando é com Serra, vira crime:

Digam-me cá: quando um parlamentar (vereador, deputado estadual, deputado federal ou senador) pede licença para exercer um cargo no Executivo ou mesmo para se candidatar a cargo executivo, estaria ele “traindo” o eleitor? Tenham paciência! E olhem que, no caso de ser nomeado para um cargo, o povo não opina! A decisão é só dele e de quem o convidou.

Ficou mais que demonstrado que Serra o fez com a anuência da população: foi eleito governador em primeiro turno. Mais que isso, fica difícil explicar. O resto, é como o jornalista falou: Coisa mais cafona! Mais chata! Mais autoritária!

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6 opiniões sobre “Os cafonas e a tortura dos números”

  1. Isso ai é só parte da artilharia contra tudo o que não favoreça o governo em São Paulo. Ao que passa, por suposto, é que a pergunta da pesquisa teve, claramente, o condão de “rememorar” que o possível candidato deixou certo cargo, como se isso fosse um grande disparate. Oras, poderia perguntar sobre todos os demais candidatos, exatamente a mesma coisa ou algo assemelhado. Por exemplo, sobre o candidato do governo federal poderia perguntar se o entrevistado sabia que o citado candidato do PT foi responsável por um grande fracasso no Enem e na Educação no oito anos em foi ministro. Se tivesse perguntado algo assim, seria alvo de grandes pressões, não é? Mas como é o pescoço de outro que coloca na guilhotina, tudo bem.

  2. Eu concordo bastante com a “teoria dos terços” do Reinaldo. Mas, com base nos últimos números das eleições, eu arrisco a colocar a hipótese de que a curva do antipetismo é ascendente me SP. Veremos nesta eleição em SP se a tendência de alta do antipetismo em terras paulistas vai se confirmar de modo irreversível.

    Lula, que não é burro, já percebeu isso e tentou por na roda a alternativa PT/PSD. Serra, que para alguns parece antipático, mas que é hábil e astuto político, articulou uma contra-ofensiva que está se mostrando efetiva, com bons resultados.

    Enfim, Lula, por experiência própria, sabe que SP é uma espécie de Oráculo de Delfos para o rumo político que depois se espraia pelo país. Afinal, não foi a partir daqui que o petismo ganhou projeção nacional? Não foi a partir daqui que se anunciou os estertores da ditadura militar na segunda metade dos anos 70?

    O petismo joga uma partida decisiva nas eleições municipais de SP. Os prognósticos são tão ruins para eles que resolveram de última hora “mexer no time”, tirando o Crivela do banco.

    Eu sou um observador e palpiteiro, e dou muita risada com o que vejo. É isso ai, petistas. Aqui, vocês estão lascados. Vão ter de rebolar para virar o jogo. Qual a única alternativa de vocês? Rezar por um milagre ou para que a conhecida incompetência da oposição lhes ajude na empreitada. Invoquem São Lula, ativem o “franciscanismo” político do “é dando que se recebe” porque o vosso candidato é uma merda. Periga não passar para o segundo turno.

  3. Né, Dawran? Não tem candidato em SP que não tenha um aposto explicativo básico: Haddad, que não soube fazer o Enem. Netinho, que bateu na mulher; Soninha, que defende a maconha; Celso Russomano, ligado ao malufismo genérico; e por aí vai. Opção do Datafolha escolher o Serra com algo que a cidade nem tchuns.

    Paulo, cabô de vez aquela coisica tão presente nos anos 80 de que o PT resolveria tudo, não? Atingiu o auge com Erundina, foi o máximo que deu, acho eu. Com Marta foi mais contra o malufismo do que a favor dela. Restava algum respeito à família, que hoje se esvaiu.

    E essa questão dos três terços é bem presente, creio, por causa da divisão social da cidade. Os ricões (nós, huá huá huá!), que moramos na urbe-urbe mesmo: todo mundo é tucano. A perifona, obviamente sem os equipamentos centrais, e que por isso mesmo está sujeita aos oportunistas apocalípticos desde os anos 70/80. E aquele povo do meio, meio perto/meio longe, sempre mal informado e sempre oscilando.

    Também acho que o PT está perdendo o terreno. Os equipamentos estão, devagarinho, chegando mais longe. Eu acharia isso muito bom se a cidade parasse de crescer. Contra todos os prognósticos e pesquisas, não parou.

    Estou aqui, remando no mesmo trabalho há duas semanas, atualizando o Censo por regiões da cidade. Contrapondo o n. de habitantes de 2000 com os de 2010. Raríssimos bairros regrediram de demografia. A imensa maioria aumentou. Principalmente nas periferias.

    Daí eu chego na minha teoria de sempre: quanto mais SP melhora, quanto mais postinho de saúde, escola e metrô inventam, mais gente vem pra cá. Nada de xenofobia. Eu faria o mesmo.

    Não vai acomodar é nunca. No dia em que zerarmos a região nordeste, ainda estaremos lidando com o tamanho da jaca. Porque há os de fora tb. Já foram tantos, hoje são haitianos (que bom!).

    Amanhã?

  4. Os PTelhos estão apavorados! A perspectiva de perder DEFINITIVAMENTE a cidade que viu nascer o sindicalismo pelego, donde brotou Lulla e asseclas, com certeza lhes tira o sono.

    Serra tem que assumir sua candidatura pra valer, passando ao eleitorado a confiança de não vê-lo mudar de rumo a posteriori.
    Agindo assim, será imbatível.

    Na entrevista a Boris Casoy, Serra disse que seu vice terá que ter ‘densidade eleitoral’.
    Ele quis dizer o quê, com isso? Para onde ou para quem foi endereçado o recado?
    Aguardemos…

  5. Densidade eleitoral. O termo da moda. Quem será esse aquinhoado denso de eleitorabilidade? Tem cada uma.

    Oras, a maior densidade chama-se unidade partidária, militância esclarecida e municiada de material, alianças bem feitas, dentre outras coisas que não podem faltar nas campanhas.
    O apelo eleitoral existe, o que mostrar existe. Então, que vão lá.

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