Via Tranchesi, um pouco de Gloria Kalil

Meu irmão me manda texto d’hoje de Gloria Kalil:

Eliana Tranchesi, uma das melhores comerciantes que este país já teve.

Olha, eu entendo o ponto de vista da Kalil. Mesmo. Lá no mundico dela. Só que não dá pra concordar, não, lamento.

O fato de Eliana Tranchesi ter sido “a melhor comerciante…”, dando total, customizada  e “diferenciada” atenção a suas clientes (também, né? Queria ver nos Armarinhos Fernando em véspera de volta às aulas), não a torna boa empresária. No sentido das responsabilidades sociais.

O fato de todo brasileiro ser talhado para o rolinho não suaviza o fato de Tranchesi ter entrado firme e confiante na sonegação de impostos.

O fato de boa parte das mães de família brasileiras irem aos EUA para comprar roupa e enfiarem tênis em lugares insuspeitáveis pra passar na alfândega não torna a Tranchesi mais bacana.

E, enfim, o triste fato de Eliana Tranchesi ter falecido hoje depois de longo sofrimento não edulcora seu currículo.

Entendo que a corrupção e a má postura cidadã é característica bem humana. E particularmente em Terra Brasilis criamos até um fino e intrincado sistema de justificação da coisa, usando desde apelos orçamentários, passando pelo horror da onipresença estatal em nossas vidas  até chegar, triunfantes e suados, em nosso malemolejo insuperável.

Resultado: fazer discursos isso e aquilo contra a sonegadora acaba meio que virando telhado de vidro, já que nosso animus driblandi baixa firme e forte até numa compra de padaria.

Mas ir ao outro extremo não, né, Kalil!

Acho você superchic. Chic mesmo.

Mas só nas dicas de moda.

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17 opiniões sobre “Via Tranchesi, um pouco de Gloria Kalil”

  1. Olha, que o governo é um sócio dos mais birrentos, isso é verdade. Pode levar negócios ao plano da inviabilidade? Pode. O consumidor pequeno ou grande, é taxado em cascata, na fonte, na compra, em tudo. O empresário, idem, acrescentando as aleivosias cambiais, a concorrência de produtos com preços abaixo de custo etc. Mas, há formas de renegociar, parcelar, recuperar, restituir, mudar de negócio, vender o negócio. Não dá para usar como justificativa.

  2. Se era uma das melhores não sei, mas não posso criticar as posições de Eliane.
    “Se uma lei é injusta, o homem não somente tem o direito de desobedecê-la, ele tem a obrigação de fazê-lo.” (Thomas Jefferson)
    Muitas pessoas colocam no mesmo saco a sonegação e a corrupção, como se fossem sinônimos. Não são, e a dificuldade de enxergar isso é fruto de anos de lavagem cerebral em prol do governo. A diferença mais básica entre ambas é a seguinte: de um lado, temos pessoas tentando preservar a sua própria riqueza das garras do governo; do outro, temos governantes tentando roubar a riqueza alheia, produzida pelos outros. Não se trata de uma diferença sutil, e sim do abismo intransponível entre legítima defesa e roubo.
    Para alguns libertários, o governo é em si uma entidade ilegítima, sustentada através dos impostos, que nada seriam além de roubo. Partindo desta premissa, fica evidente que qualquer tentativa de sonegação seria apenas um ato de legítima defesa como faria se uma gangue de marginais tentasse invadir sua casa e arrombar seu cofre. .
    Rodrigo Constantino para o IMB artigo completo aqui: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=546

  3. Para mim, Gloria Khalil é quem melhor representa a beleza, a elegância e o charme da mulher paulistana. Aquele sorriso iluminado, então, vale mais que toda Daslu.

    (além disso, GK me lembra muito uma paixão não correspondida e não curada)

  4. Chique é exercer uma atividade empresarial com honestidade, recolher os tributos e, ainda, conseguir sustentar a família!
    E não é impossível, conheço diversos desses seres, que tocam seu comércio há anos. Aí eu vejo chiqueza!
    “Hello” para a GK.

  5. Algumas operações midiáticas da Policia Federal e da Receita Federal, me deixa , na maioria das vezes com o pé atrás. Portanto fico com a opinião da Glória Khalil, pois ela demonstra que conheceu muito bem a falecida e sua familia. O que eu tenho certeza é que no Brasil a pessoa não pode ter ou ganhar muito dinheiro, porque tem sempre um bando de invejosos querendo destrui-la.Parece que estar bem financeiramente, é crime no nosso país, porque pela tal da Igualdade tudo tem que ser nivelado por baixo..
    Portanto nas dúvidas, e eu as tenho, sou pró Eliana da Daslu.Que agora descanse em paz.

  6. Eu até sinto pela família e desejo pêsames, mas o fato é que a empresa dela sonegava impostos e o fazia apenas e tão somente por ganância, porque isso não impactava em preços menores, até porque, a clientela da Daslu não queria preço, queria ser paparicada para dizer que foi atendida como rei ou rainha por algum serviçal bem uniformizado da loja.

    Quanto à Glória Khalil… wallll… um dia me mostraram aquele livro “chick” para homens. Um festival de exageros, de mau gosto, de pavonice e principalmente de consumismo da pior espécie… não a considero sofisticada, a acho apenas chata e afetada!

  7. Iolita, por mais que pudesse haver quem entrasse disfarçado para comprar na Daslu por ser “pela igualdade”, o desvio de pagamento de impostos não deve ser valorizado nunca. Por mais incompetentes que sejam os governos na administração dos recursos, devem ser achadas outras formas de reclamar disso. Por mais duro que seja.

