As cidades e as águas

Artigo de Andrea Matarazzo publicado hoje no jornal Brasil Econômico sobre cidades e águas. Um trecho:

As cidades brasileiras cresceram e foram se desenvolvendo sem planejamento, com poucas exceções. Mesmo as áreas urbanas frutos de intervenções planejadas são hoje objeto de olhares críticos.

A regra foi, infelizmente, uma expansão bastante desordenada, pautada por ocupações privadas de alta e de baixa renda seguidas pela pressão para a instalação de infraestrutura e de serviços públicos.

Como resultado desta trajetória, as cidades herdaram espaços cheios de problemas e de difícil gestão.

Na paisagem urbana e na vida das cidades, a água é o elemento que mais ferozmente sofreu degradação, com consequências amargas e de custosa reversão.

A listagem de danos causados pela ocupação desordenada é longa e chocante. Rios foram canalizados e tornados invisíveis.

Áreas  lindeiras foram ocupadas até suas margens, consideradas nos níveis de seca mais intensa. Ignorou-se que, na estação das chuvas, o espaço necessário para o escoamento das águas é bem maior. […]

Lembrei do que li ontem no G1, sobre um ensaio de murmúrio de moradores de Vila Itaim, em São Miguel, que alaga há alguns anos porque se instalou na várzea do Tietê.

Bem, amore, se você invade aguente as consequências das águas, que também são chegadas numa invasão básica, não é mesmo?

A Prefeitura, porém, diz que os moradores devem sair dali.

Duvido muito que saiam, por a área é bem colada no Jardim Romano, que dona Marta fez o favor de urbanizar. Urbanizar uma área de várzea:

Essa minhoca verde-escuro é o Tietê. O Jardim Romano fica logo à direita, a cinco quadras da marcação em vermelho. A gestão seguinte à de Marta não viu outra alternativa a não ser fazer uma obra caríssima de bloqueio das chuvas. E o rio, óbvio, botou seus olhos garanhudos na área ao lado: agora Vila Itaim alaga mais do que antes.

Não sairão. Dá mais trabalho procurar outro lugar para invadir do que resistir firme, num braço de ferro com o Poder Pùblico.

Da sanha invasora passam agora aos depoimentos emocionados cavados em reportagens; e desses, à gritaria. Enquanto isso, mais e mais “líderes comunitários”, militantes de esquerda e adêvogados porta-de-cadeia vagamente ligados aos direitos humanos adotarão a causa. E os fefeléchi-qual-a-festinha-de-hoje? por último.

Cês vão ver: cedo ou tarde virá uma chuva braba, a prefeitura arrumará alojamento, inscreverá em programas habitacionais e mandará técnicos de saúde pra recomendar que as pessoas não andem na leptospirose. Não adiantará.

Até o dia em que a justiça bater o martelo e houver confronto.

Aí, sim, entram o PT, o PSOL, o PSTU, senador denunciando estupro, isso e aquilo.

Portanto, sugestãozinha para Kassab: ergue longo um CDHU pra esse pessoal. No Jardim Romano, que já está todo blindado. Depois autoriza um shopping lá.

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11 comentários em “As cidades e as águas”

  1. No Brasil, rios e estradas são os referenciais da ocupação urbana. Daí matam-se os cursos dágua e transformam estradas em atropelódromos, porque o povão não entende que estrada de alta velocidade é estrada de alta velocidade, e rio não é lixeira…

    Sinceramente, só tem uma solução para isso que é coibir invasões com toda a força da Lei e se necessário, com força mesmo, distribuindo balas de borracha se necessário for… mas isso, petistas e esquerdopatas de modo geral só entendem quando estão no poder.

  2. Fábio, rio é lixeira, quartinho de despejo E cemitério.

    Veja bem… nunca tive o prazer de botar os pés nas águas do Tietê, mas de longe você as vê um tanto gordurosas pelo catatau de material orgânico. O fundo deve ser de escorregar os dedinhos naquela coisa gelatinosa, pálida e em decomposição.

    Os peixes foram embora e os humanos, ó, não arredam o pé do entorno.

  3. O senador Suplicy, quando de uma grande enchente nessa região do mapa, fez discurso no Senado como intermediário, junto ao Governo do Estado, de uma associação de moradores da várzea do Tietê. Essas coisas é que complicam o que é grave por si só. Associação de ocupação de várzea de rio? E ter senador apoiando? Não intermediar pela retirada do pessoal de lá? Seria mais lógico e coerente. Agora, os Governos da Cidade e Estado estão brigando com o rio, que teve sua várzea ocupada. E ainda são tachados de higienistas. Têm de ser, pois o pessoal lota de dejetos os rios, demandando recursos vultosos para limpar. E recursos dos impostos de todos.

  4. Quem deve chegar primeiro em várzea de rio é o Poder Público.
    É só transformar tudo aquilo num parque linear com lagos, gramados, muita árvore, equipamentos de lazer, o escambau.
    Evidentemente que sem o desassoreamento do rio a coisa engripa.
    Até hoje não se tem conhecimento que alguém tenha invadido algum parque.

  5. É o que se tenta fazer aqui, Schu. Difícil, mas vai aos pouquinhos. E também com áreas não necessariamente perto de rios, mas dadas a favelização.

    Barraco queimou? Todo mundo saiu de casa? Toma conta e põe um parque rapidinho. Tem sido assim.

  6. Luiz Schuwinski, na Rua dos Ourives, perto do Zoológico, Jardim Botânico e Simba, há uma grande invasão que se não for verificada, pode chegar se ainda não chegou, nas fronteiras o Jardim Botânico. Começaram com uns poucos barracos e agora já há até salão de cabeleireira na frente. Com azulejos, cadeiras modernas, luz elétrica, água…e lixo de monte nas calçadas. Em frente, há um empreendimento de classe média média, bem organizado etc. E a ocupação está crescendo rápido para as áreas de prservação ali perto, com os velhos problemas de sempre.

  7. Pois é, Dawran. Vão ‘comendo pelas beiradas’! É o que digo: o Poder Público tem que estar sempre um passo à frente. Chegar antes. Marcar presença efetiva. E se houver invasões ilegais, desalojá-los imediatamente dentro dos ditames da lei.

  8. Difícil entender por que o Governo do Estado e do Município não entraram ainda para ver essa favela da Rua dos Ourives. Olha, há cerca de três anos eram uns poucos barracos e agora já é uma cidade pequena. E ninguém faz nada. Outros terrenos da região também estão já com invasões. O pessoal faz um buraco no muro e vai entrando. De repente, mais um lugar cheio de problemas. Absurdo.

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