Ah, o fotojornalismo…

Taí uma frustração na vida. Além de não ter talento pra coisa, quando “aprendi” fotografia na ECA-UFRJ (com o grande Dante Gastaldoni), se dedicar à fotografia exigia uma grana – ainda não existiam as maquinetas digitais.

Mesmo se tivesse todo o dinheiro do mundo, eu era uma toupeira. Hoje continuo toupeira, só que adquiri um pouco mais de sensibilidade para a imagem que só a vida traz à maioria das almas, ainda que toupeiras.

Mas não é qualquer foto. Neguinho denunciando as agruras de São Paulo com um pedaço de ferro carcomido em primeiro plano, ah, me poupe! Tenho paciência, não.

De qualquer modo, admiro a fotografia. Particularmente a fotografia jornalística. Me comove o fato de a imagem registrar coisas “sem querer”, quando sua foto se torna histórica com o passar dos anos e mais ainda quando o fotógrafo tem um timing – pra mim impossível e misterioso.

Então taí: parabéns ao repórter fotográfico Wilton de Sousa Junior, do Estadão, que ganhou o primeiro lugar na categoria “Fotografia” do Prêmio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha, por esta sacada.

Foi em agosto de 2011, quando Dilma participava da cerimônia de entrega do espadins a cadetes da Academia das Agulhas Negras e vivia um momento “difícil”.

Não exatamente por estar entre militares.

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12 opiniões sobre “Ah, o fotojornalismo…”

  1. E não é verdade?? Fotografia devia estar entre as grandes artes do espírito humano (ou será que já está e eu não estou sabendo?). A foto é genial – por isso mesmo ganhou prêmio, tontona (eu).
    Meu valete finlandês Nokia e eu estamos sapindo pela cidade, fotografando tudo. Inclusive um miquinho que fez morada no parque da Água Branca – e que foi “confundido” com uma preguiça por uma senhoura.
    Eu adoro fotografar – e detesto ser fotografada. Coisas de gente velha.

  2. Depois de ter seguido seu conselho à risca, Lets, estou voltando à luta com mais garra.

    Quanto a foto, só está faltando o grito: touché!
    Há cinquenta anos ela escapou do fio-da-espada, agora “morre” simbolicamente num flash fotográfico. Como dizia o Azambuja: ‘sacal’!

  3. Não raro os fotógrafos do Estadão me surpreendem…

    Eu sou fotógrafo amador, me contento em clicar aves, mas isso me faz admirar esses cliques antológicos, como este aí.

  4. Meu filho está iniciando na carreira de fotografo amador. Encontrou um Cannon antiga manual e está na maior curtição, fotografar e depois esperar dias para ver o que aqueles olhos “viram” é fantástico.
    Essa foto é maravilhosa, é o “olhar” do fotógrafo. Prêmio merecido.

  5. Maria Edi, não tenho fotografado muito, não. A máquina que tenho é a primeira (!), até que compre um novo celular com um mínimo de pixels… Fotografei José à beça (o Periquito), com todas as orientações que pude absorver pra registrar sua infância: escolher luz, nunca tirar foto de cima para baixo… Acho que fiz um bom trabalho. Ultimamente cismei foi de retomar um velho hábito: o lápis. Pegar alguma coisa real ou em foto e ir desenhando: um bom lápis e um papel poroso, e só.

    Schu, então você viu!!! Bobagem de conselho, todo mundo que ama os seus faz isso. É tão gostoso, não? E um caderninho de anotações só pra registrar as gracinhas.

    Fábio, é uma atividade renovadora. O Tulio, aquele meu amigo que faleceu, tirava fotos lindas de flores.

    Dawran, ficou tão famosa quanto a foto de Jânio andando metade pra frente, metade pra trás.

    Malu, minha mãe guarda negativos de nossa infância. Todos, mesmo os que não deram certo. Faz uns anos encasquetei de copiá-los e voilà! Quantas surpresas! Lembrei disso pelo que você disse, de esperar dias para ver. Ou anos.

  6. Leticia, agora dá para digitalizar os negativos, pois não? E só copiar quando e as que desejar. Se não falha a antiga massa encefálica sobre a técnica.
    Sobre a foto do cara todo retorcido, Leticia, tem umas ai, que não para saber onde começa a cabeça, tronco, membros e onde termina o pescoço…do retratado.

  7. Leticia, ao menso nisso as mudanças de século ajudam. Esse lance de digitalizar é simplesmente o bão demais da conta!!!
    Ai, basta só gravar num daqueles chicletinhos e pronto.
    Os “kassugas” pode ficar lá, mas, o futuro será de economia de espaços e de perpetuação de momentos interessantes.
    Aliás, dá até para fotografar os “kassugas”…As fotos coladas nos “kassugas”.

  8. Descolar as fotos dos kassugas foi a pior parte, nossa senhora da paciência! Gostei mais dos álbuns mais antigos, com as chiques cantoneiras ou mesmo com as fotos coladas, já que o papel era poroso (o tempo das comodidades sutis) e a coisa saía fácil, fácil!

    Depois, era só refazer o miolo com papel adequado, entremeado de papel japonês e usando as capas originais (todas lindíssimas!) devidamente higienizadas e, voilá, presentear mamis com tudo novo e sem amarelado.

  9. Ah, e fiz álbuns novos de papel, já que havia muita foto avulsa. Num deles, usei na capa um pedaço da renda gripir do vestido de casório de mamãe (ela guardava um pedaço sem serventia até então) só para as fotos do casamento e do começo de vida. Ficou tudo muito legal. E é mais fácil de ver. Acho que fotos guardadas no computador ninguém lembra.

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