No rancho fundo

Cidade tranquila esses dias. O paulistano, que “amanhece trabalhando”, boa parte dele já pegou férias coletivas e se mandou pra praia. Isso acontece há muitos, muitos anos, o que põe abaixo a história besta de que paulista trabalha, carioca fica na praia, baiano dorme e o resto fica repetindo esses chavões.

O Flanela gosta de abordar esses estereótipos e provar que não passam de ideias incutidas, que ignoram o passar do tempo e a evolução das coisas. Parece que estacionamos nossos conceitos na década de 60 e pronto. Normal para o público comum, mas grave quando se trata de professores, jornalistas, analistas.

Tem a questão das chuvas, como repetimos ontem. Tem a questão da poluição, que não é bem assim há algum tempo. Tem a questão da saúde, mastigada horrores mas nunca exposta fielmente porque nos faltam dados e honestidade pra botar o dedo na ferida.

E agora, a questão da violência, registrada no Mapa da Violência, de autoria de Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangari.

Reinaldo Azevedo desdobrou toda a questão ontem. Aqui, aqui e aqui. E ainda aqui, mostrando o belo estrago de um populismo incompetente.

Acima dos governos e das ideologias está a própria dinâmica social do país. As até agora duas únicas grandes metrópoles brasileiras, Rio e São Paulo, já não são mais boa pedida para migrações de qualquer tipo, sejam a trabalho ou a vadiagem. Já não é tão fácil arrumar emprego nesse eixo, devido à especialização; e São Paulo efetivamente prende, enquanto o Rio caminha a duras penas para botar ordem na bagunça.

Ao mesmo tempo, outras capitais e demais cidades vêm se desenvolvendo economicamente, o que é uma boa pedida para tudo de ruim que uma “urbanização” pode proporcionar: mais dinheiro circulando, mais poder aquisitivo, mais anonimato, mais acesso, mais tráfico de drogas, mais gente alijada do mercado de trabalho.

Grande desafio para as cidades médias e pequenas. Em vez de ir atrás das falácias petistas sobre “a violência em São Paulo”, cuidar de seu próprio quintal.

Porque a gente quer ir aí nas próximas férias, bello!

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3 opiniões sobre “No rancho fundo”

  1. O PT descobriu o Brasil, Leticia. Na visão da cumpanherada, sucesso é dar um troco qualquer para os pobres comprarem mais feijão e farinha e encherem o bucho. O problema é que logo mais essa esmola disfarçada será pouco. Os pobres coitados do PT já estão percebendo que também têm direito a saneamento, educação e outras obrigações do governo. A segurança é um dos itens que poderiam colocar o PSDB num patamar maior em relação a essa classe de gente tão desassistida pelo petismo. Ao invés de utilizar esses números em proveito próprio, mobilizando as bases (como faz o petismo) o partido como um todo é capaz de acreditar que isso também é mais um ultra-mega-hipersucesso do governo Lula. É um saco, mas nem o meu dentista – que comprovadamente tem curso superior – imaginava a situação da violência em SP. Para ele a situação ainda era a de dez anos atrás. E é assim no imaginário da maioria das pessoas. Não fosse páginas como a sua, do Reinaldo e poucas outras, esses dados passariam desapercebidos. Uma pena, mas essas notícias teriam endereço certo, caso o favorecido fosse o PT.

  2. Claudio, tem razão. Isso tudo, ainda, passa despercebido pelas pessoas. De todo modo, há em evolução uma ainda tênue mudança de ânimos. Muito tênue. Porém, nesses tempos, cada milímetro conquistado é um progresso e tanto.
    E o pior, é quando políticos, como o premier francês diz que “a Europa precisa da liderança de Dilma”, ou algo assemelhado. Mesmo que seja apenas para garantir o mercado para seus aviões, tecnologia e ainda o pouco que a França consegue exportar ao Brasil, em termos de propaganda viesada, acaba funcionando.
    Mas, acaba.

  3. Meninos, vocês fizeram lembrar o médico de meus pais. É um baita de um cardiologista, temperamento elevado, confiabilíssimo. Seu consultorio vive cheio, recebe gente de tudo quanto é tipo, troca lâmpada, pesquisa, publica, é membro da SBC, circula pela FMUSP, Incor, Sirio, o diabo!

    Mas no nicho de revistas da sala de espera… só revista de esquerda. EUZINHA não entendo…

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