Pondé, Pondé…

Podcast de ontem na Folha  com Luiz Felipe Pondé sobre a trozomba que pode acarretar o Estado de Bem-Estar Social levado às últimas consequências.

Bem, é claro que MUITO Welfare State, todos sabemos, acaba criando uma sociedade desmotivada. Sua vida fica tão confortável e previsível que tudo se imobiliza, fica sem graça, e tal.

Lembra da informação que tínhamos de alguns países europeus, com sistemas “em que se tem tudo e não se almeja mais nada”, a então a única ambição a lhe mover, numa espécie de último ato glorioso, é se jogar de um viaduto?

Talvez essa ideia seja tão forçada quanto supor que populações de vales tendem ao suicídio.

Outro ponto complicado, e que Pondé não mencionou, é que Estados supergenerosos acabam atraindo um contigente que está bem afim de sentar o pudim. Conheço uma moça que foi para a Inglaterra “pra viver com o namorado”. Ok. Acontece que já terminou com ele (ou o contrário?), e não faz exatamente o tipo “vou trabalhar para me sustentar”. Sempre preferiu empenhar suas forças e inteligência atrás de rolinhos diários, desde os tempos de Brasil.

Quer dizer…, junte ela e mais um monte de gente que foi pra lá em circunstâncias mais ou menos iguais. Blogs pitorescos sobre “minhas experiências não sei onde, onde moro com meu namorado” não exatamente colaboram para PIB algum.

Somem-se a isso os cunhados vagabundos (gente de lá mesmo) as levas específicas de imigrantes desqualificados e…

Não descordo do ponto de vista dele, mas do jeito que colocou fica parecendo que o ideal do ímpeto de vida está é no Brasil – nós e nosso samba, roubalheira, cerveja, suor e “não-ressentimento com o Estado” que não dá nada (?!), como fórmula de alegria, gratidão e longevidade. Ah, também o “ouriço”, como poderia esquecer do ouriço?

Noves fora análises sérias e necessárias, não é verdade que fases ruins de outros países automaticamente nos chancela a invençãos do jeitinho perfeito. Não creio ter sido intenção de Pondé, mas influencia a patulée, sabe como é?

É bom tomar cuidado com essa tentação. Além de feia e mesquinha, é falsa.

Anúncios

7 opiniões sobre “Pondé, Pondé…”

  1. Estado, não obrigado.
    O welfare state na Grécia, Itália, Espanha e Portugal levou esses países à bancarrota.
    Na Grécia o governo distribuiu mais do que arrecadava e agora a conta não fecha. Mesmo que pare de gastar enão pague nem os funcionários públicos não consegue pagar a dívida.
    Quando o estado decide tutelar e promover o bem estar, sempre tira de alguém para dar aos outros. Milton Friedman já disse~: Não existe almoço grátis. Alguém paga.
    Quando o governo distribui benesses pergunte-se quem está pagando, não se admire se a resposta for você.

  2. Bem, sabemos disso. Em certa medida, é até interesse de qualquer sociedade evitar a penúria de alguns membros que eventual e provisoriamente passam momentos de perrengue.

    O problema é quando vira indústria. Discutamos a validade da extensão de um seguro-desemprego, a esbórnia das pensões hereditárias, e discutamos, aqui no BR, algo que está virando dogma, especialmente no estado de SP: a obrigatoriedade de fornecer moradia própria a milhares de brasileiros em cuja origem é risível reivindicar moradia própria.

    Notou o círculo vicioso? Você saiu de um estado que não vai lhe dar nada nunca, para se instalar num estado que razoavelmente dá. E sabendo que ele razoavelmente dá, você se sente mais forte para pedir, porque sabe que, por inúmeras implicações sociais, de condições melhores de desenvolviento e até de chantagem política, ele acaba dando. E porque você sabe que ele acaba dando, conclui que a gritaria e a reclamação aqui tem resultado.

    É mais fácil de reivindicar aqui do que em seu estado de origem, que levaria muito tempo até mudar de mentalidade e atender demandas sociais.

    Portanto, estabelece-se um paradoxo: você não reclama onde não tem, e reclama onde pode ter.

    A longo prazo, SP sofrerá de seu Welfare State.

  3. Bem, como dizem os cínicos, piada não se perde. Um cara chamado Pol Pot resolveu esse problema, matando logo uns mais de 3 milhões de pessoas. E não deu absolutamente nada para quem ousou sobrar do terrível furdunço que o maluco cometeu. Ou seja, pode ter tentado resolver, do jeito que sua cabeça torta concebeu, o problema do equilíbrio biológico, vis a vis a capacidade de prover e deu no que deu. Isso, num chute bondoso. Pois, em realidade, essa peste de Pol Pot era mesmo xarope de pedra. Welfare state, para Pol Pot, era saco de plástico na cabeça…dos outros.

    Mas, voltando ao welfare state, o real, pelo que dizem, a Grécia não teria feito a lição de casa pedida pela UE. Ou seja, cada 300 dracmas passaram a valer 1 Euro. As horas trabalhadas gregas foram reduzidas e os salários gregos, em Euros, mantidos. Além de outras mandracarias, a coisa não poderia dar mesmo certo. Isso, em sendo verdade o que dizem ter ocorrido.

    E também ninguém pegou a caderneta do grego lá para conferir as contas quantas azeitoneiras plantou, quantas azeitonas colheu, quanto de óleo espremeu, quanto de óleo vendeu, a que preço, quanto pagou de custo, quanto sobrou no caixa?

