Oba! Só?

Quando manchete de jornal sobre São Paulo começa a ver o reverso dos números, é sinal de que o panorama daquele assunto está bom.

Hoje na Folha, “Ar da Grande São Paulo é o pior em 8 anos” (versão para não assinantes).

Na versão para assinantes, trechos:

Comparações com os anos anteriores não podem ser feitas porque a rede da Cetesb era menor na década de 1990.

[…] “O aumento das emissões das substâncias precursoras está relacionado com o crescimento tanto da frota quanto do trânsito na Grande São Paulo”, explica [Paulo Saldiva].

Com muita frota e muito trânsito, completa Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, fica difícil controlar a poluição por ozônio.

Outra questão para o aumento do ozônio é técnica. A Cetesb, desde 2007, instalou uma estação para medi-lo na Cidade Universitária (zona oeste). “Este equipamento passou a captar de forma mais adequada a formação de ozônio”, afirma Saldiva.

Se, entre 1995 e 2005, a qualidade do ar melhorou bastante na Grande São Paulo, concordam os especialistas, a piora do ozônio em 2011 pode indicar uma mudança de cenário. Para Saldiva, os índices não devem melhorar mais na mesma velocidade.

TENDÊNCIA

Acostumada a lidar com os dados de poluição do ar no Estado, Maria Helena Martins, gerente de qualidade do ar da Cetesb, discorda que exista uma tendência de alta na poluição por ozônio.

“As condições meteorológicas são fundamentais para explicar o comportamento do ozônio”, diz. “No ano passado, no inverno, tivemos muitos dias com sol e sem chuva. Não há tendência clara para este poluente. Nem para um lado e muito menos para outro.”

Em compensação, a técnica do governo faz coro com aqueles que estão preocupados com os níveis de ozônio medidos na atmosfera.

Para ela, a quantidade do poluente está estabilizada em níveis inadequados. “O ideal seria que eles baixassem. São Paulo vive o mesmo problema de muitas grandes regiões do mundo.”

A receita de todos é conhecida. Além de diminuir a dependência do carro, é preciso um controle rígido das fontes de poluição. “Como estamos fazendo bastante”, diz Maria Helena, da Cetesb.

Quer dizer, ninguém fala mais em poluição das fábricas. Só dos veículos. É bom lembrar que, por mais que se exija inspeção veicular, existe a frota, principalmente vinda de cidades que não exercem esse controle, notadamente os caminhões.

Não é possível nem adequado extirpar caminhões da cidade. Eu sugeriria exigir inspeção nas fronteiras (minha opinião). Ou ainda (não tenho opinião) cobrar pedágio urbano, solução esta defendida até por renomados urbanistas.

Só que Kassab é contra pedágio urbano. Sempre foi. É por convicção, não por eleição.

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10 comentários em “Oba! Só?”

  1. É a velha história de “parar ou não parar a Metrópole”. Ou seja, a poluição provocada por veículos automotores teria de ser reduzida. Como? Chutando pau da barraca: desacelerando a indústria automobilística. Radical? Sim. As formas, “tradicionais”, de controle da qualidade do ar, não vai resolver. São muito veículos autorizados a circular por dia na Cidade. Com crédito farto, muitos acabam comprando um segundo carro. O que gera outro problema: estacionamentos. Assim, só parando mesmo.

  2. Pelo que eu entendo, poluição é ou são a quantidade de partículas em suspensão, e o ozônio não é partícula e sim ion.
    Por coincidência eu ainda ontem, ou melhor, hoje as três da manhã voltava para casa e advinha? O céu estava estrelado, bonito mesmo, ou seja, com menos partículas do que há poucos anos atrás que não se via nada.
    Se isto não é um política bem sucedida então o que é?
    Acho que até agora não desceu para certos políticos o nível de poluição de Sampa ser inferior ao do Rio.
    PS. O ozônio se forma com a quebra das moléculas de oxigênio em função de descargas elétricas em altas camadas atmosféricas, até onde eu sei seja em Sampa seja em qualquer outro lugar o grosso da formação de ozônio será independente da cidade o restante vai depender quantidade de eletrecidade circulando na cidade em questão.
    Se eu estiver falando besteira, por favor me corrijam.

  3. Dawran, quando o galinheiro é superpovoado, para cada solução há mil rolinhos que a neutralizam. Lembra do rodízio? Foi aí que o povo começou a querer garagem pra dez carros. Agora, imagina a diversidade de jeitinhos que haverá se houver pedágio aqui.

