Posição gloriosa? Não sei.

Lendo aqui na Carta Capital que a USP é a universidade que mais despeja doutores no mundo. NO MUNDO! Um trecho, com grifos meus:

O ranking também indica a USP como a terceira colocada em verba anual para pesquisa, entre 637 universidades, além de a quinta em número de artigos científicos publicados, entre 1.181 instituições em todo o mundo, e a 21ª em porcentagem de professores com doutorado em um universo de 286 universidades […],

o que TALVEZ explique essa abundância doutoral, não é mesmo?

Claro que, em termos de Brazilllll, a USP é a USP. Até aí, e levando em conta o PRIMERÍSSIMO lugar, não tem nem como a turma da malllmita ficar zoando.

Mas precisa ver de onde vem toda essa abundância doutoratícia, viu? Num país com desigualdades regionais horrendas, que nem resolveu alfabetização, com mão de obra ruim e salários ruins, talvez um título de doutor não seja exatamente um ideal de carreira ou acadêmico, mas sirva apenas pra dar aquele up salarial quando a pessoa torna ao estado de origem.

Fora que a Fapesp, em muitos casos e em certas áreas, é meio de vida, né, benhê!

A matéria dá uma raspadinha quase imperceptível em pretensos méritos haddadianos, mas não adianta. O ranking latino inclui a Universidade Federal de Santa Catarina, a Universidade Federal do Rio de  Janeiro, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Paraná, o que confirma a tradição: não houve nenhuma revolução no ensino superior nos últimos anos.  As boas continuam boas, e a desigualdade regional continua sendo o flagelo do país.

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8 comentários em “Posição gloriosa? Não sei.”

  1. Bem, vamos por partes.

    a) Que a USP e as universidades paulistas estão beeeeeemmmm na frente das demais no país, nem precisa ser acadêmico para constatar. Estão e ficarão assim por muito tempo, mesmo que (deus ô livre!) o PT venha a administrar o estado e a cidade de SP.

    b) As demais universidades citadas, são todas ilhas de excelência, apesar de estarem beeeem atrás da USP e algumas das paulistas.

    Posto isso, o Brasil despeja doutores em demasia, porque os doutorados daqui são frouxos. Qualquer mané no Brasil faz mestrado e doutorado se souber uma língua estrangeira e se esforçar um titiquinho.

    Na minha área, Direito, doutorado tá virando coisa tão comum que pro indivíduo valorizar o currículo, se obriga a fazer pós-doutorado no exterior. E CHOVEM teses sobre absolutamente tudo, até porque, com a epifânia legiferante que temos, não é difícil encontrar temas polêmicos onde centrá-las, ou para dissertar em mestrados.

    Claro, óbvio, ululante que temos que valorizar os doutorandos… mas penso que tirando meia dúzia de instituições, a maioria dos doutorados brasileiros não serve de absolutamente nada, não alicerçam o que doutorados fazem no exterior, as pesquisas com aplicabilidade científica e/ou social que gerem efeitos práticos.

    O Brasil de Lula e congêneres diz ter feito uma revolução no ensino, mas não saímos ainda do bacharelismo que permeia nossa história como país, gente que quer diploma apenas para ser chamado de doutor, e só…

  2. Lendo a Carta Capital? Eu já acho mais instrutivo acessar uma dessas colunas de fofoca, he he. Só faltou atribuir os méritos ao Vladimir Safatle e Marilena Chaui. Aliás Leticia, não é que o livro de filosofia do 1º ano do ensino médio das escolas estaduais de SP é de autoria dessa mulher? O governo do PSDB adora dar munição ao inimigo, não?

  3. Essas levas de “doutorandos” que saem das universidades são filhas diletas do escabroso ensino de 1º e 2º graus, onde a não repetência é regra. É uma quantidade que não prima pela qualidade. Com as exceções de praxe, é claro.

  4. Olha, como quase tudo por aqui está sendo, diga-se, meio que acelerado, até em doutores pode estar ocorrendo sim. Mas, deve ser meio torto. Os doutores que permitam. Se o título estiver apenas por um título, é o fim. Por isso a ressalva.
    Em quantas citações científicas aparece a tese defendida. E em quantas citações científicas os artigos publicados são citados, por exemplo, seriam indicadores de excelência nesse aspecto.

    Mas, para variar, há quem, famoso, aparentemente, tenha plagiado a própria tese em outra área. Outro, famoso, que para doutorado em economia, teria escrito loas em laudas para chefes etc. Isso como exemplos de furdunço com PhD.

    Sem falar na garotada. Um deles, caso sabido, entregou um trabalho para o professor. Este bateu o olho e disse que as poucas linhas das conclusões não batiam com o texto, pois, o texto, linha a linha, era dele, do professor.
    Outro, já não tão garoto, chegou a deixar até o nome do dono do texto, devidamente Ctrl+C na rede, no trabalho que entregou. Preguiça total.
    Claro que esses exemplos engraçados da garotada e tal, pode nem chegar ao doutorado.
    Mas, que há quem sempre falou que era e nunca foi, ainda tem.
    O bom, ao menos, é que não tendo, trabalho científico defendido e/ou publicado, não seriam citados mesmo.

