Prosseguindo na temporada dos “estudos” I

Folha de hoje c/ manchete escalafobética sobre estudo que “escancara desigualdade paulistana” (p/ assinantes). Nem que a primeira frase do texto seja: “Que São Paulo é desigual todo mundo sabe […]”. Então, o que se escancara? Num tindi…

É mais um daqueles estudos da Rede Nossa São Paulo que conclui que a cidade é um horror (por causa da gestão atual, of course).

Quando se fala de desigualdade aqui, o exemplo queridinho dos estudiosos é a tal de Vila Andrade: “E que 1,3 milhão de paulistanos vivem em favelas – 94% das casas da Vila Andrade (sul) ficam em favelas […].

Xura?

Matemática bonitinha. É como se o Rio de Janeiro só tivesse a Rocinha de favela e você resolvesse botar o dedinho da amostragem social justamente no chic bairro da Gávea, sabe? Olha quanto favelado na Gávea, gente!

Na Vila Andrade fica a maior favela da cidade: Paraisópolis. Na hora de estabelecer os resultados-choque, todo mundo esquece aquelas reportagens louvatórias da epifania lulesca, de que em Paraisópolis todo mundo está melhor de vida, que há projetos arquitetônicos não sei de quem, que subiu vertiginosamente o número de empreendedores, que todo mundo passou a ir ao cabeleireiro…

Permanece só o fato de que Paraisópolis É uma favela. Tendeu?

Vamos a outro trecho, desta vez de Ladislau Dowbor, não por acaso conselheiro da Fundação Abrinq, de Oded Grajew, que também comanda a Rede Nossa São Paulo:

“Organizar um espaço urbano imenso e rico como São Paulo não é um problema de dinheiro, mas de alocação de recursos”, afirma o economista da PUC Ladislau Dowbor.

“[A ideia de comparar distritos] É gerar um nível de compreensão da cidade muito mais amplo. Quando a gente disponibiliza um conjunto de dados na internet, obriga a autoridade a fazer um plano de metas”, diz.

“É um instrumento de pressão política.”

(de novo:) Xura???

Bem, “se organizar um espaço urbano imenso e rico…” não é problema de dinheiro, mas de gestão, a cidade já teria se resolvido na gestão Marta, da qual Dowbor fez parte, não é mesmo?

Marta passou seus quatro anos aqui reclamando de falta de dinheiro. Poderia ter encarnado a dona de casa criativa e evitaríamos, assim, a lenga-lenga de Grajew:

Em 45 distritos, os moradores não têm acesso a bibliotecas perto de casa; 26 distritos não têm nenhum leito em hospital; e em outros 56 não existe nenhuma quadra ou espaço para praticar esportes.

Bem, a cidade tem 96 distritos, numa área de 1 522,986 km², 968,3248 km² dos quais são área urbana. Tire aí as discrepâncias geográficas (ex.: serra da Cantareira) e regionais (distritos-dormitório, onde o cara só chega em casa depois que a biblioteca fechou) e teremos cada distrito bem pequeno, um mosaiquinho de distritos coladinhos um no outro.

Já que se gosta de descolar São Paulo do resto do país e compará-la com as melhores cidade do mundo, selecionei três mapas (bibliotecas em São Paulo, em Paris e em NY):

Tendeu, né? Numa cidade em que um terço da população faz rodízio de livro espírita ensebado e só, Oded Grajew a deseja melhor que a pré-histórica Paris. São Paulo TEM DE ter uma biblioteca, um hospital e 1 quadra de esportes a cada – sei lá – três quarteirões.

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13 comentários em “Prosseguindo na temporada dos “estudos” I”

  1. Leticia, o bicho está solto hoje…hehehehe…”Sangue no zóio” e vamos lá.
    Minha mãe ouvia uma oração do Padre Vitor Coelho de Almeida, na Rádio Aparecida, de Aparecida do Norte: “… e pela sua valorosa interseção, a benção de Deus Onipotente, Pai, Filho, Espírito Santo…desça sobre sobre nós e permaneça para sempre, Amém! (…)”. Assim terminava a forte oração e tento até hoje localizá-la por inteiro. Primeiro para lembrar mais da Progenitora bacana e depois, por ser algo necessário para certas cabeças tortas de quaisquer crenças, das pululantes ideologias hoje em dia.

    Mas, vamos lá. Se é que entendem, growl, seria, em tradução, rosnar.
    Já Howl, seria um poema “beat”, parece, de Alan Ginsberg, de 1955. Em tradução, seria, uivo.
    Ao que parece, growl, se é que entendem e entendem mesmo, foi quem colocou um papelucho para Serra assinar. E depois, a turma falou que o tal papelório teria sido compromisso com registro em cartório, de não deixar a Prefeitura para concorrer ao Governo do Estado. Sigamos.
    Já howl, agora em minúsculo, é o que, associado ao growl, que daria uivo rosnado, ou rosnar uivado, colocaram em prática durante as recentes campanhas eleitorais para a Prefeitura da Cidade.

    Se ainda entendem, howlgrowl, ou growlhowl, está outra vez com vapor solto, com velas infladas e “All the way”, lembram, Frank Sinatra, à toda brida? Ou, que seja, com velas infladas, à toda brisa. Ou, ainda, de todas as formas. Rédea solta.

