Estação de Tratamento. Conhece?

Falando em atraso das obras da Copa, eu estava lendo esse lance de limpar todas as praias do Rio até 2014 (e, claro, depois descansar por mais 150 anos).

Ué, não é no Rio que até hoje existem praias tão lindas, cheias de luz, nenhuma tem os encantos que tu possuis?

O que eu sabia era de um “emissário submarino” que leva a cocozada de Ipanema lá pra longe, e depois o mar traz de volta pra servir de tratamento de beleza orgânico aos orgulhosos banhistas – a lama da juventude.

Diz a matéria de O Globo (aqui) que vão fazer um cinturão para coleta de esgoto junto às saídas do Canal do Jardim de Alah, par example. Ao todo, serão R$ 150 milhões gastos na limpeza.

Vai que no Rio o buraco é mais embaixo, mas toda essa dinheirama não dava pra fazer uma estação de tratamento de esgoto? Lá mesmo, em alto-mar, numa chata semelhante à dos fogos de reveillon?

Outra coisa que não entendi é essa história de “sobretudo da Cruzada São Sebastião”. Aqui:

“Em Ipanema, até dezembro, vamos tirar mais de 90% de toda poluição que chega ao Canal do Jardim de Alah, sobretudo a que vem da comunidade Cruzada São Sebastião (Leblon) e, por outro lado, a que vem, através de um coletor, com águas contaminadas do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho”, afirmou, em nota, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc.

Então, deixa ver: a Cruzada São Sebastião é coisa de dom Heldêr Câmara, que lá pelos anos 50 bolou um conjunto habitacioné na esperança de acabar com as favelas do Rio, o coitado… Gente diferenciada aportou por lá, e o povo reclamou. O que eu não sabia é que os prédios da CSS despejam seus dejetos direto no canal do Jardim de Alá, num ponto equidistante entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e a praia do Leblon.

Mas encasquetei com esse “sobretudo” do ex-ministro. Se é sobretudo, é porque há outros lugares que também encaminham seus totôs para o Jardim de Alá. Então por que a ênfase na Cruzada? Por que a ênfase nas favelas?

Não serão o Leblon, Copacabana e Ipanema imensas favelas, com milhares de humanos fazendo cocô ao mesmo tempo e despejando tudo na lagoa e no mar? Pra onde vai a maior parte do esgoto, então?

Enfim, tô achando que o cocô dos pobres é mais malcheiroso que o dos ricos. Só palpite.

  • Fotinho photoshopada do Leblão: tudo muito repintadinho, inxcrusível o mar.
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14 opiniões sobre “Estação de Tratamento. Conhece?”

  1. Lets, rindo aqui, porque coincidentemente escrevi sobre esse indefectível “emissário” há alguns anos. Se não me engano foi lá pras bandas do extinto NoMínimo!

    O “emissário” não passa de um imenso e quilométrico canal excretor, sem um esfíncter salvador que lhe interrompa a diarréia diuturna.
    Por tratamento deveria passar quem “idealizou” transformar o mar em cloaca. Sem contar que deveria estar ciente que há o eterno fluxo e refluxo das marés.
    E tem gente que acha aquela sopa de coliformes fecais uma maravilha!
    Alguém pode alegar: – “Well, pra quem vive na merda…”!

  2. O que é mais engraçado é que a solução do emissário foi usada no bairro “dus rico”… o pessoal que arrota grosso, anda de SUV branca importada, vive repetindo o “você sabe com quem está falando?”, mas toma banho de mar na maior m…

    …prova de que pelo menos no que diz respeito à m… o Brasil é democrático!

  3. Aqui em Salvador, é a mesma CLOACA. Praias maravilhosas com um potencial de banhos deliciosos transformadas em verdadeiras cloacas da poluição e da porcalhada, fora os rios transformados em canais(e (in)convenientemente “enterrados” em concreto, dando lugar à “praças”, bem em cima dos rios. “Soluções típicas de gente incompetente.

  4. Fábio, Schu e Morena Flor, a cloaquice é geral nas orlas brasileiras. Outro dia andei uns bons quilômetros de praia, aos saltos: a cada casa, uma língua negra. Eu acho que nem em praias com algumas mansões deveria haver esgoto jogado no mar. Se a elite econômica do país pensa assim, imagina o resto!

    No litoral paulista, parece que só as maiores cidades fazem algo. Mesmo assim, é só controle. Pelo menos avisam o banhista. Culpa também dos particulares. Qual o motivo de um condomínio, por exemplo, mandar cocô pro mar se pode usar a rede de esgotos da Sabesp existente?

    De qualquer forma, não fui eu quem inventei o ufanismo praieiro carioca. Sendo a cidade mais bonita do mundo, deveriam ter o esgoto como ponto de honra. Aliás, o Rio tem a topografia mais bonita do mundo. Como cidade, é como outra qualquer do Brasil.

  5. Esse problema dos dejetos está em todos os lugares. Inventam nomes, mas, continuam fazendo os famosos pé na areia, com emissários para o mar? Interessante, isso lembrar que, não faz muito tempo, o retorno do que o emissário jogava, retornava mais forte, por marés e ondas nas prais do Rio de Janeiro. Ai, deram o nome de maré vermelha para o troço, sem trocadilho, por suposto. Na ECO-92, dez anos atrás, se não falha a memória, rasparam as areias de certas praias do Rio de Janeiro e jogaram em alto mar. Agora, vão dar uns tapinhas e acolá. Mas, de rede de esgoto, estações de tratamento, como partes de um plano de infraestrutura, ninguém fala. A cada evento, um flash…hehehehe…

  6. A questão é que muita gente acaba ligando esgoto na rede de águas pluviais. Então, como no caso do Rio, existe rede de esgoto, existe o emissário (melhor que nada) mas tem gente q

  7. A questão é que muita gente acaba ligando esgoto na rede de águas pluviais. Então, como no caso do Rio, existe rede de esgoto, existe o emissário (melhor que nada) mas tem gente cujo cocô está indo para o cano errado.

    Isso existe no RJ, Sp, no Brasil inteiro. So nao existe em alguns lugares nos EUA, porque o cano é o mesmo, o da chuva e do cocô, e provavelmente, na Suiça.

  8. pinduca, o que resolve isso, no Brasil, que é onde, por suposto, mora gente, mais de 190 milhões, é infraestrutura, saneamento básico. Se continuarem a fazer elevadores e bondinhos em morros e não infraestrutura para água e esgoto, nada será resolvido. Enquanto aglomerações irregulares, favelas, continuarem a ser protegidas, inclusive em cima de mananciais de água doce, nada será resolvido. Lembrando sempre que é do Brasil que se fala.

  9. Se vocês soubessem o perrengue que passei no litoral (de SP) semana passada… Tá certo que não pensei nas marés, mas também os ricos não precisavam entotozar as pedras da orla, não?

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