Andrea Matarazzo e a Pompée

Bonitinho o artigo de Andrea Matarazzo saído no Diário de São Paulo e reproduzido em seu blog. Aqui, na íntegra, com colchetes meus:

Poucos bairros de São Paulo são tão ecléticos em sua história quanto [a] Pompeia. Talvez por isso, seja o mais representativo da identidade paulistana em sua arquitetura, monumentos, recantos e marcos culturais.

O bairro surgiu como um loteamento de chácaras, e em pouco mais de 100 anos tornou-se o motor do desenvolvimento industrial de São Paulo e o palco para o surgimento de um dos movimentos mais importantes do rock nacional. Hoje, vive o dilema da verticalização, com a transformação de suas vilas em edifícios.

A Vila Pompeia, como é registrada oficialmente, foi por muito tempo o coração da indústria paulista – e brasileira – , concentrando tanto as fábricas quanto os trabalhadores, que vinham de toda a parte do mundo em busca de emprego. A planta fabril mais marcante da região, na divisa entre Pompeia, Barra Funda e Água Branca, é a das Indústrias Reunidas Fábricas [Francisco] Matarazzo, com suas três imponentes chaminés. Em 1986, o conjunto, considerado singular por sua autossuficiência, foi tombado pelo Condephaat. Não muito longe dali, já entre Pompeia e Lapa, a fábrica Petybon perfumava as ruas da região com cheiro de biscoito, uma lembrança indescritível [eu peguei o finzinho quando morava na Lapa; o cheiro enjoava].

A presença da indústria no bairro provocou também sua ocupação pelos operários, grande parte imigrantes europeus, em dezenas de vilas com sobrados geminados. Se na época da industrialização brasileira eram consideradas casas para famílias simples, hoje são disputadíssimas na metrópole paulistana e alvo constante de especulação imobiliária. As que resistem na Vila Pompeia preservam um clima de tranquilidade raro na cidade de São Paulo. Guardam, também, suas próprias histórias.

Na garagem de uma destas casas, na rua Venâncio Aires, o Brasil viu nascer na década de 1960 um jeito diferente de fazer rock’n’roll, com o surgimento da banda Os Mutantes. Ainda hoje cultuado no Brasil e no exterior, o grupo que revelou Rita Lee unia a paixão pelas guitarras a experimentações com ritmos brasileiros. Este lado cultural do bairro continua presente na programação do Sesc Pompeia que, construído nos galpões de uma das antigas fábricas da região sob projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, reúne memória e presente de maneira exemplar.

A Pompeia tem uma característica que me causa espécie desde pequena: os nomes das ruas da Vila Romana, todos ligados à história romana e um bom caso, a meu ver, de abrangência/quantidade temática. Tentarei reproduzi-los aqui:

Rua Aurélia,  rua Caio Graco, rua Camilo, rua Catão, rua Claudio, rua Clélia, rua Coriolano, praça Cornélia, rua Crasso, rua Diana,  rua Duílio, rua Espártaco, rua Fábia,  rua Faustolo, rua Marcelina, rua Marco Aurélio, rua Mário, avenida Pompeia, rua Roma, rua Scipião, rua Tibério, rua Tito, rua Trajano e rua Vespasiano.

Se esqueci de algum…

São ruas que não me confundem, e por onde ando segura e certeira. O mesmo não posso dizer de um miolinho lá perto, já chegando na avenida Pompeia, em que uma meia dúzia de homenagens desplanejadas resolveu atormentar minha cabeça: rua Augusto de Miranda, rua Miranda de Azevedo (perto da rua Francisco Azevedo) e rua José Tavares de Miranda (perto da Tavares Bastos).

Sinceramente, não dá.

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13 opiniões sobre “Andrea Matarazzo e a Pompée”

  1. Uma coisa é certa, e já se comprovou em vários lugares, inclusive Curitiba.

    Quem conhece a história da cidade, conhece a cidade. E se conhece a cidade, conhece seus problemas, suas carências, suas necessidades.

    E se sabe tudo isso, acaba bom prefeito, se for o caso dele ser candidato.

    Em Curitiba tivemos vários assim, nos tempos em que a cidade era um bom exemplo de urbanismo (não é mais): Jaime Lerner, Ivo Arzua, Saul Raiz, Raphael Greca… mas perdeu-se com os políticos demais e cidadãos de menos a saber: Roberto Requião, Beto Richa e Cássio Taniguchi.

  2. E se não conhece tudo, dado o tamanho de SP, procura conhecer. Não quero nem pensar no desastre de um cara que, pelo jeito, insiste em corredores de ônibus. Já está dando toda a pinta de que iria virar as costas pro Metrô, como sua ex-chefe fez.

