É muita emoção, gentche!

Não sei exatamente o que Soninha andou vendo agora pela manhã, até porque eu estava aproveitando o civilizado frescor matinal para andar pela Paulista.

Mas posso imaginar! Se ontem foi dia de a imprensa dar destaque a um epifânico sistema de alto-falantes em alguns pontos da Região Serrana do Rio, hoje o que seria, hein?

Fui olhar, e a reportagem do Bom Dia Brasil é repeteco do que vi ontem. Enquanto Minas Gerais está dramaticamente debaixo d’água, o Rio mereceu quase cinco minutos de um rosário de chiquês envolvendo tudo, menos atitudes concretas do governo fluminense. Ficam explicando as ações possíveis da Defesa Civil do estado, evidenciando diferenças entre estado de atenção e estado de alerta,  os tais alto-falantes, as equipes de socorro mobilizadas, a orientação de ir para abrigos (na verdade, pontos de apoio caso a moradia esteja sob risco; “abrigo”, lá na linguagem deles, é só se você perder tudo).

O que a Globo não explica é que todo esse esquema pseudocivilizado fica muito fino mostrado assim, mas faltou avisar aos moradores. Diante da quantidade de água no rio, houve quem procurasse o abrigo, que estava fechado [voz de Creide:] “porque a chave fica não sei com quem que estava ilhado pelas chuvas”. Tendeu?

Não é preciso nem dizer que a coitada da moradora mereceu um veja-bem de não sei quem da Defesa Civil, que em tom autoritário disse estar ela errada: deveria ter ido para um ponto de apoio. Errou, errou, errou!!!

Isso tudo ilustrado com aquela ponte absolutamente ridícula colocana há um ano, em substituição a uma ponte móvel do Exército; a pinguela continua lá até hoje, virou móveis e utensílios.

Roubalheiras municipais à parte, o governo do Rio não fez uma obra de contenção, não refez uma ponte sequer, não dragou o rio, não proveu moradia a nenhum desabrigado: só instalou meia dúzia de alto-falantes, o que, na tela da Globo, adquire cores absolutamente sensacionais.

Ainda bem que a chuva deu uma parada na Região Serrana. Antes de safar a vida dos moradores, que contam com municipalidades toscas e um governo estadual bufão e incompetente, pelo menos a gente não verá entrevista de bombeiro desequipado chorando diante das câmeras por salvar cachorro.

Anúncios

23 opiniões sobre “É muita emoção, gentche!”

  1. Letícia, eu acho que ela usou a tecla SAP, sabe? Porque não é de hoje que eu também noto no jornalismo global que até a notícia ruim ganha flores. Outro dia, a extinta Fátima Bernardes, no JN, chamou a matéria do uso de pipas pela Defesa Civil tooooda sorridente, dizendo que uma brincadeira de criança estava ajudando no regaste de pessoas. Qual era a traquitana: colocar câmeras nas pipas e fazer fotos aéreas de regiões tidas de risco para, quando houvesse deslizamento/ alagamento/ferroutudo, eles soubessem exatamente onde tinha uma casa, onde tinha um banquinho de praça e não perdessem tempo cavocando onde não fosse necessário. O cara da Defesa Civil também disse todo entusiasmado que a nova pegadinha do Malandro da corporação ia ser muito útil. Morri de vergonha alheia. Ele podia ter começado a frase “não é o ideal, mas a falta de recursos nos força a esse tipo de saída risível. Gostaríamos que ninguém precisasse ser resgatado por estar morando em lugar inadequado”. Mas não, né? #fail

  2. Cê tá brincando, Thalita!!

    Eu não entendo, juro pra você! Tem royalties, tem turismo, tem uma certa indústria e tem boa ajuda do governo federal. Por que, POR QUE então está sempre na pindaíba-de-lei? E… botando criança pra trabalhar, né?

  3. É um conjunto perverso:

    – O governo federal disponibiliza dinheiro, mas pouco, e que a burocracia insana faz chegar muitos, mas muitos meses depois da tragédia, quando chega;

    – o governo estadual não cuida da defesa civil que é da sua obrigação e quando acontece uma tragédia, fica de mitificação, dizendo que fez isso e aquilo, mas no fundo, não fazendo nada!

