A moda do surto psicótico

O cara que saiu por aí com colete à prova de balas e armado, roubando um monte de carros e atirando pra tudo quanto é lado teve um surto psicótico.

A mulé que jogou tudo (inclusive os cachorros) pela janela no Guarujá e curiosamente se acalmou quando deu de cara com a polícia teve um surto psicótico.

Moda, agora?

Ponderações do psiquiatra Daniel Martins de Barros, no Estadão:

[…] O problema de invocar desde já um quadro psiquiátrico que explique o ocorrido é o surgimento precoce do “viés de confirmação”. Como outros erros cognitivos dessa natureza, o viés de confirmação é a tendência a um tipo de raciocínio automático que os seres humanos apresentam, que embora poupe esforço (já que pensar cansa) frequentemente nos leva a conclusões apressadas e errôneas, por ignorar elementos importantes. Nesse caso, trata-se da inclinação que temos de buscar somente informações que confirmem o que já pensamos, além de interpretar
todos fatos como evidências de nossa hipótese inicial. Na história de Michel Costa, uma vez que se acredite que ele “em um dia de fúria e loucura teria pego uma arma e um colete e efetuado vários disparos em via pública”, conforme disse o tenente da Polícia Militar Guilherme Willian Pacheco, corre-se o risco de enviesar todo seu histórico. Ora, o fato de ele possuir doze cachorros pode ser visto como um ato de caridade com animais, mas se acharmos que ele é doente, pode facilmente ser encarado como um sintoma de “loucura”. Da mesma forma, a partir da declaração de sua namorada de que ele era fechado, de poucos amigos e pouco contato familiar pode-se inferir tanto que ele é um artista algo excêntrico como também que é um paciente que prefere viver isolado. E a partir do momento que começamos a procurar provas do que já cremos em vez de buscar informações que nos esclareçam, o erro é quase certo. (íntegra)

Já que todo mundo está dando pitaco sem analisar profissionalmente o paciente, lá vai meu diagnóstico: o nome disso é cocaína, amore!

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13 opiniões sobre “A moda do surto psicótico”

  1. Engraçado é que durante o “surto psicótico” ele não abordou ninguém do tamanho ou maior que ele, somente mulheres e pessoas idosas. Daqui a pouco vai aparecer um “exspeçialista” dizendo que ele se sentiu acuado por causa da “Operação Crackolandia”. Wait!

  2. Pensei num diagnóstico parecido – LSD. O cara ainda está “viajando”. Surto psicótico é a explicação da vez. “Surtar” já é gíria.

  3. Existem casos bem mais graves. No Brasil, mais da metade da população sofreu desse mesmo mal em 31.10.2010. Foi a única desculpa que encontrei para justificar a um amigo Sueco a eleição de um cone como presidente. Falando sério, concordo com a Malu. Um doidão covarde, só isso.

  4. Marcelo, desconheço as filigranas do LSD, mas você deve ter razão. Caso vulgar de gente com grana dedicada à marginalidade que pode bancar seus “hábitos”. Não merece a pompa do “surto psiótico”.

    Ah, Claudio, mas aí já não é psicose. É demência mesmo…

  5. “Surto psicótico” é estratégia de advogado de porta de cadeia, mesmo os mais banacas…

    É simples. O cara é bandido, agiu como bandido. Se ele tava entupido de cocaína, LSD, maconha, crack ou porcaria que o valha, isso é irrelevante para o Código Penal, para quem o uso de droga ilícita NÂO É nem atenuante nem excludente de antijuridicidade ou punibilidade, sem contar que em certas situações pode aumentar a pena.

    Usar esse nhenhenhé do estado alterado até eu já usei num processo criminal e o Dr. Zarpelon, juiz da causa pública me passou uma carraspana digna de doer até hoje mas me fazer aprender que se deve respeitar a inteligência das pessoas, especialmente dos juízes!

