A quem interessar possa

Numa ação como a da Cracolândia, em que ao PT e à imprensa oposicionista interessa tudo menos o esclarecimento, lá vai uma explicação de Andrea Matarazzo no Facebook. Uma sutileza que pouco jornalista se dispõe a ver, mas que a população entende facilmente:

Fala-se de migração dos viciados da Nova Luz para outros lugares. Temos que lembrar que estas pessoas vão à região da Luz para comprar e consumir drogas, nao moram lá, nao sao da região. Ela migram para lá para se abastecer de crack. Infelizmente viciados em drogas estão por toda a cidade. A reunião deles em um lugar só facilita a vida dos traficantes que criaram um ponto de vendas. Isto que tem que ser evitado. O tráfico tem que ser coibido nas fronteiras do País, do Estado, controlando os insumos para produzi-los e também destruindo os laboratórios. Os viciados tem que ser cuidados, tratados pelo poder público como são tratados pelas famílias aqueles viciados que ainda as tem e tem condições de tratá-los.

A propósito, certas abordagens que vi, defendendo o tratamento dentro de casa, pelas famílias. Talvez esses defensores, embora na melhor das intenções, não conheçam a realidade de cidades grandes. Com exceção de um ou outro, a grossa maioria dos que lá se reúnem não têm família.

Ou, a ideia que trazem de família é algo bem pior do que o nada: pais e mães ausentes, agressivos, alcoólatras, miséria, abandono, exploração infantil, violência doméstica, pedofilia, total ausência do que comumente conhecemos como ambiente familiar. E a probabilíssima hipótese de seu vício ter começado em casa mesmo.

Por outro ângulo, uma pretensa e romântica ideia de que a família, nesses casos extremos, tem capacidade transformadora. Não tem. Ter de lidar com criaturas que se tornam violentas por causa do vício é imputar pais, mães e irmãos um jugo muito pesado. Isso não deve ser aconselhado em termos gerais nem ser visto e definido de fora.

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5 opiniões sobre “A quem interessar possa”

  1. Leticia,
    Embora não tenha conseguido acessar lá no Face, matou a pau, o que está reproduzido no post. Quando há a má intenção, a predisposição de ser contra atitudes administrativas arriscadas, porém necessárias, há necessidade de alguém vir a público e falar grosso, firme e verdadeiro. Há necessidade disso em suporte às iniciativas do Governo do Estado e da Prefeitura: alguém que tenha coragem de defender as ações e desmentir os demagogos. A coisa vai longe. Vide a manchete da FSP de domingo, 08/01/2012. Sutileza de mamute em toca de coelho.

    Sua abordagem sobre as famílias também vai na mosca. Essa coisa politicamente correta de que a família pode isso e aquilo, não passa de balela em casos de viciados em drogas. São raros os casos em que a família consegue sucesso. Por quê? Porque se for desestruturada não vai poder fazer nada. Vai fazer parte do problema e não vai solucionar nada. E também porque não há estrutura para tratamento e apoio à famílias que tenham tal infortúnio. Raras as mães que acorrentaram os filhos para impedi-los de comprar e consumir drogas. Como e onde estaria essa mãe hoje? Na época já havia quem a acusasse da maus tratos contra adolescente, com base no estatuto tal e qual. E hoje? O que ocorreu? Não fala-se mais no assunto.

  2. Dawran, mesma coisa com familiares com problemas mentais. Algum acadêmico de humanas achou bonita e lúdica essa coisa de convívio familiar e os “locários” acabaram. Naturalmente essa corrente de opinião imagina que todo louco passa o dia com o olhar perdido no horizonte e só.

  3. Pois nem precisam essas mães desesperadas, tadinhas. Nem precisa ser ignorante e miserável. Às vezes vejo mães bem postas na vida tratando suas crianças de um jeito que dá vontade de ir lá e esganá-las. Depois o cara cresce, faz alguma coisa não prevista no manual de boas maneiras geral e a vaca vem com cara de virgem maria na tevê contar seu sacrifício…

  4. Pois é, Leticia.
    É isso ai que o politicamente correto inculcou na cabeça das pessoas. Parece que passou a ser crime internar alguém em hospitais especializados em doenças mentais. Que, aliás, parece nem mais existirem, não é? Ao invés de investirem em locais onde as pessoas necessitadas pudessem internar e ver tratados os seus, ao que parece, criminalizaram quem tem alguém necessitado de tal tipo de cuidados. Lógico que o que existia era um furdunço, sujo, inseguro etc. Pois, que criassem algo melhor, pombas!!!

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