Rosamaria Murtinho e as polemiquinhas

Tenho trabalhado muito esses dias (inxcrusível trabalhos de outros estados – Brasil mimimi, acorda!) e tem sido assim. Desde semana passada sem poder fazer grandes planos fora desta cadeira.

E me resta o quê de “lazer”? A tevê.

E vai que ontem à noite, zapeando, topo com Rosamaria Murtinho no Ronnie Von. Sempre achei RM de uma beleza art déco, e é discreta, beirando o antipático. Me atrai. E já que estava falando, fiquei por lá.

Durante a agenda teatral em cidades do interior paulista, ela detonou a elogiar as estradas de São Paulo, comparou-as às da Europa (os pedágios de lá + caros que os nossos) e disse, com todas as letras, que o Brasil, em vez de espinafrar (foi essa a palavra) São Paulo, deveria se espelhar no seu exemplo. Falou dos políticos, SIM, citou Tom Jobim e a antipatia brasileira pelo sucesso. E o Maranhão como o estado mais pobre do país.

Claro que gostei. Raras vezes em que as pessoas expressam sua opinião pá-buf na tevê, nosso veículo maior e ufanista dado a aparas e perhaps.

E eu achando que só eu estava vendo…

Daí o que acontece? Lá vai a Veja hoje e chama a coisa de gafe.

GAFE!

Gafe o quê? Por acaso uma atriz respeitada fazendo uma análise econômico-social do Brasil, coisas que estão ali para quem quiser ver, é o quê? Um talher de peixe num banquete, pombas?

E vi bem a cara do Ronnie. Não era o tipo de coisa que se costuma ouvir na tevê. Por mais que possa concordar com ela, ele não podia fazê-lo na condição de apresentador. Arrumou um jeito fofo de concordar, dizendo amar São Paulo, tê-la adotado, e tal.

Não houve gafe ou saia justa nenhuma (tanto é que a entrevista gravada foi ao ar). Houve foi alguém opinando contra a fofice geral.

Por que não pode isso, não pode aquilo? Por que é “gafe”? Por acaso a gafe se abrasileirou e é uma pré-fase de censura? Tem coisas que podem e não podem ser ditas em público neste raio de país?

Ainda não tem vídeo, mas acho que logo logo vai ter. Daí eu posto aqui. As polemiquinhas…

Anúncios

15 opiniões sobre “Rosamaria Murtinho e as polemiquinhas”

  1. Eu não penso que” a moça que veio de longe”,( parece-me que é natural do norte do país) cometeu alguma gafe. Ela falou o óbvio.Será que só os editores da Veja é que podem fazer críticas e falar algumas verdades? Sempre fui uma admiradora desde o tempo das novelas do antigo canal 9 (Excelsior)deRosamaria Murtinho, e, é muito bom saber que ela continua bonita, culta , sincera e muito bem informada.

  2. Ela falou alguma mentira?

    Não. O Maranhão é um estado miserável cujo IDH é da Idade da Pedra, comparável ao de um país africano em guerra civil.

    E São Paulo tem as melhores estradas sim.

    Fui a Campos do Jordão semana retrasada e passei por engano por dentro de São Paulo. E não que o trânsito dentro da cidade seja ruim. O motorista de SP é muito, mas é dramaticamente mais bem educado que o do resto dos lugares que conheço no Brasil e embora lento, o trânsito flui com a vantagem de que, quando eu dava sinal para a esquerda ou direita não vinha nenhum fdp buzinar se achando ofendido por eu pedir lugar de manobra como acontece em Curitiba. E mesmo na Marginal do Tietê, o trânsito fluía bem, eu atravessei 4 pistas sem maiores problemas, tudo bem sinalizado e funcionando.

    Na ida e na volta, peguei a Rodovia Ayrton Senna. Toquei a 120 km/h numa estrada ótima, com pedágio barato e pardais de 120 km/h! E toquei feliz sem maiores problemas, a estrada é bem conservada a tal ponto que é uma dádiva poder dirigir a 120 km/h ao mesmo tempo em que esse estado de coisas torna desnecessário querer compensar algum tempo acelerando mais.

    Na volta entrei no Rodoanel Mário Covas e fui contemplado com uma estrada de 6 pistas que desafoga o trânsito pesadíssimo que cortava a capital paulista e que me fez respirar aliviado por não ter de enfrentar o trânsito da cidade que havia enfrentado na ida por engano (que apesar de bom, não é para iniciantes como eu).

    Enfim, Rosamaria disse alguma mentira?

    Gafe só na cabeça doente de algum esquerdopata que ainda vai defender o clã Sarney em seu feudo!