    O mesmo pode ser dito para o caso de bacalhaus, paellas etc. sem querer ofender ninguém. Seria o mesmo que falar aqui de vatapás, carurus, pastéis de feira, água de côco, virado a paulista, feijoada, tererê, chimarrão, tucupi, cabidela, buchada de bode…e vai por ai.

    Ouvia-se muito que muita mamata deixava o sujeito sem perspectiva e ele enfiava a cabeça num cupinzeiro. Ou comia um sanduba com suco em barraca de rua perto de rodoviária ou comia uma coxinha de buteco, ou um “concrete”. Pronto. Batia com as dez, rapidão.

    Só que por aqui, não chegamos, nunca, nem perto de welfare state. O que derrubava mesmo o vagulino era pinga, atualizando, cerca de R$ 0,20/dose. Hoje, sabe-se lá, uns R$ 1,00/dose?
    Chegamos perto da civilização com o Plano Real, que derrubou um inflação de 20% ao mês, para perto de 4% ao ano. Além de medidas que tiraram as contas do País literalmente do fundo do penhasco. Quando poderia ter ultrapassado e consolidado a verdadeira forma de fazer as coisas certas, recuaram, por baixo, uns mais de 10 anos já.

    Assim, com certeza, não serão mamatas em excesso que farão alguém aqui a dar um fim na miserável carcaça que nem urubu fareja. Pelo contrário. Mais mamata, mais mamata e fim. Esse negócio de europeu voar de viaduto, nadar em rio congelado etc. por causa de mamata…aqui?…hehehehe…

  4. A realidade é uma só: sempre que riqueza é forçosamente transferida de uma pessoa para outra, isso não é caridade. Trata-se apenas de mais uma forma de espoliação legitimada.
    Em alguns casos, a espoliação legitimada é difícil de ser reconhecida, e pode até mesmo ser vista como algo benéfico para a sociedade. Por exemplo, subsídios agrícolas ou previdência social.
    Bastiat concluiu que:
    Quando a espoliação se torna um meio de vida para um grupo de pessoas, elas criam para si próprias, ao longo do tempo, um sistema legal que autoriza este ato, e um código moral que o glorifica.
    O famoso David Crockett, não foi só um herói da TV ou quadrinhos. Foi um Representante na Camara dos EUA e conta este caso:
    Um dia na Câmara dos Representantes um projeto de lei para destinar verbas para a viúva de um ilustre oficial da marinha estava em votação. Discursos muito bonitos foram feitos em favor do projeto. O presidente da câmara já estava prestes a aprovar a lei quando Crockett tomou a palavra:
    Senhor presidente – Eu tenho profundo respeito pela memória do falecido, tanto quanto me solidarizo com o sofrimento dos que ficam, do mesmo modo que todos os homens nesta casa, mas não podemos permitir que nosso respeito pelo finado, ou nossa compaixão pelos vivos, nos leve à praticar uma injustiça. Não vou aqui argumentar que o Congresso não tem a autoridade para destinar estes recursos para caridade. Todos os membros aqui presentes sabem muito bem disso. Nós temos sim o direito, como indivíduos, de fazer caridade o quanto quisermos com nosso próprio dinheiro; mas, como membros do Congresso, não temos o direito de destinar um só dólar do dinheiro público para este propósito. Apelos eloquentes foram feitos dizendo que se trata de um débito para com o falecido. Senhor presidente, o falecido viveu por muito tempo após o término da guerra; ele estava na ativa até o dia de sua morte, e eu não tenho conhecimento de que o governo tenha atrasado algum pagamento dele.
    Todos aqui presentes sabem que não se trata de um débito. Não podemos, sem nos corrompermos horrivelmente, destinar este dinheiro para o pagamento de um débito. Não temos o pretexto da autoridade de destiná-lo à caridade. Senhor presidente, eu disse que temos o direito de fazer caridade o quanto quisermos com nosso próprio dinheiro. Eu sou a pessoa mais pobre nesta casa. Não posso aprovar esta lei, mas darei uma semana de meu salário para a beneficiária, e se todos os membros do Congresso fizerem o mesmo, o valor conseguido será maior do que o que o projeto de lei propõe.
    Ele voltou para seu assento. Ninguém contestou o que ele disse. A lei foi colocada em votação, e, ao invés de ser aprovada com unanimidade — como se supõe que geralmente fosse, e como, sem dúvida ela seria —, por causa deste discurso ela recebeu poucos votos, e, logicamente, foi reprovada.

  5. Libertário, o caso da Grécia é muito grave. No momento não há solução viável exceto as que contemplem forte deságio em cada dívida, ou seja, um calote consentido, em termos de mais de 70%. Alguns advogam até o retorno da dracma, moeda grega antes do advento do Euro.
    Tudo isso fica a cada dia mais difícil, uma vez que as maiores economias européias estão também em crise e os países da Zona do Euro ainda não conseguiram coordenar ações que solucionassem o problema.

  6. O “Grande Irmão” estatal, o paizão totalitário que a todos provê. Essa falácia há muito tempo já deu com os burros-n’água.

    Você tem razão, Lets. Isso acaba gerando uma sociedade indolente, preguiçosa.
    Paternalismo de Estado tem um limite a ser respeitado. Senão, vira bagunça.
    Como sabemos, o ‘dolce-far-niente’ já é cultural nos trópicos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s