Aulas de estatística – eu tive

Interessante avaliação do instituto de pesquisas QS Intelligence Unit, que lista o ranking das melhores cidades do mundo para se estudar. São Paulo é a única do Brasil, e fica lá no 45. lugar.

E olha que ficaram de fora templos educacionais como Cambridge e Oxford, na Inglaterra, só por serem cidades pequenas e não alcançarem o mínimo de habitantes pedido pelo estudo (pelo que vão dormir à base de calmantes…).

São vários aspectos levados em conta, como qualidade e custo de vida/estudos, proporção de estudantes X população total, reputação junto aos empregadores  e quantidade de estudantes estrangeiros.

São Paulo perdeu feio em qualidade de vida (estamos pau a pau com Toulouse) e proporção de estudantes estrangeiros (se o QS fuçasse de onde vêm, SP caía ainda mais).

No quesito “empregabilidade”, a cidade não faz feio, não; embora fique atrás de muitas cidades-locomotivas dos Brics, e inxcrusível de cidades europeias como Londres, que o pessoal do fundo da sala jura estar na mais negra penúria econômica.

No quesito “reputação entre empregadores”, nem precisa falar. Mesmo assim, não é vantagem: todas as cidades raciocinam da mesma forma.

Além da empregabilidade, São Paulo tem uma imensa vantagem: a vida aqui é baratinha. Isso, BA-RA-TI-NHA!

Não chega aos níveis fuinhas do Cairo, por exemplo, mas vai…

Até aí, tudo certo. Pode não ser lá muito louvativo para a cidade em si (embora seja phyno constar de estatísticas positivas mundiais), mas é pior ainda para o Brasilzão em ritmo de futuro esplendoroso vâmo-que-vâmo-eu-sou-lindo, não?

Talvez os comentários à matéria about, saída na Folha, sejam um caminho inicial para descobrir o porquê de São Paulo não conseguir avançar muito.

Povareco protestando contra o quesito “baixo custo de vida” em São Paulo: “mas como é possível?” “Isso é um ABSURDO!”. “São Paulo é muito cara!”

Relatividade da coisa passou longe.

  • Uma das imagens da minha vida, de A Clockwork Orange (tungada em HD do querido Miguel): Malcolm MacDowell obrigado a enxergar certas coisinhas. Tive aulas de estatística na SEXTA série, acredite se quiser. Tá certo que não aproveitei muito porque o professor só faltava dormir, mas depois que cresce a gente é meio que obrigado a entender pelo menos o básico, não?
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8 opiniões sobre “Aulas de estatística – eu tive”

  1. Tenho por norma de conduta, não confiar ou acreditar em pesquisas. Creio que por trás de cada uma, existe manipulação dos dados para serem usados no presente ou futuro.

  2. Eu não vi o filme, mas fiquei uma arara com duas coisas: eles combinarem meu querido Beethoven com cenas de violência e Walter Carlos (later Wendy Carlos) sacaneando a música do mestre. De resto, em termos de pesquisa, fico com a do Les Luthiers: de cada dez pessoas, conco são a metade.

  3. Iolita, a pesquisa está lá, e não creio que o instituto tenha falhado. A manipulação está justamente na interpretação: em vez de reconhecermos que São Paulo é a única no Brasil nesta pesquisa específica e que o resto do país tem muito a caminhar, não exatamente pelas universidades mas pelo entorno, não: ficam gozando com o 45. lugar – a figura tradicional do roto falando do esfarrapado.

    Maria Edi, eu vi o filme faz muito tempo. E corrija se minha memória me trai, mas ele foi liberado no Brasil alguns anos depois.

    Quanto à estatística, né? Criatura incapaz de enxergar que há um mundo lá fora. De minha choupana, São Paulo é cara em escala interplanetária e pronto.

  4. Agora chegou a hora das estatísticas serem torturadas para confessarem que São Paulo não serve para nada. Sem aspas, mas, citando que há sempre quem diga que os números, torturados, confessam qualquer coisa. Pois, bem. Isso vai até a definição da campanha eleitoral: terra arrasada. Só um salvador ungido poderá salvar a aldeia dos vândalos…E por ai vai. Isso cansa. Mas, as bordunas estão prontas. Se quem deveria defender a Cidade, quer doá-lá, vai levar no lombo.

  5. Né, Dawran? Olha, sinceramente, não tenho nada contra um partenonem ode ao mestre da malandragem. Não mesmo. Até esta jaca se criou aqui, e até porque aquela área tem de ser preenchida, mesmo que seja com qualquer coisa. Até entendo o “incentivo”, e acho que Prefeituras deviam fazer isso mesmo (como no caso do Itaquerão). Podia até isentar de impostos um tempo, mas doar, numa cidade que notoriamente não vota nele? Feio.
    Bem, já temos como normal o fato de doar terreno a torto e à direita pra meio mundo. Se a gente fizer um retrospecto histórico, não é de ficar tão indignado assim.

    Só penso na capacidade urbanizadora-desenvolvimentista do PT. A empatia petista não atrai nem camelô. A sede deles lá na rua do Carmo (Carmo? Acho que sim) atrai é lúmpen vindo com folheto, às vezes de maneira agressiva.

  6. A Clockwork Orange nunca foi proibido; foi liberado desde o lançamento, porém com umas esferas que tentavam cobrir a nudez dos atores, dando um efeito cômico às cenas (violentas, na maioria das vezes) que passavam longe da comédia.

    Depois, muito tempo depois, o filme foi liberado sem as esferas censoras.

  7. Ahnnnnn, tá. Eu tinha uma ideia de nosso tradicional delay em 1978, mais ou menos. Então era isso!

    Bem nossa cara: ver todo mundo pelado com bolinhas pretas. Está salva a nossa pureza d’alma!

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