Barbárie do B

Diante do uso político do acontecido no Pinheirinho, a ironia de ver agora pessoinhas indefesas defenestradas sem-mais de um pedaço de terra no Distrito Federal que só queriam para cultivar. Nem falo about. A tarefa está bem posta por Reinaldo Azevedo hoje.

Quero falar de reforma agrária e êxodo rural (sim, o termo, aparentemente antiguinho, me parece mais real do que nunca).

Começo com uma reportagem que achei esses dias. Fui parar, veja você, em matéria de CartaCapital de julho de 2011:

Levantamento inédito produzido a pedido de CartaCapital pelo Instituto Socioeconômico (Inesc), especializado no tema, revela que os gastos efetivos com distribuição de terra declinaram no segundo mandato do governo Lula – e continuam a cair nos primeiros meses de Dilma Rousseff.  Ao mesmo tempo, apesar do fla-flu que também nesse quesito divide os partidários de Fernando Henrique Cardoso e Lula, a concentração de propriedades no meio rural continua praticamente a mesma do alvorecer da ditadura. Na realidade, aumentou. O Índice de Gini, em 1967, era de 0,836 (quanto mais perto de 1,0, mais concentrado é o modelo). Em 2006, data do último Censo Agrário do IBGE, era de 0,854. (continua)

Bem, se nem o governo eleito por pregar esse tipo de perfumaria ligou para o flagelo no campo, o que será deste país?

Não que eu ache viável botar gente para plantar mandioca num pedacinho isolado de terra e todo mundo ser automaticamente feliz. Não acredito que o trato com a terra nasça com o ser humano, muito menos a competitividade. Pra sobreviver com qq. coisa, você precisa de um mínimo de aprendizado – formal ou não. Está aí o sucesso dos japas do agrião nas redondezas de São Paulo que não me deixa mentir.

Faz um tempão mostrei aqui uma pesquisa sobre a queda de entrada de migrantes em São Paulo (e toda vez que falo nisso não vá achar – pelamordedeus! -, que compactuo com preconceitos regionais ou ache que isso deva mudar por puro princípio bairrista).

É ler o que tem de ser lido na pesquisa: a migração para São Paulo não parou; apenas não é tão intensa quanto a décadas atrás.  Mas continua firme e forte.

Exigência de mão de obra qualificada e uma certa demanda em centros e regiões menos desenvolvidas. Tá. Mas isso se refere a iniciativas individuais e mais difusas.

E os movimentos (ainda) bem estruturados dos sem-terra, dos sem-teto? Eles se misturam e se movem. Veja você o povo do Pinheirinho. A moça que o Reinaldo entrevistou outro dia (dada com “morta” pelos petistas) veio da Bahia. Eu mesma vi em reportagem duas senhoras que pareciam ser do sul (RS), estado em que o MST é forte. Como eles todos se encontraram? Como decidiram ir para um mesmo lugar?

A resposta é: MST. MST que é defenestrado de outros lugares pelo PT e vem se alojar em São Paulo, onde pode fazer e desfazer, se aliar a partidos de extrema esquerda e se unir… ao PT na frente aos governos de oposição. E a massa de manobra dos miseráveis lá, fazendo tudo o que mandam, sem saber muito bem a que se prestam (no caso de SJC, foram induzidos pelos líderes alienígenas a acreditar que a situação seria regularizada), mas com uma única certeza: aqui, malgrado algum tempo de penúria, terão casa e alguma forma de trabalho. Era isso que estavam fazendo e é isso que vão conseguir.

Quando digo que a maior parte do Brasil é um fiofó, não me baseio em qualquer julgamento de gosto. É fato. O que há para um miserável, hoje, em Brasília? NADA. Não há emprego, não há casa popular, não há saúde, não há educação. Nem invasão de terra tem glamour por lá. Quer saber? Não tem nem mochila de programa do governo, coisa que a gente cansa de ver aqui em ombro de pedreiro.

Eu, no lugar deles, viria pra São Paulo. Sozinha, de preferência. A pé. E depois de uns anos de perrengue, tomaria banho direto no cano do box, passando prazerosamente a mão pelos azulejos, e sairia toda feliz e fresquinha para instalar o sifão da pia da cozinha, as torneiras e o chuveiro.

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4 opiniões sobre “Barbárie do B”

  1. Mas que tempos mais bicudos, não é Leticia? Nem reforma agrária e nem agricultura familiar e nem descontração da propriedade rural fizeram direito. Interferem onde haja reintegração de posse, como se a posse fosse crime. Lógico, que a posse dos outros, não é? Pessoas no campo arrancando capim tiririca e guaxuma pela raiz, com as mãos, não passa de ideologia polpotiana furada. Na oportunidade que têm, as pessoas vêm para as periferias de cidades, criam agrupamentos precários. E agora, querem que algum deles vire cadáver. Barbárie e terrorismo são essas falácias ideológicas.

  2. O fim governo deixar pessoas historicamete à míngua. Pior ainda quando é governo federal, que vem dar uma de bacana em terreno alheio. Quem eles pensam que enganam?

  3. Juridicamente o MST não existe. Não passa de um grupelho de facínoras escondidos atrás de uma suposta bandeira defensora dos direitos agrários de pequenos lavradores.

    A maioria dos integrantes dessa quadrilha é arregimentada nos bolsões periféricos das grandes cidades. Poucos têm experiência no trato com a terra. Ocupam para depois revender os lotes a terceiros. O objetivo principal é servir como massa-de-manobra para fins políticos. Meliantes que se fazem passar por “líderes”, como Stédile e o homicida José Raínha, são os eternos cabeças dessa gang.
    A reforma agrária é só um pretexto para esse movimento anarco-trotskista.

  4. Sim, mas supondo que a reforma agrária fosse algo realmente bom. O PT não está nem aí. É um partido que, por princípio, não gosta de ninguém. Queria chegar lá e pronto.

    Hoje no Reinaldo, mais um fato: usou as bestas dos evangélicos pra se fortaleer e agora os joga fora. Benfeito. Gente que se alia com qualquer um merece isso mesmo.

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