Condomínios anacrônicos

Matéria no Estadão sobre o novo perfil dos prédios residenciais e a resistência dos síndicos ao home office (nome chique para designar quem trabalha em casa). Trecho:

Uma nova questão passou a fazer parte do cotidiano – e das brigas – dos condomínios paulistanos. Cada vez mais profissionais liberais e pequenos empreendedores transformam o apartamento onde moram em escritório. O chamado home office, em muitos casos, altera a rotina interna dos condomínios e começa a levantar questionamentos sobre os limites e a pertinência de atividades comerciais em prédios residenciais. (íntegra)

Bem, nunca recebi reclamação sobre meu trabalho. Também, seria uma audácia! O que há é trocar correspondência (via motoboy) na portaria no máximo duas vezes por semana, o que prejudica bem menos do que velhinhas subindo e descendo de elevador e enchendo os pacovás dos porteiros vinte vezes por dia.

Outro dia uma moradora comentou comigo que a síndica bronqueou com a bicicleta do filho na garagem, colocada ao lado do carro do marido.

Se a cidade está andando mais de bicicleta, se as pessoas estão trabalhando mais em casa, e se até há demanda por mais canteiros, mais soluções ecológicas e cores modernas na fachada, os administradores têm de lidar com isso, oras!

Deve, sim, haver limites (como o entra-e-sai contínuo de crientes, como evidenciou a matéria). Desde que haja limites com o já estabelecido.

Ontem um cachorro entreou no elevador e pulou em mim. Nada demais, porque era um cachorro normal. Mas…, e se não fosse?

O mesmo com a pintura de elementos da garagem. O subsíndico mandou pintar tudo de grafite (provavelmente sob o velho argumento do “não suja”!!!!), o que gerou protestos de todo mundo. Ficou parecendo um quartel da Primeira Guerra.

Portanto, resolver a baguncinha interna antes, não? E atentar para as novas demandas. Não dá pra ignorar o caminhos da cidade.

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7 opiniões sobre “Condomínios anacrônicos”

  1. Verdade, Leticia.
    A cidade está com novos caminhos e novos agentes. Ou pessoas que se transformaram em agentes diferenciados. Qual o problema? O problema é que prédios antigos, procuram manter antigos conceitos, como o de não permitir atividades comerciais. Numas, pois, sempre existiram, meio na moita. Outra, com o desenvolvimento da tecnologia e a piora da, eita, “empregabilidade”, mais e mais pessoas preferem ter seu escritório em casa. Recebem clientes, aumenta o fluxo nos edifícios residenciais e o tráfego e estacionamento nas ruas.

  2. Por outro lado, mais e mais edifícios estão colocando porteiros eletrônicos. O porteiro tradicional só chega à noite. É o vigia. Ao longo do dia, visitantes têm de falar ou com o morador, ou como o zelador, ou com o síndico, via porteiro eletrônico. Ou seja, gera outro problema. Um morador chegando em casa, um estranho na porta, aproveita que o morador abre e entra. O morador é que teria de fazer o papel de segurança? Perguntar onde vai, com quem quer falar etc.? Isso já ocorre e é uma situação difícil. Muitos moradores passam direto e esperam para ver se o morador aceitou ou não a entrada do visitante. Só quando não tem ninguém na porta, usam a chave e entram. Seria o melhor a ser feito, mas, gera mais um nível de preocupações, além de nunca esquecer as chaves. São novos desafios da metrópole.

  3. Não é bem assim.

    Sabe qual o grande problema?

    Os apartamentos hoje em dia são pequenos e as áreas de lazer, grandes.

    Ou seja, a idéia é fazer que crianças e adolescentes migrem dos seus quartos para áreas comuns, tirá-los dos apartamentos, fazê-los circular pelo condomínio. Se é certo ou errado, não sei, mas é o que se faz, para maximizar o lucro da operação imobiliária, afinal, área de lazer pode encarecer condomínio e coisa e tal, mas tá na moda e o povão compra, e é só isso que importa para quem constrói.

    O problema é que, tendo muita gente trabalhando em casa, em “home office” o barulho natural de criança brincando incomoda e gera reclamação. Como incomoda aos pais de crianças o eventual fluxo demasiado de pessoas entrando e saindo do apartamento alheio, ou se motoboys entregando encomendas, o que também gera reclamação.

    O indivíduo que trabalhava longe de casa e só voltava no finalzinho da tarde, provavelmente nunca trabalhou com criançada fervendo em volta dele. E os pais que achavam que o condomínio era um lugar tranquilo para deixá-las, passam a ter a angústia de imaginar o tráfego anormal de pessoas em uma área que deveria ser residencial.

    É ônus da sociedade moderna, que teima em confundir as coisas…

  4. Dawran, aqui há duzendos porteiros e faxineiros. Uns são mais cuidadosos, mas outros…, era preferível ter chave mesmo e ficar vulnerável, esperando o ladrão.

    Que doença, né, Fábio? Aqui não tenho esse problema, porque os aptos são grandes e só mora velho. “Famílias felizes”, como diz uma amiga, nem dá, porque mal tem vaga na garagem, muito menos área de lazer.

    Mas ontem mesmo eu pensava nisso, a partir de um folheto de lançameto aqui na Vila Romana: o apartamento é um ovo, mas a área de lazer… como é que um condomínio desses ($$$) se manterá ao longo do tempo, não sei. Capaz de daqui uns 20 anos ter virado tudo loja.

  5. Pois é.

    Esses apartamentos minúsculos fazem sentido no Japão, não no Brasil.

    E o custo deles é de menos (isso mesmo) de 1/3 do valor de venda.

    As pessoas compram achando que é a maravilha… mas crianças crescem e um dia, não querem mais ferver no parquinho nem na cancha de futebol e daí, viram adolescentes apinhados em quartos minúsculos, neuróticos de tanto computador na cabeça…e prédios tendem a ficar sub-utilizados com condomínio caro que não se justifica.

  6. Uma coisa complementa a outra, Leticia e Fabio.
    Há prédios para todos os gostos.
    Ou os gostos têm de adaptar-se aos prédios.
    As duas coisas, já são mais caras.

  7. Realiza, Fábio, daqui uns anos… E, cá pra nós, que graça tem dividir piscina com vizinho, me diz?

    Aqui é o melhor pra mim. Tem criança, mas tem mais cachorro e gato. Não pela fofurice em voga. Por carência afetiva mesmo.

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