    Não passa de estratégia para que o zé povinho fique condoído, é pobrismo no sentido de querer dizer que o o cara “é drogado, pobre, não teve oportunidades na vida”para ver se, ao menos no Tribunal do Juri, algum jurado acostumado a se emocionar com a choradeira da Rede Globo acabe apoiando o assassino!

    Ademais, quem tem boa índole não faz m… nem entupido de litros de LSD! O “drogadito paz e amor” dificilmente parte para a violência mesmo quando está no mais lamentável dos estados psíquicos, porque ele nunca pratica violência na vida. Mas o cara que já é barra pesada, fuma “unzinho” de maconha e “vira macho” mais rápido do que eu possa dizer pindamonhangaba!

  6. Ora, colete à prova de balas não é uma simples jaqueta. Se o cara teve a pachorra de vesti-la, o “surto psicótico” já foi pras cucuias.
    O louco genuíno em seu dia de fúria, sai do jeito que está em casa, apronta todas e depois se mata.
    Está na cara que essa estória de “surto psicótico” é coisa de advogado pra livrar cliente.

  7. Êpa!!! Acabou a tal de “acometido de violenta emoção”? Aliás, “surto”, lá no interior era nome de outra coisa. O tal de “surto psicótico” tinha nome de “colapso”, “piração”, “fulano tá vareando”, “beltrano está ruim das idéias”, “tem barulho na cabeça” e por ai ia.
    E interessante. Tem surto, atira para todo o canto, rouba, bate carro, fere pessoas, grita…e foge e reaparece com advogado. Nada contra ter advogado. É direito. Mas, surtado só lembra de advogado? E depois alguém já viu alguém surtado jogar sofá, cachorro, panelas, geladeira…pela janela. Porém, alguém viu algum surtado jogar maços de notas de cem pela janela? Cada tempo doido.

  8. Pois não é, Fábio? A fina arte advocatícia de montar situações deve ser fina mesmo, e isso só poucos conseguem e só poucos casos pedem. Vir com essa pantomima engana a quem? A maioria das pessoas com um mínimo de experiência conhece os tipos humanos, não vai se condoer com abobrinhas. Agora é esperar pela infância sofrida, espera só.

    Schu, eu vou no popular. Rasgou dinheiro? Não? Então…

    Dawran, e quando o cara, ainda no meio do “surto”, perguntou sobre uma cela só pra si, já que tem deproma? Sei, Wanderley!!

  9. Parece que prisão especial acabou, não é? Ou seja lá o que foi que arrumaram. Mas, quem mereceria algo especial seriam as vítimas, pois não? Olha, não dá para criticar advogados em defesa de seus constituintes. Senão, mais uma coisa que ninguém mais terá.
    Baseado nisso, lembrança. Li que, não lembro onde, mas é por aqui, no País, aprovaram uma lei proibindo fumar em carros onde estejam crianças. Bem, para entrar em banco, tem de desligar celular. Para fumar, só na rua, desde que todas as portas e janelas estejam fechadas. Cotas por isso e aquilo…São tempos politicamente corretos, onde pais têm, gradativamente, de perguntar ao Estado como pode cuidar de seus filhos…Assim, é perigoso criticar estratégias de defesa de causídicos. O Direito prega a melhor defesa e não a absolvição a qualquer custo.

  10. Êpa, Fabio Mayer, acho que não deveria não.
    Deveria ser claro e liberar as ações. Assim, cada um teria de se virar para viabilizar-se e a coisa caminharia melhor. O circo está todo armado caso ele saia. A ladainha de sempre: partido dividido, conversas viesadas e nada mais. Não por ele, mas pela estrutura toda.

    Sobre o surto, que lá no interior era nome de outra coisa, parece que o causídico do surtado renunciou da causa, ou teria renunciado da causa.

  11. Dawran, eu sei que a estratégia dos advogados é consequência do que as leis fornecem. Mas fica aquela coisa: eu finjo que acredito no meu cliente, vocês fingem que acreditam em mim.

    O adê largou o caso! Custei a achar a notícia, mas parece que ele percebeu o óbvio: o crientche é um babaca.

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