  8. Oiiiiii, gentche!!!! Ontem caiiu o mundo aqui no Sumarezinho e a conexão foi pro espaço.

    Dawran e meninos: ser empresário no Brasil é de desconfiar, viu? A criatura que empreende só pode estar querendo passar a mão em algum patromônio cultural de nossa gente, formatada pra ter um emprego mamativo e confortável, puxando o saco do chefe de tudo quanto é forma. Só pode ser. Taxam a gente até não mais poder, pa manterem aquela vida cafoninha lá de Brasília.

    Iolita, com espetáculo midiático ou não, glamourosa ou não, com muito dinheiro ou não, invejada ou não, ela sonegava impostos. Se tem tanto rico e tanto pobre que paga tudo direitinho, por que não, né?

    Se não é a bem da organização da sociedade, que seja pelo menos por princípios cristãos. Jesus não disse que a Cesar o que é de Cesar? Então…

    Refer, eu acho a Gloria Khalil linda… Você tem um gosto raffiné, parabéns.

    Fábio, casualmente li aquele livro, porque fui eu quem revisei, hehe! Exagero nenhum nele. Pelo contrário. Tudo dentro do certinho, do discreto, padrão internéxional. Claro que no Brasil faz tanto calor que não dá, né? Mas tá tudo certo lá.

  9. Libertário, só vi agora seu comentário.

    Eu faço distinção clara entre a sanha estatal e, de outro lado, a sanha justicionista do povo que se reclama de impostos.

    Pra começar, voltemos um pouco no tempo: tínhamos um governo federal empenhado em aparar a máquina estatal, tentando zerar a conta dos municípios e vendendo as tranqueiras. O povo rejeitou, demonizou as privatizaçções e escolheu um novo governante, pertencente a uma ideologia estadólatra. Então, né?… Hueda-se o mimimi do povo.

    Supondo que o Estado, enxugado e honesto, vingasse. Parte do din-din que fica virando lá na rua Boa Vista seria usado, enfim, para transformar as estradas federais em algo razoável. Asfaltos amplos, lisos e bem sinalizados, o povo começaria a lascar na velocidade manguaceira, causando milhares de acidentes e ocupando TODOS os leitos do SUS e do sistema particular. Criaria-se um problema de saúde pública.

    O governo, então rejeitando uma possível estúpida ideia de reduzir a velocidade inserindo crateras na pista, chega à conclusão de que o melhor é colocar radares de velocidade e aplicar multas, poupando assim a vida dos manguaceiros e de suas possíveis vítimas.

    O povo também reclamaria da sanha estatal.

    Eis.

  10. Perto dos grandes empreiteiros e banqueiros, La Tranchesi era amadora na sonegação.
    À época, serviu como boi-de-piranha enquanto os verdadeiros rapinantes do erário passavam (e ainda passam) incólumes ao largo. Servir como “exemplo” acabou lhe tirando a vida prematuramente.
    Se os impostos são escorchantes, garroteando a produtividade empresarial, lutemos então para minimizá-los dentro dos princípios legais. Exijamos o fim da burocracia estatal que emperra tudo com sua incompetência e corrupção.

  11. “…lutemos então para minimizá-los dentro dos princípios legais”.

    Né?

    Esse modo, além de ser mais correto, também define o que é escorchante ou não, e não fica ao alvedrio individual.

  12. A legislação fiscal brasileira é feita de modo que todos que se aventurem no mercado empresarial acabem ficando mais ou menos fora da lei — não são apenas os impostos escorchantes, mas todas as exigências legais, os registros a cumprir, a sanha burocrática do governo para impor controles, enfim, tudo aquilo que paralisa ou atrasa a atividade empresarial, tanto que o empresário se vê forçado a fugir das obrigações para poder se mover. Na hora de punir, já que todos estão fora da lei, o governo pune quem ele quer. Então, não pune as empreiteiras nunca, mas a Daslu, exemplarmente.

    Pode ser isso que moveu a Gloria Khalil (acho que não tem o ‘h’, mas vou na de vcs) a elogiar Eliana Tranchesi.

  13. Xi, Refer, foi anteontem. Me deu uma sanha e botei “h” em tudo. Já corrigido, thanks!

    A carga tributária é alta e complicada. Você tem de ter um bom contador pra correr atrás de tudo. Dá pra saber, na receita, se você deve alguma coisa. E enfim, você não consegue fechar uma firma de está devendo alguma coisa, o que é bem diferente do argumento geral, de que é impossível fechar uma firma no Brasil. Fica parecendo coisa de burocracia kafkiana, mas é só falta de cumprimeiro de dever, mesmo.

    É um inferno de Dante, mas dá.

    Foi mais ou menos isso que moveu a Kalil, sim. Mas não pela coisa do estado. É solidariedade de comadre mesmo.

  14. Nunca existe amador em sonegação. A legislação é intrincada e a burocracia enorme, não à toa. Para dificultar a arte de burlar. Assim, se burla, não é sonso. E não dá para generalizar e também não pode-se discriminar entre uns e outros que burlam. Oras, se todo mundo burlaria, então estar-se-ia em algo onde a fraude seria institucional. Ai, não. A fraude ainda é crime, a burla ainda é crime, sonegar ainda é crime. Ainda há saídas. Nem que seja pelo abismo, mas, há saída.

  15. Segundo antiga charge de Millôr, a solução pode estar no abismo, Dawran! HeHe!

    Em tempos ‘lullistas e roubossefistas’, a fraude como crime está se tornando letra morta nos compêndios jurídicos devido a impunidade que paira sobre si. Vai se institucionalizando aos poucos no inconsciente coletivo. Está aí o famoso “jeitinho brasileiro” que não me deixa mentir.

  16. Luiz Schuwinski, entendível. Mas, ainda é crime. A impunidade é a praga, tal como a ideologia e o relativismo. E parece serem estes que deixam a impunidade campear. Mas, crime ainda é crime.

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