    – os governos municipais são corruptos! Nas cidades atingidas na serra fluminense, um monte de prefeitos perderam o cargo por corrupção da grossa, praticada diretamente a partir da tragédia. Ou seja, políticos de raia miúda: prefeitinhos e vereadores de m… que não servem para nada, se locupletando da desgraça dos cidadãos.

    Daí passa um tempinho depois da tragédia e, apostando na infinita ignorância do brasileiro médio, me aparecem com câmeras amarradas em pipas e dizem que isso é legal e salva vidas, com o aval da rede de Tv que é uma das maiores cúmplices da ignorância nacional… mas na tragédia seguinte ninguém pergunta o que foi feito do suposto trabalho com as tais pipas…

  4. Bem, as pipas, que não tinha visto nem ouvido, associadas à pinguela em Nova Friburgo, ornam muito bem a potência emergente que suplantou o Reino Unido.
    E ainda, sempre, aparece alguém dizendo que os termos favela/favelado seriam inadequados por culpa das capitanias hereditárias!!!
    Na verdade, os termos favela/favelado, refletem o cérebro desse tipo de gestor público.
    Quanto à TV citada pelo twitter da moça no post, diz um amigo dos mais gozadores: “…até ficar sem a tevegrandona, tudo bem…o problema é ficar só com as outras…”.
    Já dá para ver que a desgraceira é muita!!!

  5. Fortaleza (CE) está sitiada por conta da greve dos PMs e da guarda civil metropolitana. Só uma certeza: Não veremos no JN o governador do CE ser cobrado – ao vivo – pelo caos. É mais provável que vejamos mais uma reportagem sobre o aumento do turismo interno no Brasil, em particular no NE, e os preparativos para o carnaval.
    No ano-novo choveu muito em SP. Não houve grandes problemas, o que deve ter deixado muita gente com ódio nas redações – descontaram tudo no caso da implosão do moinho. Só faltou entrevista com “arquitetos e urbanistas” condenando mais um “ato higienista” da prefeitura… É óbvio que toda autoridade deve ser cobrada e monitorada mas o que vemos de parcialidade é ridículo. São Paulo é um caos. Já recebi telefonemas desesperados da minha avó (mora no RJ) preocupada se eu estava protegido contra enchentes ou PCC… Este episódio das pipas me deixou de queixo caído. É vergonhoso e triste. Ainda veremos reportagens elogiando o uso de sinais de fumaça para alertar que mora em área de risco…

  6. Marcelo, pode ser que pressionem o Governador e o Prefeito de São Paulo, pelo fato de não ter ocorrido desgraça por esses dias. Ou por que o Prefeito não detonou o quarteirão todo junto com o prédio esculhambado do moinho.
    Ou podem ser acusados de terem colocado praga em Fortaleza…

    E é sempre bom registrar: nenhuma gota de chuva aqui na Sudoeste de São Paulo, nas imediações da ilha. Ninguém afogando na avenida, ou em ciam de carro acenando para helicóptero…
    Céu azul e Sol poente bonito…Reflete nos vidros e cria raios dentro de casa…
    É assim…

  7. Fábio, você viu o JN ontem? Surpreendentemente carcaram no Cabral, que recebeu verba fedral e não gastou um só tostão com prevenção e obras. Quase lembrei do que havia escrito aqui pela manhã. E nacionalmente, o ministro da hora destina 90% das verbas para seu fofo estado, o que também dá no mesmo: não chega à população.

    Marcelo, o carnaval… aaaaai, que preguiça!

    E, Dawran, o bom tempo em São Paulo (inclusive com temperaturas amenas) e a falta de estragos da chuva faz parte daquela conspiração internacional que injetou células cancerosas em todos os populeiros da AL…

  8. Leticia, um noticiário de rádio hoje de manhã reverbera que o governador do Rio fez brincadeira com a recuperação da Região Serrana fluminense, com a catástrofe em New Orleans. Puxando a sardinha para a brasa dele, lógico. A pressão tende a aumentar um pouco sobre essa performance de quem se julga acima de todas as coisas.

