Indignação seletiva

Todo mundo sabe: desde o início da semana governo e Prefeitura estão numa ação conjunta na Cracolândia para tentar acabar com aquele furdunço.

A estratégia durará 30 dias e leva em conta:

1) Retirar a marginalidade, levando traficantes/foragidos para a cadeia.

2) Ocupar o local, dispersando os grupos, executando limpeza e restabelecendo a ordem (sugiro demolir aquilo AINDA HOJE).

3) Deixar os viciados sem crack, impelindo-os a procurar ajuda. Nesse caso, são encaminhados, se quiserem, a centros de reabilitação. É a tal “dor e sofrimento”, mencionada pelo coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Alberto Chaves de Oliveira.

Bem, até que demorou: desde ontem os engenheiros de obra pronta vêm com sua indignação seletiva: determinaram que não há centros de realibitação suficientes, que “viciados estão só espalhados, depois voltarão”, fora o clássico da “violência do absenteísmo”, que vem tirando o sono de especialistas aboletados no conforto de suas poltronas.

A quantidade de viciados desbaratados na Cracolândia só não é maior que o número de especialistas que saíram de suas tocas para espinafrar a ação.

Já que está “errado”, tenho imensa curiosidade em saber qual seria o certo. O que essas pessoas sugeririam, só assim, na base da especialidade?

A questão é difícil de resolver, e a estratégia de agora não foi inventada ontem: é prosseguimento de anos de tentativas numa questão bastante espinhosa: não pode prender, não pode internar à força, não pode evitar o descaso federal com as fronteiras, não pode isso, não pode aquilo. E isso feito por profissionais multidisciplinares, que conhecem a dinâmica da coisa. Imagina uma comissão de especialistas de consultório, que beleza seria?

Se os “demotucanos” não fazem ações de choque, são omissos; se o fazem, são linha-dura. Se o governo e prefeitura do Rio o fazem, é o alvorecer de uma nova era; se São Paulo faz, é tortura. Se fosse Cabral a falar em “dor e sofrimento”, nofffa!, como tem espírito elevado; como é aqui, é irrealista e grandiloquente. Se a limpeza é em SP, a  poesia é pela perda do cantinho; se é no Rio, é alvorecer duplo, aplaudido no Arpoador pela mídia e pela população, sem maiores pruridos sobre a vontade do dependente. Se os noias migram é porque migram; se ficam é porque ficam. Se há cracolândia em São Bento da Putaqueopariu, o “pequeno município” é uma vítima imobilizada; se é aqui, a máxima já clássica: a culpa é do PSDB e do Kassab.

Enquanto isso, cidades inteiras debaixo d’água, diques malfeitos que rompem a cada semestre, roubo de verbas, ministros acusados e seus olhos injetados tentando explicar o inexplicável e um governo federal que só mexe a buzanfa depois que as coisas acontecem.

Falando nisso, a Folha afirma que a ação conjunta entre Prefeitura e governo estadual é uma antecipação para neutralizar eventual ação do governo federal. Pode? Não, não pode.

O que pode é o Ministro da Saúde passar, da noite para o dia (na verdade, de madrugada) a visitar a Cracolândia com vistas a uma candidatura ao governo do estado. Logo aqui, onde o governo federal nunca fez falta na área de saúde.

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19 opiniões sobre “Indignação seletiva”

  1. Eu divagava, hoje de manhã, e comentava com meus botões mais ou menos as mesmas coisas.

    Além disso, eu gostaria que os especialistas, tão preocupados com a sorte dos miseráveis, resolvessem adotá-los e levá-los para casa.

  2. Deixem essa escória esquerdopata reclamar, desde que acabem com a Cracolândia.

    Esses “especialistas” que defendem que o viciado continue se viciando porque qualquer coisa feita contra ele e o traficante é uma violência, deveria é ter um viciado na familia, um filho por exemplo, daí, aplaudiria a ação do município e do estado.