    Aí, dá-lhe reclamação de atraso nas obras – tudo culpa dos tucanos, é claro.

  3. O maior problema das cidades – não importa o tamanho – é a famosa “solução de continuidade”.
    Como a maioria dos gestores municipais é política, as obras iniciadas numa administração anterior quase nunca têm sua complementação assegurada. A não ser que o atual seja do mesmo partido.

    Agora, conhecer a cidade é condição sine qua non. É ponto pacífico.
    Isto posto, Andrea larga na frente. Com certeza.

  4. Fala, Tambosi!…

    Em que rua da Pompée você morou?

    Schu, a não ser também que a gestão seguinte tenha responsabilidade. Como foi com Serra: consertou a merdinha que Marta fez no túnel Rebouças, obra-prima de engenharia petista que alagava. Terminou a Ponte Estaiada, que não era exatamente o melhor projeto, mas terminou, senão ficava mais caro. Deu prosseguimento aos CEUs, não da maneira faraônica e caríssima de dona Marta, mas fez inúmeros outros, que hoje abriga shows dos melhores nomes da música.

    Agora, amigo, incrementar corredor de ônibus é retardamento mental. Haddad que fique batendo nesta tecla até cansar.

    Já pensou, com os 30% do Datafolha do Serra, se juntasse a isso a vice-prefeitura com Andrea Matarazzo? Phyno seria. E com essa, Tripoli e Aníbal, que são ótimos mas não dão pra cadidaturas, poderiam aproveitar e parar a quizumba, não?

  5. Exato, Lets. Como já comentei aqui, a dobradinha Serra – Matarazzo é imbatível!
    Segundo a pesquisa, Haddad está com 3%!!! Mesmo com apoio explícito de Lulla e Dilma! O cara é muito ruim. Sem chance. A petralhada está em polvorosa.

  6. Tá cedo ainda, é certo. A única coisa que tenho certeza que permanece é a rejeição a Netinho de Paula. Você ouve o nome dele e pensa logo da mulher-panda. E olha que ele é um dos mais conhecidos, hein?

    Mas diz que os petistas estão desesperados. Há até um movimento “volta, Marta!”, que é automaticamente lembrada pelo “é casado? Tem filhos?”

    Falta de quadros é é um perrengue!

  7. Quando ia a algum show no Olimpia, sabia que estava próximo exatamente pelo cheiro de biscoito. Como era bem jovem e morador do ABC não conhecia quase nada por ali. Só agora fiquei sabendo qual a fábrica responsável. E também não sabia sobre os significados dos nomes na Vila Romana. Flanela além de diversão é cultura, hehe.

    Bom, mas o que diria Fernando Haddad sobre os bairros Água Funda e Barra Branca?

  8. Claudio, parece que era um loteador italiano, fissurado no tema. E põe antiguidade nisso! Já no tempo do meu pai era tudo assim. Minha tia nasceu na Tavares Bastos – onde hoje é um quilinho -, meu pai fez tiro de guerra no Palmeiras – mas fez direito!!! Era obrigado a subir a Pompeia toda e se embrenhar pra depois da Igreja do Rosário, aqui pros lados do que hoje é a Heitor Penteado. Era tudo mato, coitado! E ainda chegava em casa imundo de lama, agachado, contornando a casa pra não ter de bater continência pra um superior, primo da minha avó, quando o cara vinha visitar meus avós.

  9. Bom, quem conhece a Cidade sabe que não dá para aventureiros lançarem mãos. Nunca deu certo e nunca dará. Quanto às obras, após a LRF, que passou a vigorar desde o ano 2000, as obras iniciadas em dado período deve ser concluída ou continuada no período seguinte. Foi assim com o Fura Fila, com os CEUs, por exemplo. Contudo, dado a necessidade de maiores aportes de recursos, o Fura Fila, por exemplo, teve o nome alterado e desacelerado na gestão Marta e concluído na gestão Serra/Kassab. Os CEUs, foram continuado com o mesmo nome e expandidos. Já o nome de ruas, tem casos que desplante seria designação até leve.

  10. Eu sou pela sabatina. Esse livro que estou murrinhando vem bem a calhar. Todos os homens de bem da cidade o consultam, hehe!

    O mais chato e que eu o fiz em tempos passados e estou refazendo. Quando pinta dúvida, ou necessidade de atualização, você joga na net e o que vê? O mesmo texto, reproduzido ad nauseam e, claro, devidamente chupado para a Wikipedia. É jgo duro achar algo mais consistente. Estou cansada por hoje. Vou é caminhar.

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