    Tudo isso só para dizer que os tempos serão difíceis para a Cidade, até que as eleições definam afinal quem venceu. Com tempos difíceis assim, é preciso ficar de olho em howl, sem deixar de prestar muita atenção num novo mundo possível, em growl.
    E cuidados com o que assina.

  2. Como complemento, vários estudos deverão “demonstrar”, que tirando o restante do País, extremamente desenvolvido e solidário, com cidades e Capitais igualitárias e solidárias, São Paulo, notadamente a Cidade, é desigual, não é solidária e precisa ser reeducada para ficar solidária.
    O ano será interessante e muito educativo.

  3. Nao sei se é desigual , se é solidaria, solitaria ou o que for,,mas:
    1. que falta segurança, falta;
    2. que ja foi melhor, foi
    3. que tende a piorar, tende
    4. que a culpa nao e so do executivo do estado, nao e mesmo. se e possivel imputar alguma culpa ao executivo, somente o fato de que o Alckmin foi o resposavel pela iniciativa de “deshedionizar” crimes como trafico e sequestro, ainda na gestao anterior.

  4. Pinduca, Dawran já respondeu por mim. E mais, você entendeu o que eu disse.

    E, por favor, desenvolva o tema do tráfico e do sequestro. Penso que o CP não seja exatamente atribuição dele.

  5. “Em 45 distritos, os moradores não têm acesso a bibliotecas perto de casa”
    Em linguagem nerd: defina “perto de casa”.
    Eu moro aqui perto da PUC, que tem uma biblioteca para uso dos universitários, não da comunidade; idem para a Faculdade de Teologia Batista. “Perto”, tem a Biblioteca com o nome de um autor colada ao colégio Stella Maris, na Cardeal Arcoverde – tenho de tomar um ônibus que tem uma frequência de passagem um tanto quanto longa. Bão, como eu só fico sabendo dessas “verdades bíblicas” quando vocês falam, pois eu me recuso a comprar jornal desde que o Planeta Diário saiu de circulação … Seguinte, pessoal da Rede Nossa São Paulo: Podem falar o que quiserem, eu NÃO VOTO no seu candidato, não esposo suas idéias e vão todos catar coquinho no meio do mato.

  6. Leticia, brigadão por ter destinado o general pinduca para ler teses dos tempos corridos.
    Vamos lá pinduca: O Sumiço da Jujuba: Cascão acorda às uma da tarde e não acha a jujuba, seu bichinho de estimação. Cebolinha aparece pela janela do quarto do Cascão e decide ajudá-lo a procurá-la. Cebolinha disse que estava dizendo que Mônica poderia ter pego até que ela aparece pela janela e diz que não o pegou. A mãe do Cascão entra no quarto e mostra o bicho de pelúcia que estava dentro do congelador. (Wiki).

    Ainda tem mais pinduca: Order the latest products from PINDUCA officially released in Japan at great prices. Safe packaging and fast worldwide delivery. Bonus and limited editions! (Wiki)

    …hehehehe…

    Os tempos serão muito engraçados!!!

  7. Maria Edi, liga não. O negócio é “tirá o maior pelo dus cára”.

    O novo ministro da Educação, já que ninguém sabe quem era o anterior, disse que vai distribuir tablets para professore de todo o País!!!

    Vide só:

    …o novo ministro da Educação, (…), divulgou ontem a sua primeira iniciativa à frente da pasta. Ele prometeu distribuir, no segundo semestre deste ano, até 600 mil tablets a professores da rede pública urbana de ensino médio (…) Ele prevê investir entre R$ 150 milhões e R$ 180 milhões na compra das máquinas. As duas empresas vencedoras da fase de menor preço foram a P(…) Informática e a D(…). Entusiasta do uso de tecnologias da informação e comunicação para melhorar a educação, (…) ressalvou que nada substitui a relação professor-aluno. Ele observou, porém, que a informática e as tecnologias digitais estão cada vez mais presentes no dia a dia da população. E que é difícil imaginar, nos dias de hoje, um professor que lecione sem ter acesso ao Google ou outros sistemas de busca. (…)
    Estaremos todos salvos, Maria Edi !!!
    Só uma dúvida: o tal “gugooú” não é dús gringu”?
    …hehehehe…

  8. Vc é leitura obrigatória pra mim, muito bom. Hoje vi a 1a página da Folha e fiquei irritado. Eu assino a coisa, mas pra mim vale por uma ou outra matéria. Que eles estão em campanha contra a gestão da prefeitua, é óbvio, mas me parece que tb se renderam à do governo estadual, algo grave, bem grave, abs

  9. Dawran, isso faz lembrar os laptops que Lulla iria distribuir por módicos 100 dólares!
    Até hoje não se conhece ninguém que os tenha visto ou usado.

  10. Dawran, recorrer ao Google é uma maneira superbacana de não ensinar mais nada a ninguém. Vai todo mundo no Google e pronto.

    mdv, sempre foi assim, com intensificação em ano de eleição. Metade é a crença que deveríamos ser Paris e a outra metade é encardido ideológico.

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