    Eu penso de modo muito claro sobre isso: IMPÉRIO DA LEI!

    Se o Sergio Cabral e sua trupe de oba-obas resolvem entrar com UPP nas FAVELAS, que o faça a partir da idéia de cumprir a Lei. E se aplaudo quando faz isso, mesmo sabendo que tem muito de demagogia em não querer transformar “comunidades” em bairros de verdade, também aplaudo sem olhar para os lados se os governos de SP resolvem atacar o problema da Cracolândia.

    Não teremos Copa em 2014? Estão aí as ações higienistas, as mesmas que o RJ vai tomar em algum momento futuro próximo (antes de 2014), ou alguém acha que naquela área portuária que será revitalizada não existe também uma Cracolândia com o molejo carioca?

    Essa turma esquerdopata só lembra dos problemas quando alguém fora dela levanta a questão. Se hoje SP tá tratando de limpar a Cracolândia e deixar a cidade arrumada para 2014, amanhã o governo federal e o governo do Rio vão fazer coisa parecida, afinal, pega mal receber turistas aos borbotões tendo que avisá-los para evitar certas partes do centro da Cidade Maravilhosa ou de Curitiba ou de Porto Alegre, não é?

    Só espero que soluções assim não sejam só para até 2014…

  3. No final de 2010, o assistente da d. Celia foi atacado por um noia enlouquecido, na Pça Julio Mesquita, no começo da tarde. O sujeito avançou para aparentemente tentar lhe tomar o celular. Não conseguiu. Frustrado, logo em seguida o atacou com um caco de vidro. Felizmente, “apenas” lhe produziu um corte leve em uma das mãos.

    É perigosa a presença desses viciados, que nada têm a perder. “Coitadas” são as vítimas que nem têm a quem reclamar.

  4. Divertido é a Folha: reportagem ontem, com dedo de… tchan, tchan, tchan, tchan… Laura Capriglione, condenava a ação fortemente. Mais: a reportagem jogava a ação da PM no colo da – creiam! – Prefeitura. Já hoje o jornal vem com editorial apoiando.

  5. Isso tudo é pura militância. Se o governo conseguir internar todos os dependentes de crack num lindo centro de reabilitação, recuperando todos em uma só tacada, vão dizer que o governo é ruim porque não oferece atendimento igual a população em geral.

    O governo federal com a Tvbrasil, que oferece casa, comida, dinheiro (muito!) e roupa lavada, conseguiu garantir uma turma da pesada na internet a ficar criticando qualquer ação do governo de SP. Para se ter uma ideia, somente a página do tocador de bandolim, conta com patrocínio da Caixa, da Petrobrás e, pasmem, do ministério de planejamento, que ainda patrocina o blog dum tal Azenha. Todos Lulistas, que mantém páginas com dinheiro público somente para malhar o governo do estado de SP e tentar arruinar a imagem e reputação de pessoa de bem, com importantes serviços prestados ao país. José Serra, Fernando Henrique…, por ex.

    Eu não sei se irá servir de alguma coisa, porém tenho enviado mensagens bem identificadas solicitando a Caixa, Banco do Brasil, Petrobrás e o tal ministério, a relação das empresas de comunicação na internet que recebem patrocínio, como também os valores destinados a cada portal. O problema é que na Caixa e Banco do brasil o pedido só pode ser feito por carta. Já na Petrobrás e no ministério eu ainda não obtive resposta.

    Claro que não vou conseguir tais informações, nem saberia na realidade o que poderia fazer com elas. Mas ao menos pratico o esporte favorito dessa quadrilha, que é encher o saco.

  6. No dia em que a PM invadiu a cracolândia as reações nas rádios erade ódio total e irrestrito. Ouvi gente lendo “comentários de ouvites” vaticinando o fracasso de toda a operação e a palavra mágica – higienismo – era repetida a cada segundo.
    A moda agora é ficar repetindo informação de “ouvintes” dando conta de flahas de trem, metrô, trânsito, atendimento hospitalar, coleta de lixo – quase nada é checado. Lógico que sempre há problemas reais, mas não checar a informação que chega é absurdo. Dão como verdade e não há dia sem caos.

