Mais marginal

Do Estadão, o anúncio de mais 8 quilômetros de Marginal, Interlagos adentro.

A margem direita da Marginal do Pinheiros, sentido zona sul, vai ganhar 8 quilômetros de pista na região de Interlagos. O prolongamento faz parte do novo plano viário apresentado pela Prefeitura para desafogar o trânsito local. Com investimento previsto em R$ 1,8 bilhão, o projeto lista ainda outras nove intervenções em vias próximas, como as Avenidas Guarapiranga, Cachoeirinha e M’Boi Mirim, em um prazo de quatro anos.
A extensão começa na Avenida Guido Caloi, na altura da Ponte Transamérica. Para esse ponto, estão programadas três novas faixas de tráfego, além de uma ciclovia com 3 metros de largura até a Ponte Vitorino Goulart da Silva, já nas proximidades do Autódromo de Interlagos. O conjunto ainda prevê uma nova ponte sobre o rio e outra sobre um dos canais da Represa do Guarapiranga.

[…] O motorista que segue pela Marginal na direção de Interlagos enfrenta hoje um estrangulamento na Ponte Transamérica, que será sanado com as mudanças propostas” […]

A expectativa da Prefeitura é licitar o pacote em até 90 dias. As obras, no entanto, não devem ser iniciadas nesta gestão, apesar da intenção do prefeito Gilberto Kassab (PSD) em assinar o contrato de execução logo depois de receber aval e “patrocínio” do Estado.

Daí, claro, vêm os especialistas achando ruim. Trocando em miúdos, qualquer obra grande no trânsito da cidade atrairá mais carros, e a solução é o transporte público.

Fica parecendo que uma coisa exclui a outra.

Não, não exclui.

Se grandes obras viárias fossem a causa direta de mais automóveis nas ruas, Londres seria igual à avenida Brasil, RJ, em horário de pico.

O motivo de mais automóveis nas ruas é a mentalidade nativa, resultado de uma série de fatores: o crescimento concentrado, a má distribuição de empregos (no Brasil e na cidade), os interesses da indústria automotiva, o significado do carro na ascenção pessoal e a rejeição à ideia (também ligada a status) de usar transporte público.

A saturação das grandes vias asfaltadas é apenas consequência disso.

Também fico pensando se, ao longo do século XX, o estado tivesse dado preferência radical ao transporte público e à preservação do verde. Teríamos uma considerável malha metroviária e a marginal do Pinheiros assim, como era antes do engenheiro Billings:

Seríamos todos felizes. Durante a semana iríamos trabalhar de metrô, satisfeitos, e aos sábados e domingos chapinharíamos com a família em alegres piqueniques ao ar livre.

As pessoas não querem a vida que os urbanistas lhes sonham. As pessoas querem conforto, limpeza, beleza e rapidez.

Sugiram, então, especialistas. Aqui e agora.

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12 opiniões sobre “Mais marginal”

  1. O problema é o transporte publico que nao tem capacidade nem qualidade.
    São Paulo está construindo uma linha de metro ha pelo menos 10 anos a inda nao acabou. Por outro lado, Shangai tinha 0 km de metro em 1990 e hoje tem mais de 300 km. Ou seja, é tecnicamente possivel fazer.
    Não é possível imaginar São Paulo do tamanho de Pindamonhangaba, onde qualquer ciclovia resolve a questão de trasportar as pessoas de um lado a outro da cidade.

  2. Olha, Pinduca, é porque você não passou pela conexão da Linha Amarela X Linha Verde em horário de pico. Complicado aquilo…

    Ainda estamos na curva ascendente da ampliação X demanda. Espero que, com mais linhas e baldeações, a coisa tenda a a suavizar.

    O fato é um: até o governo Quércia, só tinhamos um trecho da Linha Azul, um trecho da Vermelha (que já estava saturado na época) e o pedaço Paulista da Linha Verde. Só. Até então, não havia problema de atrasos ou saturação. Porque, philosophicamente falando, não pode haver problema no nada.

    A coisa complicou quando começaram a ampliar. Como tudo na cidade. Espere o prolongamento da marginal Pinheiros e aguarde uns anos: o luxo da Berrini chegará ao Largo 13, sufocando a igreja matriz e multiplicando por 30 andares a demanda de transporte.

  3. pinduca, Shangai!!! Lá ninguém que tem pescoço é amigo do rei, do jeito que certos pescoços têm vocação. Na falta da linha 10, aluga uma bike, véio. Em Shangai!!! E bom proveito.

    Mas, de todo modo, as obras são para atrair carros de passeio mesmo. Deveriam ser para quê? Para muares, jegues, cabeças de bagre? Ninguém deixa de comprar automóvel e a indústria não deixa de produzir. Se não produz, importa. E o consumidor compra. É assim. Então, que sejam construídas as vias.
    Da mesma forma que estações novas, ônibus novos e trens novos, são feitos para atrair gente. E cada vez mais gente virá. Se comparar com aeroportos, quanto mais gente vai, menos avião tem. Nas vias é diferente: mais vias, mais carros.

  4. Posso estar enganada, mas a última grande obra de trânsito em Sampa foi na Marginal Tiete. Que bom que planejaram e pretendem executar a do Rio Pinheiros.Na minha modesta opinião a obra era para ONTEM.

  5. Pinduca,

    Concordo com você, dá pra fazer.

    O problema é que no Brasil, a obra é tocada por… brasileiros!

    E eles não são muito afeitos a organização e eficiência, mesmo em Sampa, que está anos -luz do resto do país nesses quesitos!

    Mais que isso, na China, não tem a burocracia insana daqui.

    Nem a roubalheira epidêmica daqui.

    Nem o Ministério Público que não se esforça nada para mandar criminosos para a cadeia, mas é mais veloz que a luz para embargar obras públicas e decuplicar o custo delas.

    Nem o Judiciário que aceita tudo que o Ministério Público alega quando é para parar obra pública, mas ignora tudo o que ele alega quando é para colocar corrupto na cadeia.

    Enfim, no Brasil, quando uma linha de metrô leva 10 anos, vai até rápido…

  6. Olha, se eu não morasse pendurada em cima de um morro eu andava de bicicleta… Eu tinha uma cor-de-rosa quando morava na Lapa. Mas estava velhinha, cedi de bom grado às promissoras artes mecânicas dos meus sobrinhos mais velhos (e fiz bem: hoje eles têm, como hobbie, praticamente uma oficina de motos, os danadinhos).

    Mas eu gosto de bicicleta. Não vejo nada de mais nelas, desde que sejam distâncias dignas.

    Agoa, SP precisa mesmo de grandes obras, sempre. Se o governo federal ajuda, se o pais inteiro as usa sem pagar direito por isso, se a coisa atrai mais e mais carros, aí o problema não está exatamente na cronologia de cada gestão.

    Agora, imaginem qo Kassab deixando isso para execução da gestão seguinte e quem ganha a prefeitura é o Haddad?

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