Um povo para odiar

Sob o mote da polemiquinha montada da semana, hordas debulharam seu rancor e preconceito contra paulistas e paulistanos, que valem um tratado sociopsiquiátrico. Ontem o Angelo escreveu about. Trechos:

Há uma narrativa em construção contra o Estado de São Paulo. Na verdade é contra o PSDB e qualquer não-PT ou não-aliado petista, mas como o PT e os seus não têm acesso aos cofres paulistas , eles acabam misturando tudo. Lógico que tudo seria
mais tranquilo se São Paulo Estado e capital fossem governadas por fanfarrões PMDBistas aliados como Eduardo Paes e Sérgio Cabral, eles são parte do “projeto”.
O enredo tem estrutura dividida entre o básico e o absurdo para que possa colar e engajar o maior número de pessoas: O básico facilita a assimilação pelos militantes voluntários e os simpatizantes mais burrinhos, aqueles que não podem ver passar uma indignação ou aparente injustiça sem prestar solidariedade; o absurdo serve para indignar, unir e extremar os “instintos mais primitivos” da militância paga e dos que são um pouco mais sabidos.
A história é contada em qualquer ação polêmica ou evento fortuito que ocorra no Estado de São Paulo. Greve de Policiais Civis é contida por PMs? “Fascismo”. Protesto coibido pois autoridades não foram avisadas e estão interrompendo trânsito e prejudicando a cidade? “Ditadura”. Ação de retomada de áreas ocupadas por traficantes e usuários de drogas? “Higienismo”. Incêndio em cidade administrada pelo PSDB? “Higienismo associado à especulação imobiliária”. PM chamada para obedecer ordem judicial na USP ou em área invadida? “Higienismo, ódio aos pobres, fascismo”.
As palavras de ordem servem para qualquer ocasião e são repetidas e trocadas na lista acima mesmo pelos mais sabidinhos sem qualquer preocupação em parecer verdade, parecer sério ou ter algum sentido. Pergunte-se a este povo o que é Fascismo, como definiriam o Fascismo e o resultado da soma das respostas será sempre “tudo o que fazem e não concordo”. Ou, mais fácil vai: “Tudo o que não é feito pelo PT e aliados”. (continua)

Só um porém: a narrativa não está em construção. Ela existe há mais de um século e é usada pelo petismo toda vez que se faz útil.

A PM de Teresina, por exemplo, poderia ter promovido um massacre contra os baderneiros do aumento das passagens (o que não foi o caso, muito pelo contrário) que ninguém ligaria. Como não ligou.

A coisa é aqui, com sentimentos misturados, como diz o Angelo. Porque São Paulo é um estado rico. Porque a capital é rica. E porque o PT não consegue colocar suas patas aqui.

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5 comentários em “Um povo para odiar”

  1. As patas aqui eles já colocaram, Leticia. Só que aqui o negócio é um pouco mais complicado que nos grotões regados a bolsa-qualquer coisa. Na gestão Erundina, até o serviço funerário foi aparelhado. E Marta Smidth de Vasconcelos foi aquilo que os paulistanos viram depois, não é? Por sorte o Serra conseguiu arrumar a casa antes do PT aparelhar tudo, depois de uma gestão terrível da petista. Nem com as escolas de lata ela conseguiu acabar. Tomara que o Paulistano continue prudente na hora do voto.

  2. O PT já governou a cidade de SP com Marta e Erundina e o resultado foi que eles não conseguiram se reeleger, por incompetentes.

    Ou seja, eu penso que não se trata apenas de ação eleitoreira, trata-se também de rancor contra o povo de SP que não lhes deu carta branca, como o resto do Brasil deu para Lula…

  3. Pode-se acrescentar o niilismo do pessoal. Não admitem que foram em 2008 e poderão ser mais uma vez passados ao fio dos votos em São Paulo.
    No caso agora de S. J dos Campos, há coisas estridentes como “…eles matam, espancam grávidas, espalham gás de helicóptero…” e por ai vai.
    Incrível como parecem ter a certeza que isso realmente aconteceu. E mais. Parecem ter certeza de que falando assim, serão seguidos por notas, editoriais, imagens…da imprensa chamadas de “mídia tradicional” por eles mesmos.
    E acertam, certo? É só olhar e encontrar coisas como “…é provável que tenha ocorrido, segundo um morador…”.
    Ou matérias cheias de aspas, assinadas por alguém que, aparentemente, estaria no local dos fatos. Oras, se estava cobrindo no local do fatos, uma operação legal e aberta, para que tantas aspas?
    Não deu para conferir no necrotério, no cemitério, nos hospitais…se havia mortos, feridos e que ferimentos?
    Se as pessoas que estavam lá reclamando seriam de lá mesmo? Se haviam funcionários públicos em horário de expediente no local?
    Oras, os Oficiais de Justiça, são obrigados, por lei, a entregar as notificações em mãos. Nem nessa hora deu para ver se alguma grávida foi pisoteada?
    Se algum morador foi fuzilado? Espancado?
    Pintam o caso como se fosse a guerra da Bósnia e os jornais colocam aspas.
    Morreu alguém? Pelos jornais, em qualquer “mídia”, fica impossível saber. Mas, dão a entender que “podem ter ocorrido”.
    Isso basta para dar asas às milícias.
    Não está-se, aqui, criminalizando imprensa, pelo contrário.
    Mas, sim criticando a informação.
    Uma rápida passagem por quase todos na rede e nada de mortos e grávidas pisoteadas.
    Só se estiverem guardando para a semana.

  4. Claudio, eu entendi… Imagina uma nova gestão petista, para botar as finanças da cidade de cabeça pra baixo de novo…

    Exato, Fábio!

    Ah, Dawran, isso é muito relativo… Botar crianças, velhos e grávidas na linha de frente deveria dar cadeia, mas… num país em que a pilhagem de salsichas (e de cerveja, como aconteceu hoje no litoral) é tido como coisa normal…

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