  7. Bom,
    1) Moradores das regiões, ruas, objeto das ações, estão podendo pegar ônibus sem ter de andar correndo por alguns quarteirões mais longe.
    2) Isso para fugir da sujeira, da violência.
    3) Se o Governo do Estado e a Prefeitura abaixarem a guarda agora, perderão a grande chance de criar as condições para a resolução de grande parte dos problemas ali.
    4) Se receberem a alcunha de torturadores, higienistas, racistas…que respondam com mais ação conjunta.
    5) Mostrem a força-tarefa montada conforme a Lei, agindo conforme a Lei, cuidando conforme a Lei.
    6) Difícil entender o WM falando em “tortura”. Tortura porque se está tentando tirar as pessoas do vício?
    7) Claro que um viciado abstinente sofre. Tanto quanto um figurão que se trata no Sírio-Libanês, oras. Mas, sara, não é?
    8) Aconteceu a mesma grita quando resolveram recuperar para os cidadãos comuns o Parque da Luz, retirar o furdunço de barracas da Praça da Sé etc.
    9) Hoje, dá para ver os críticos andando de barriga estufada e mãos cruzadas atrás olhando o que tinham medo de olhar antes.
    10) Quem reclama, que faça um estágio numa das moradias de viciados lá na região. 11) Podem ir dormir uns dias num daqueles sofás, numa viela fétida, num porão úmido, cheio de piolhos e cracas.
    12) Deve ser bom ser torturado assim: retirado do lixo, com toda a estrutura de cuidados e colocado, se quiser, em local onde possa ser tratado.
    13) Incrível tortura.

  8. E quem qualifica de “tortura promovida” pelo Prefeito e pelo Governador, clama por ação da Ministra dos Direitos Humanos. Impressiona a tranquilidade de tais afirmações. Se faltam locais de tratamento, faltariam também com ação federal. A não ser que tirassem as pessoas, as colocassem em ônibus e os depositassem nos jardins do Palácio do Governo do Estado e no prédio da Prefeitura no Viaduto do Chá.
    O que pode ter ocorrido com uma pessoa que foi secretário federal anti-drogas não faz muito tempo? Pois que venham ambos a ocupar locais onde ainda há viciados, durmam lá, comam lá. Que coisa!!!

  9. Engraçado, o Eduardo Pães é o “pai” da internação compulsória dos viciados em crack. A imprensa nada falou, os “especialistas” ficaram de mudos, no Rio pode em São Paulo não”!?. Ler os comentários dos leitores na Folha on-line você percebe que a prefeitura se São Paulo tem o apoio de 99,999 da população dos leitores.
    Se o problema é falta de clínicas para internação, que o governo federal construa e forneça equipamentos e remédios o estados e municípios arquem com a manutenção e a folha de pagamento do pessoa especeializado. Afinal esse é um problema de saúde pública.

  10. Tá lá, olha só: http://presidente40.folha.blog.uol.com.br/arch2012-01-01_2012-01-15.html#2012_01-06_18_51_32-148476994-0:

    O PT aposta no fracasso da operação policial na cracolândia e quer levar o tema para o centro do debate eleitoral em São Paulo. A ordem é bater firme na estratégia de deter os usuários de crack, martelando o rótulo de “higienista” na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

    “É uma ação meramente higienista e midiática. A prefeitura e o Estado só querem varrer as pessoas que estão ali. Isso não quer dizer que os dependentes receberão tratamento ou que os traficantes terão dificuldade para continuar a vender drogas”, disse ao blog o lider do PT na Câmara Municipal, vereador Italo Cardoso.

    Em época de recesso, os petistas escalaram vereadores em férias para monitorar a operação e denunciar eventuais violações de direitos humanos. O líder do partido já busca definir a ação, deflagrada na terça-feira, como mal-sucedida.