  3. Né, Fábio? Por isso que eu digo que pago, e pago como gosto. Me sinto roubada é na Dutra (sim, peguei a Dutra ano passado pra nunca mais). A cada quilômetro, uma esmolinha. Cara e uma porcaria, passando num monte de povoado jerereca, sem ampliação nem porcaria nenhuma.

  4. Na novilíngua verdade virou gafe… As estradas são boas sim. A imigrantes é uma bela obra de engenharia sem igual no resto do Brasil. Mas quem vai querer seguir um exemplo se é mais fácil fazer beicinho e ficar reclamando? Na prática não há rede de rodovias estaduais no restante dos estados brasileiros. Em SP não só as estradas existem como são as melhores do país. O que dizer? “Sorry, periferia” 😉

  5. Leticia, mandou bem. Agora só pode elogiar o pré-sal e a paz mundial, livro favorito o Pequeno Príncipe (The Little Prince), que o Brasil está ótimo, o Brasil agora é respeitado no mundo todo, tem milhões migrando de classe social, casando, comprando casa e carro etc. etc. Agora, elogiar São Paulo ou outras coisas boas do País? Não, é gafe. Falar que o Maranhão é pobre? Não, é gafe. Mas, falar que luta contra a fome na África, ah, ai pode. A moça deveria ter dito que o Maranhão é pobre porque está na África. Impressionante. A revista perdeu a chance de ficar na dela, não é?

  6. Além do que, na época das concessões de rodovias federais, a atual presidente foi muito badalada por ter instituído o critério do “menor valor” de tarifa. Isso para contrapor ao valor de outorga, utilizado pelo Governo Paulista. Resultado é que, conforme noticiado, parece que concessionárias que entraram no processo, já teriam abandonado o negócio, sem antes terem pleiteado recomposição econômico-financeira do contrato. Na ocasião, as pressões contra os preços dos pedágios paulistas foram muito fortes, como são até hoje. Quanto às concessões federais? Ah, disso ninguém fala. Spo falam do preços das rodovias paulistas. Isso cansa.

  7. Dawran,

    Elas pleitearam a recomposição do valor não deu nem um ano após a licitação. Mas queriam recomposição em termos de 200 a 300% sobre o valor da tarifa. Ou seja, queriam no trecho entre SP e RS da 101 uma tarifa média de R$ 3,60 contra a atual de R$ 1,20.

    Só que felizmente, o governo entendeu que se aceitasse essa recomposição a licitação seria nula, porque levaria ao entendimento de ter sido fraudada para ser entregue às vencedoras, que ofereceram valor muito inferior ao da concorrência.

    O resultado é que a BR-101 treco SP-RS está ruim, os investimentos são insuficientes e a manutenção é apenas a básica. Não chega a ser uma péssima rodovia, dá para trafegar nela no trecho inteiro com segurança, mas não chega nem aos pés de uma Ayrton Senna ou do Rodoanel Mário Covas.

    A coincidência é que a tarifa da Ayrton Senna, por exemplo, é na faixa de R$ 3,60.

    Interessante, não?

  8. Pois é Fábio Mayer. Fizeram um carnaval em cima da capacidade técnica da então ministra, para as rodovias federais e deu no que deu. Ainda bem que o sistema de outorga foi mantido em São Paulo. Parece que se verifica, por agora, cobrança por km rodado nas rodovias paulistas. Se for para melhorar, tudo bem. Se for para fazer firula com o governo federal ai pode parar.

  9. Diferente, né, Marcelo? Cê pega, abre uma picada, joga asfalto e cima e diz ser uma rodovia. Há DÉCADAS é assim. E tapar buraco, coisa diária no mundo conhecido, é divulgado com alarde pelo governo federal como se fosse um grande projeto.

    Dawran, o Brasil não é respeitado. O Brasil ganhou um tiquinho só de viabilidade. nenguinho só passou a fazer show aqui, p. ex., porque sabe que agora o povo espreme mas consegue pagar. Antes não vinha porque nem espremendo dava. Simples assim.

    Né, Cleiton? A Veja sempre teve a ala das solteironas na janela, mas dessa vez quase bateu a Folha.

    Fábio e Dawran, porquice de pobre: quando você economiza num lado, acaba gastando muito mais de outro. E insisto: prefiro pagar X na Ayrton Senna ou qq. outra aqui pra dentro do que quase o mesmo X (acaba saindo caro tb.) nas picadas.

  10. Leticia, não sei se já estaria vigorando o tal do km rodado. Mas, isso foi muito pressionado nas últimas eleição para governador e para presidente. Depois de eleito o governador falou que estaria em estudos. Contudo, isso não altera a outorga e nem a qualidade das rodovias.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s