    Agora, essa de inoculação de doenças em “lideranças latino-americanas” é dose para sesquipedalodonte voador!!! Já houve aquela de arma de criar terremoto e agora essa. Um pouco demais. E tem quem acredite e reverbere como grande sacada do autor.

  9. Dawran,

    Pior que esse plano maquiavélico dos EUA em gerar câncer nos líderes latino-americanos, é a máquina de fazer terremotos que os yankees usaram para devastar a poderosa república do Haiti, que tanto lhes causava problemas!

    Haja!

    Leticia,

    New Orleans já voltou a ser um centro de lazer e cultura dos EUA. Seus cassinos voltaram a funcionar, seus hotéis estão com bom movimento, seu carnaval já volta a ser de interesse de todos, suas atrações estão todas voltando à normalidade. Aliás, meses depois da tragédia, já estavam a todo vapor colocando as coisas em ordem e principalmente: REFORÇANDO as barragens em toda sua extensão para minimizar o impacto de novos acontecimentos.

    E isso tudo com George W.Bush, um incompetente, imbecil e retardado na presidência do país…

    Tenho contato com algumas pessoas da serra fluminense. Em 12 meses, eles se limitaram a ver políticos roubando dinheiro na maior cara-de-pau, cassações de prefeitinhos de m…, promessas e mais promessas do Sr. Cabral e sua trupe e um imobilismo desesperador, para quem vive de turismo.

    E o Sr. Cabral ainda tem cara-de-pau de arrotar grosso…

  10. Já estão apelando pro Katrina? Lembro que já ouvi que “em Paris um amigo meu teve a carteira roubada no metrô” – numa conversa sobre criminalidade no Rio. Como se fosse comparável o problema e/ou a resposta das autoridades ao problema.
    Hoje pela manhã há uma histeria por conta da ação da PM de SP na cracolândia. As críticas de sempre dos gigolôs do “povo da rua”, reclamando que não é caso de polícia, etc. As autoridades decidiram agir, claramente a coisa foi concebida com estudos prévios e está sendo executado um plano. Não se permite que este plano seja explicado de alguma forma mas já se desqualifica a coisa toda como “higienista”. Que as autoridades de SP não permitam que as ações sejam sabotadas. O fracasso, forçado pelos críticos de sempre, seria nefasto para a cidade.

  11. Ah, Dawran, sou pessimista com esse negócio de pressão. Fosse assim, ele já teria sido impichado bem antes, com os episódios de Andra e do Morro do Bumba. Nem teria tido tempo pra pegar carona em helicóptero de empreiteiro amigo. O que o Rio vem passando com esse cara é um crime.

    Pois é, Fábio, as obras “que não aparecem” devem aparecer bastante por lá, mas vistas daqui…

    E disse bem, o cara arrota grosso e, pelo jeito, dá certo. É só perceber como se monta a imagem dele: momento “o governador chegou”, é a autoridade em pessoa, o momento é grave, por isso ele deu o ar da graça.

  12. Falando em sexta do mundo o que a imprensa esconde desse povinho ufanista, festeiro, futebolístico e burro é que em UK eles produzem quase tanto quanto aqui com 60 milhões de habitantes contra 200 milhões aqui. i.é a produtividade deles é muito maior, e o IDH é 0,863 (28º) contra 0,718 (84º) aqui. A França com 65 milhões produz mais e tem IDH de 0,884 (20ª).

  13. Thalita, o “cê tá brincando” era força de expressão, hehe! Que coisa, não? Tirar a criatura do barranco, que é bom, nem pensar! A rasgação de seda com favela é a maneira de o Estado carioca e fluminense liberar a devastação de encostas, lascar o meio ambiente e, sobretudo, admitir que há pessoas de segunda categoria, que não precisam de segurança alguma.

