São Paulo, a mais moída e remoída do Brasil

Ou do mundo. Sei lá. Deve ser assim com Nova York, Capetown ou Uberlândia, cada uma em seu escaninho geográfico.

Só sei que, a cada aniversário da cidade, pululam depoimentos do tipo “as impressões que tive ao chegar aqui e tudo o que sofri”.

Alguns lugares-comuns nesse tipo de depoimento são a firme disposição de deixar Porto Alegre (ops, brincando!), um recém-aflorado incômodo  com condições climáticas, a rejeição suicida aos congestionamentos e a certeza-certezíssima de que é a primeira – PRIMEIRA – pessoa que aporta na cidade (claro, formada  única e exclusivamente de nativos – o paulistano é apressado, lembra?).

Ah, e por último, e não menos importante: todas essas pessoas escrevem.

A pessoa está sem amigos. Sente um vazio. Estranha as pessoas. Se ofende com a pressa. As aglomerações. Se choca com crianças abandonadas. A pessoa tenta se enturmar com o povo do Facebook e não sai exatamente carregada nos braços. Acha tudo hostil. Se enfia numa kitinete para economizar não sei o quê e começa a se revoltar pela falta do conforto que  deixou lá em (__a escolher__).

Até entendo. Chegar numa cidade onde não se tem laços de espécie alguma é difícil mesmo. Particularmente, porém, acho que isso aconteceria a qualquer um até em Honolulu, Ipanema ou Havana Velha.

Mas estamos falando de São Paulo, né?…  Aliás, estamos SEMPRE falando de São Paulo. Nunca vi alguém descascando o psico por chegar em Brasília, por exemplo.

Não sei, sinceramente, o que a pessoa esperava encontrar por aqui. As CNTP da cidade que largou? Aquela mesma cidade que era uma monotonia só, que lhe provocava ÂNSIA de largar tudo aquilo e vir se integrar ao jeito de… São Paulo? Que jeito, cara-pálida?

Pois o que se encontra aqui não são milhares e milhares de iguais?: a pessoa que saiu de sua cidade, pra batalhar aqui, que ficou amarga sei lá por que, etc.?

São Paulo tem muita gente (nativa ou não) feliz, apachorrada na cidade e vivendo uma vida “das antigas” (o ideal de tranquilidade), com tempo até de bordar, colecionar selos ou passar uma tarde primaveril procurando um cristal para a amiga de infância.

Curiosamente, ninguém olha para isso. Só olha para pessoas apressadas, chuva, carro, blá-blá-blá. Aquilo que ELA viu na tevê, que ELA imaginou na cabeça, que ELA, enfim, desejou para sua vida e buscou com suas perninhas.

Não sei, não sei. Tudo vai da cabeça, do psi naquela hora. No momento, até é compreensível. Mas ficar de depoimentinhos estereotipados décadas depois da acomodação?

São Paulo me deu tudo de bom e tudo de ruim que tenho, buááá!

Ah, vai se emendar! É você quem faz o lugar onde está, para de se fazer de vítima a vida toda!

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7 comentários em “São Paulo, a mais moída e remoída do Brasil”

  1. …hehehehe…Leticia, parece que todo undo que vem para a Metrópole transmuda em poeta e pensador concretista, simbolista, adoniranista, sampista, copanista, sãovitorista, praçadaséista…Tem muito poeta nessa terra!!! Não que seja ruim, mas, tem de ser poeta condoreiro, principalmente nos dias que correm. Dias que se afiguram bicudos, difíceis e muito mentirosos. Até um pouco carecas. Mas, nada que um shampoo de pimenta não resolva…hehehehe…

  2. Olha, para esse pessoal tenho um conselho duro, cruel e cínico: QUEM NÃO TEM COMPETÊNCIA NÃO SE ESTABELECE! (prontofalei). E tem um negócio: para ser poeta, devia haver exigência de exame de livre-docência. Caramba, qualquer um abre seu caderninho de Hello Kitty e sai por aí “escrevendo” poemas com canetinhas gel com cheirinho. Argh!! Fica mal para os Kavafis, Fernando Fessoas, Carlos Drummond (alguns …) e afins.

  3. Dawran, é esse o busílis há um século: neguinho vem pra cá pensando em se tornar um grande cronista, e cadê que vende em sua cidade natal? Só fala (mal) de São Paulo, pô!

    Não é, Maria Edi? Depois arruma uma editora e compila tudo sob o título: “O não ser no vazio da metrópole”.

    Fulano de Thal, 42, articulista do jornal tal, ganhador do prêmio “Periquita” de literatura e autor, entre outros, de “O não ser no vazio da metrópole”, Editora Pá-Buf, 255p., R$ 30,00.

  4. João, toca aqui!

    Eu sou suuuuuuper a favor de que todos sejam absolutamente felizes-izes-izes!!!!! Na cidade dos sonhos, com o emprego dos sonhos, morando na casa dos sonhos, com a carinha dos sonhos, escova perpétua e barriga de tanquinho.

    Seja bem-vindo ao blog!

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