    Xi, Cético, não entendo lhufas dessas coisas. Só sei que São Paulo não tem mais a quantidade de indústrias que tinha; que isso é parâmetro mundial de evolução; que a cidade, de tão achincalhada ao longo das décadas, começou sua lutinha diária pra reverter os mil quadros caóticos; que, por causa disso, hoje, SP é bem melhor de se viver que muita cidade por aí que ainda está na fase da pedra lascada do excesso de motociclistas sem capacete (e ainda sem indústria alguma).

    Também me corrijam se eu estiver errada…

    Mas, ó, CERTEZA que SP foi e continua sendo o sonho dourado (escancarado ou recolhido) da rapaziada em geral.

  4. Cético,
    Algo assemelhado ao que você colocou, já foi ouvido. De todo modo, em certos dias, há a recomendação para que as pessoas não realizem exercícios físicos, por exemplo, no Ibirapuera, em determinados horários, por causa do ozônio. Esse, seria um efeito natural e não proveniente da queima de fósseis, parece. Mas, a coisa da poluição por queima de combustíveis fósseis, além de frear automobilística, parece que a Petrobras está atrasada em fornecer o diesel menos poluente. Então, acrescentando nas pauladas: inibir o crédito, repaginar a indústria para modais menos poluentes e obrigar a Petrobras a entregar o combustível com baixo teor de enxofre, que está já em uso na desprezada e tão criticada Europa.

  5. Se não estou enganado, o Japão está em processo de ELETRIFICAÇÃO de toda a sua frota automobilística. Alternativas tecnológicas há, vários países estudam abolir definitivamente os combustíveis fósseis que poluem suas cidades.
    Até motores a células-de-combustíveis (Hidrogênio) já estão rodando.

    A título de curiosidade, está disponível no YouTube uma moto movida a motor magnético! É melhor deixar o “pré-sal” nos braços de Netuno pra não pagar mico. HeHe!
    http://www.youtube.com/watch?v=Z1jyEfEkcbo

  6. Os custos das energias alternativas ainda são proibitivos para produção e utilização em larga escala. Tudo ainda passa pela comparação com a prospecção e extração de petróleo. As alternativas, só se viabilizariam, em termos, com o barril de petróleo situado, por longo tempo, em certos patamares. Algo como ocorrido nos anos 70 com o choques do petróleo, em 1973, quando o barril atingiu alta de cerca de 300%. Assim viabilizou prospecção em águas profundas e o álcool combustível. Para viabilizar, hoje, tais cálculos devem ser feitos com eólica, álcool de cana e de milho, hidrólise celulósica, elétrica, nuclear, geodésica, solar…com o preço do barril. Este ainda é economicamente mais viável.

  7. O que inviabiliza qualquer alternativa energética, Dawran, é o lobby das petroleiras.
    As “Sete Irmãs” – talvez menos depois de algumas fusões – não vão ‘entregar a rapadura’ numa nice. Trilhões de dólares estão em jogo.
    Mas, no fim vai acabar acontecendo o mesmo que houve com as máquinas que usavam filmes em rolo. As digitais decretaram sua obsolescência.

    Agora, motor magnético não tem concorrência se formos cotejar os custos. Ademais, as aplicações são infinitas. Não vai ter para ninguém. Questão de tempo.
    Não se fala tanto em auto-sustentabilidade? Então…

  8. Depois da falência da Kodak, Luiz Schuwinsky, quase tudo é possível. Mas, as irmãs também consideram o preço do barril para seus investimentos em alternativas. Nesse mercado o que há são associações de capitais e de tecnologia. Assim, seria difícil que uma delas ficasse ou fique de fora de algo novo e lucrativo,em termos de energia. Se a energia geodésica, ou solar ou hidrólise celulósica…fosse já mais viável que o petróleo, já teriam mudado em associação com outras, com países etc. Ainda não o são, por mais promissores que possam vir a ser no futuro.

  9. Sei que o link é confiável, Schu. O que não é confiável é o governo, porque a gente ouve falar de carro elétrico desde que o mundo é mundo e aqui a coisa vai na direção contrária.

    E nem é o lobby das petroleiras. É nossa sorridente disposição em ceder ao lobby das petroleiras (e da indústria automobilística como a conhecemos).

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