  14. Libertário, números são coisas tão manipuláveis quanto massinha de modelar, não?

    A gente se ufana de entulhar a casa de eletrodomésticos da linha branca. Falar Framengo, pobrema e chicrete e inventar a roda pra descolar uns trocados é só detalhe.

  15. Verdade Fabio Mayer.
    Arma de terremoto é de lascar. Se ao meno fosse o tridente do Brasinha…

    Thalita, incrível esse negócio de pipa, não é?
    Aliás, se for ver mesmo, as pipas, segundo entendidos, eram utilizadas por meliantes, que mandavam garotos empinarem-nas quando vissem a polícia subindo o morro.
    Nem original é a ideia. Mas como é o Rio…

    Leticia, concordo. Mas, foi a primeira vez, creio, que uma grande rede de rádio faz algo assim, repetindo durante a manhã das 6:00 às 10:00, com repetições em flashes. De todo modo, não impulsionará nada de mais grave sobre o mandatário estadual.

    Agora, coisa séria. Ninguém diz que o governo do Rio Grande do Sul é responsável pela forte estiagem que acomete aquele Estado, inclusive com municípios em estado de calamidade pública. Qualquer gota no vidro de algum carro em São Paulo e esquadrilhas de helicópteros já filmam e falam em catástrofes…

  16. Mas é sempre assim, mesmo. “Em Paris há assaltos, em Londres há mendigos, em São Paulo há congestionamentos e as pessoas moram menos tempo em favelas, em NYC há tráfico de drogas, em Singapura há tufões etc. Isso aqui não é nada, na semana que vem construiremos _______, _______, ___ e _____.” (Aplausos pla pla pla).

    Aquela “carcada” de ontem no JN foi leve. No domingo, no intervalo do Fantástico, uma propaganda de cerca de 2 minutos do governo da Capitania de S. Sebastião pagou muito bem os favores de amigo da gigante para com o capitão-donatário. Quem tem parabólica viu. Fiquei até emocionado com a propaganda, pois é, pois é, pois, é.

  17. Aliás, Dawran, acho que falta no RS uma ajudinha melhor aos agricultores… Mas aí o tema é tratado como vontade divina e pronto…

    Cleiton, não tenho parabólica mas acredito.

  18. Oi, Letícia, percebi a sua tecla SAP no “cê tá brincando”. Postei o vídeo porque é inacreditável essa história. O RJ era para ser um estado bem rico perto de toda a babação de ovo que existe, como você mencionou, e é a casa da mãe joana que é. De quem é a culpa, não é mesmo? Só em SP que a culpa ou é do Alckmin, ou Kassab ou do PSDB inteiro. Chatice não tem limite pra esse pessoal.

    Dawran, muito bem lembrado que a saída das pipas zoiúdas já eram tecnologia usada pela fina flor do tráfico de drogas. Nem originais eles são.

  19. Thalita, se for verdadeiro que o efeito multiplicador do turismo é de cerca de 3 x 1, o Rio de Janeiro teria de ser “trilhardario” em termos de receitas com turismo receptivo. E até turismo emissivo, pois, chegando na Capital, há milhares de locais, fora de lá, para onde levar turistas e depois trazê-los.
    E seria amadorismo? O Rio é assim tão ótimo em belezas e excelente para férias, mas, por que raios será que o governador de lá sempre está passando férias na Europa ou nos EUA? E a presidente prefere a Bahia? Quantos chefes de Estado e/ou de governo vêm ao Rio passar as férias de verão? Ah, dirão, “vêm, mas é secreto”…Tá bão!?!?!?!

  20. Até o Zuckerberg resolveu passar o fim de ano em Floripa. Passou batido pelo Rio.

    O Rio é antigo. Esse é o problema. Tirando a casquinha fina da orla, não há estrutura moderna pra receber turista. Exemplo? Hoteis. Há poucos hotéis médios. Ou você se hospeda num que vai te esfolar as economias, ou vai para um muquifo.

    Eu até me surpreendo de encontrar café expresso mais facilmente hoje… Antigamente você tinha de gramar para tomar uma xicrinha. Evolui, mas é muito lento.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s