  5. Tá bom, Letícia, mas todos esses indicadores não dizem coisa nenhuma sobre a qualidade da produção científica nacional.

    1 – Emitir diploma de super-mega-extra-plus-pós-doutorado intergalático basta mandar a gráfica imprimir e o MEC carimbar. Tudo à base do cartório.

    2 – Publicar artigos é fácil. Tem tanta revista por aí sobre tudo que é assunto, em que os doutores validam a revista que validará seus artigos, assim bem à base da corriola mesmo.

    Vamos ao que interessa? Que tal falarmos de PATENTES, depositadas e reconhecidas nos Estados Unidos e na União Europeia???

    Delirando, eu? Imagine. Veja qual é o indicador usado pela RÚSSIA para aferir a qualidade de suas universidades:

    Rússia aprova projeto de desenvolvimento para inovação
    Estratégia prevê 5 universidades russas na lista das 200 melhores do mundo em 2020
    08/09/2011 18h55

    O governo russo aprovou o projeto “Estratégias de Desenvolvimento para Inovação – 2020”, segundo informou a agência de notícias RIA Novosti, citando a ministra do Desenvolvimento Econômico, Elvira Nabiullina. “Após rodada de negociações, a estratégia foi aprovada”, informou a ministra.

    O objetivo da estratégia oficial é imprimir à economia russa maior ênfase em inovações. Até 2020 a participação de empresas russas do setor de inovações deverá aumentar em 4 ou 5 vezes. Atualmente, apenas 9% das empresas que atuam nesse âmbito são nacionais.

    Segundo o projeto, a participação da Rússia na exportação mundial de produtos de alta tecnologia deverá aumentar de 0,35% para 2%. Planeja-se aumentar também a participação de empresas de alta tecnologia no PIB russo, de 12% para 17 ou 18%.

    Ainda segundo a estratégia, até 2020 pelo menos 5 universidades russas devem entrar na lista das 200 melhores instituições de ensino superior do mundo. Além disso, será dado incentivo a registro de patentes na União Europeia, Estados Unidos e Japão. O plano contempla atingir a meta de 2,5 a 3 mil patentes registradas até 2020, contra 63 em 2008.

    Apesar de o Ministério do Desenvolvimento Econômico, com suporte e orientação direta do Presidente Dmitri Medvedev, já ter anunciado diversas vezes a necessidade de implementação de uma política econômica focada em inovações, agora o país conta com um programa oficial para dar respaldo a inciativas do gênero.

    Fonte: http://www.diariodarussia.com.br/economia/noticias/2011/09/08/russia-aprova-projeto-de-desenvolvimento-para-inovacao/

    bjs,!

  6. Fábio, é claro que quando a gente joga esses rankings, leva em conta certa diversidade e a relatividade da coisa. A USP é a melhor universidade do país mas tem muita tranqueira, e para as UFs citadas vale o mesmo. Mas que doutorado aqui virou arroz de festa, virou. Aliás, desde a alfabetização, estudo é visto como obrigação pra queimar etapa. Ninguém se interessa por coisa alguma, faz só o suficiente.

    Dawran e Schu, ache ruim quem quiser, mas estou ensinando José a usar enciclopédia. EN-CI-CLO-PÉ-DIA! Só depois é que vai pesquisar na internet. E com titia aqui indicando o que presta e o que não presta. Ponto.

    Né, Alexis? Você sabe que consumo meu tempo com coisas que não necessariamente gostaria de ler. Nativas e traduções. Grossa maioria em área de humanas.

    Há coisas nacionais que pego – principalmente de editoras universitárias -, fruto de trabalhos acadêmicos que simplesmente não acrescentam nada ao que a gente está cansada de saber. No top da lista, escravidão e religiões afro. Taquiospa, que não mudam de assunto nunca!

    Quando vem um assunto realmente novo e interessante, ergo as mãos para os céus. Já quando a coisa é norte-americana, sai de baixo! O nível de complexidade é tão grande que reviso com os dedos das mãos e dos pés. Coisa séria. E os caras são reconhecidos. E talk shows americanos aparenteente tchuqui-tchuqui CONVIDAM o cara pra tentar explicar para a patuleia o que escreveu. E por competência são celebridades, não só em meios acadêmicos. E o povo acaba entendendo o que falam.

    Quer dizer, um objetivo, né?

  7. Leticia, é isso. Mas, o pessoal, a cada menção à USP sai cuspindo fogo.
    Há um governo vesgo nessa área. Ideologiza tudo e realiza nada. Tanto que no comentário foram feitas brincadeiras com coisas sérias. A USP está, pelo menos, tentando furar o cerco. Há pouco tempo, o então ministro da Ciência e Tecnologia e Inovação, defendeu a fabricação de tablets no País. E com largas exigências de um tal conteúdo nacional. Agora, como ministro da Educação, descobre que têm de estimular, com bônus, escolas a alfabetizarem crianças no tempo adequado. Ou seja, podem haver milhões que deixaram o fundamental semialfabetizadas. Assim, como pensar em inovação científica com tal base? E em leitores de teses e estudos? A maioria dos canais a cabo estão colocando grande parte de sua programação de filmes, dublada. É um sintoma aterrador.

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