Um tiquinho de Eloísa Arruda

Na Sonia Racy de hoje, entrevista com a Secretária de Justiça do Estado Eloísa de Souza Arruda, que ficou mais conhecida com o episódio da Cracolândia.

Ela desenha como foi (e como está sendo, diga-se) a desocupção e acompanhameto dos moradores da área.

Pra falar a verdade, os únicos que abandonaram aquela população foram os indignados a soldo, certo? Foram todos de táxi em desabalada carreira para o Pinheirinho.

Trechos de que gostei:

Eloísa de Souza Arruda só se tornou a primeira mulher dona do posto de secretária de Justiça do Estado de São Paulo por conta de Padre Cícero. Depois de perder três bebês por desnutrição, sua avó cearense buscou conselhos do “líder político” – conforme definição da secretária – e mudou-se para o interior paulista para trabalhar em fazendas de café.

Jura que o Padre Cícero disse que a saída era vir pra São Paulo?…

[…] Disparou bala de borracha? Disparou. Mas teve um único caso, o daquela moça cuja boca foi ferida por uma  bala (e foi parar na capa de jornal).
Sem a publicação da foto, alguém descobriria esse caso? Acho que sim, porque essa moça não era bobinha, não. Ela foi direto falar na Defensoria Pública. Uma ação muito boa foi a derrubada dos escombros onde os usuários moravam. Não tinha como salvar aqueles prédios com estruturas todas comprometidas.

“Descobriria o caso?” A polícia disparou balas de borracha e pronto. A polícia não estava escondendo nada, Sonia Racy.

[…] Era um prédio em que dizem que Julio Prestes morou. Tem gente que não tem consciência do que fala. O processo estava lá desde 2005. Estamos em 2012! Agora vem com esse papo furado de tombamento? A fachada está lá, agora eles podem fazer o que quiserem com a fachada deles. Que gente hipócrita, isso me dá raiva. A gente está falando de coisa séria, de um lugar tomado pelos bichos, onde as pessoas moravam, que virou um sinônimo do crime. “Mas morou Julio Prestes”. Ah, vai tomar banho, que Julio Prestes o quê? Isso é bom colocar.

Bonito mesmo pensarem com fofura e afeto “na casa onde Julio Prestes morou” só agora. Aliás, a fachada só está lá porque a Prefeitura a escorou. O interior estava comprometido, descaracterizado, era um monte de lixo e sabe Deus mais o que, já que gente morta pelo vício em Crackland ninguém chamava o serviço funerário, não é mesmo?

Gostei do tom cabra-macho da secretária. É óbvio que em algumas circunstâncias isso faz a festa da esquerda, mas acontece que foi nomeada por Alckmin, então espera só quando resolverem pegá-la pra Cristo.

Não vão lembrar nem de sua origem humilde; usarão o clássico “pobre é autoritário”.

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8 opiniões sobre “Um tiquinho de Eloísa Arruda”

  1. Jura que ela mandou a cambada “tomar banho”? Sensacional! A moça da rádio Bandeirantes, Thays Freitas, chamou a secretária de “infeliz” dia desses porque ela disse que a cracolândia havia acabado. Como no jornalismo bocó a gente leva tudo ao pé da letra, ela se sentiu confortável para chamar a secretária de infeliz, néam?

  2. Ah, é! Aí puodjé…

    Você espera, viu, Thalita? Quando a Cracolândia estiver reurbanizada, com miliprédios bacanas, árvores, vida noturna e um monte de gente trabalhando e andando feliz pra lá e pra cá, virão aquelas rememorações do tipo “a elite paulista sepultou um monte de corpos com sua arrogância”, e tal.

  3. Parece que está aparecendo quem defenda as ações que toma, sem medo, não é? Que continuem assim, com firmeza e respondendo sem meias palavras as perguntas. As pessoas precisam sentir-se representadas. Atitudes firmes limpam a fumaça e deixam à mostra decisões, coragem.
    Bem, morou quem lá há poucos milhões de séculos? Antes das ações do Governo do Estado e da Prefeitura não havia morado ninguém? Aquilo, era um buraco cheio de percevejos, cracas, lixo e doenças. Agora, descobrem que teria morado lá sicrano? Olha, se ficou a fachada, como dito, que fiquem com a fachada e saiam fora. Que coisa!!!

  4. Né, Iolita? Sem chiliques de TPM, que na minha época não tinha. Só a uma cólica ou outra, que JAMAIS passava da porta. Porque mulher tinha de ser phyna e elegante.

    Dawran, a única demanda popular na Cracolex, além dos noias, é claro, eram os comerciantes reclamando de uma pretensa valorização da área (IPTU $). Só. Nunca vi um zé-mané defendendo patrimônio de coisa alguma. Pelo contrário, tudo o que está restaurado e preservado no Champs-Elisées é coisa de prefeitura e empresa que entrou lá na cara e na coragem. Capitalisme sauvage…

  5. É isso, Leticia. Esse pessoal precisa parar de howl e growl seletivos, por administração e/ou por épocas, não é? De repente baixa o santo dos DHs, das preservações, das rezas e dos terços, das vigílias, das greves de fome…Impressionante!!! Mas o cinto de cilício alguém coloca?

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