    “O que eles conseguiram foi conseguiram esparramar os usuários pelo resto do centro. Se queriam ganhar votos com isso, não vai dar certo. Tenho ouvido mais criticas do que louvores nas ruas”, afirmou Cardoso.

    Nesta sexta-feira, a repórter Catia Seabra revelou, no caderno “Cotidiano”, que Kassab e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) idealizaram a operação por temer que o governo federal anunciasse um plano para a região, tachando suas administrações de inoperantes no combate ao crack.

  11. A resposta já está no comentários dos leitores. Se eu fosse membro dessa gangue PeTralha eu dizia que estava com dor de barriga e saia de fininho e não aparecia mais em São Paulo.

  12. Mais uma vez precisa ser dito. As autoridades do Estado e da Prefeitura da Capital estão sofrendo fortes pressões por estarem executando política administrativa necessária e legal.
    Contudo, até com nazistas estão sendo comparados.
    Pessoas estão sendo induzidas a descrer das ações legais, necessárias e justas.
    As autoridades precisam vir ao público e explicar fortemente o que de bom estão fazendo e que não recuarão.
    Que desafiem os críticos mostrando a legalidade e os resultados das ações.
    As ações são políticas? Claro que são!!!
    Qual o problema de administradores públicos, cujos cargos são políticos, calcularem custos políticos e executarem políticas, com base em avaliações políticas?
    Queriam que fizessem o quê? Distribuíssem hóstias? Transformassem água em vinho? Isso é para santos, não para políticos, oras. Por isso políticos são votados e não ungidos com água benta. Quem quiser milagres que convoque seus santos, pois!!!
    As críticas são absurdas, por pregarem o fracasso do que pode e tem tudo para ser um sucesso.
    As autoridades Estaduais e Municipais precisam responder em alto e bom som.
    Se continuarem com a timidez de sempre, darão azos ao demagogos e mentirosos.

  13. Hoje um comentarista da CBN falou uma coisa que marcou.

    Ele disse que é um ENORME, um colossal contra-senso um país proibir o consumo de drogas e ao mesmo tempo fazer vistas grossas a lugares onde elas são consumidas praticamente de modo livre.

    Perguntou que escolha é esta, pela Lei ou pela bagunça.

    Enfim, tô me lixando se houve problemas na execução do projeto, se ele foi adiantado (fala-se que o governador queria para fevereiro), se e prefeitura não soube como agir. Se é para cumprir a Lei, inexiste crime, inexiste higienismo, inexiste até o nazismo que esses… politiqueiros irresponsáveis… enchem a boca para acusar sem saber o que foi mesmo nazismo por absoluta falta de cultura e preguiça de estudar história.

    Quando é para cumprir a Lei, estou sempre com as autoridades, mesmo as do PT como o governador petista (enrustido) do Rio de Janeiro.

  14. Fábio Mayer,
    Eles sabem muito bem o que foi o nazismo para saberem que nem o Governador e o Prefeito são nazistas, não é? Um dos problemas, o maior, de hoje é que epítetos graves são assacadas contra e sobre as autoridades de São Paulo e fica tudo por isso mesmo. Incrível que nem o PSDB e nem o PSD saíram em defesa das ações administrativas e de seus respectivos Executivos, na Capital e no Estado. Se saíram, deve ter sido “na moita”. Isso é um absurdo. O Governador e o Prefeito deveriam processar quem os assim qualificou e suas ações. Em São Paulo, ao que parece, existem leis contra a utilização de símbolos nazistas, por exemplo. Como podem autoridades serem acusadas disso e ficarem como se nada tivesse acontecido? Isso já ficou inculcado no imaginário das pessoas, pois, está associado a “tirar com violência as pessoas de onde moram”, entende? Isso não sai mais da mente de ninguém incauto. A maioria. Parece que há medo em enaltecer a honestidade das pessoas. Ou melhor, parece que a covardia oportunística, venceu até o medo.
    Que coisa!!!

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